De pitbull a carneiro

 

 “Lagartixa sabe em qual pau bate a cabeça.” Ditado popular que se encaixa perfeitamente em uma situação política, para variar. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, de “pitbull”, Carlos Bolsonaro (PSC), parece mais um carneirinho acanhado. Após protagonizar uma crise no governo federal, que resultou na demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência, o feroz das redes sociais cuida agora de assuntos municipais, aliás, era o que deveria ter feito desde o início.

 Clima quente

 E, para cada caso, há um ditado perfeito. Melhor “Não cutucar a onça com a vara curta.” Este vai para o caso do vereador Mateus Costa (PPS) e o secretário de Esportes do Município, Everton Dutra. O mais novo da Câmara, nos dois sentidos, criticou duramente o responsável pela pasta em suas falas na tribuna, na semana passada. E não demorou muito para momento “ideal” do revide. O secretário o encontrou durante o Pré-carnaval no último sábado e o bicho pegou. O caso foi parar na polícia.

 Rédea curta

 A nomeação de petistas e peessedebistas, no governo Romeu Zema (Novo), ilustra bem este aqui: “Me diga com quem tu andas, que te direi quem és”. E não é? Preocupada com o impacto da administração na imagem do partido e com um possível descolamento em relação à legenda, a direção nacional do Novo estuda acionar o Departamento de Apoio ao Mandatário, órgão previsto no estatuto partidário, para monitorar as ações do governo de Minas Gerais. Algumas ações deste início de mandato de Zema fizeram acender o sinal de alerta na cúpula do Novo. Disso, ele também sabia.

 Fim da mamata

 “O que vai volta”, ou seria “o que vem volta”? A partir do dia 10 do próximo mês, deputados que têm imóvel em Belo Horizonte não terão mais direito a receber o auxílio-moradia. O reembolso, no valor de R$ 4.377,33, só será feito ao parlamentar que comprovar gastos com aluguel ou hospedagem na capital mineira e Região Metropolitana. A medida estabelece ainda que o benefício não pode ser recebido por políticos cujos cônjuges ou companheiros sejam proprietários de imóveis em Belo Horizonte ou recebam o auxílio-moradia. Ufa, finalmente. O que não pode é que outro benefício venha para compensar, como aconteceu com os juízes. É bom ficar de olho.

 Usou, devolve

 Quanto à situação do deputado federal Aécio Neves (PSDB), que segundo a Justiça terá que devolver milhões aos cofres públicos por uso indevido, vai essa: “Aqui se faz, aqui se paga”. Sua defesa afirma que vai recorrer da decisão da Justiça de Minas Gerais que bloqueou R$ 11,5 milhões de suas contas. O valor é para cobrir prejuízo causado pelo uso indevido de aeronaves oficiais do Estado, na época em que Aécio era governador de Minas. A ação se baseia em mais de 1.300 voos considerados irregulares entre 2003 e 2010. Destes, 116 foram para Cláudio, cidade a 62 quilômetros de Divinópolis, onde a família possui fazenda e, acredite, até aeroporto para pousar.

 Nunca trabalhou

 Para um infeliz comentário do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), quando afirmou que um idoso de 80 anos estaria em plena condição de trabalhar, esse é perfeito: “Quem conversa muito, dá bom-dia a cavalo”.  Duramente criticado, admitiu ontem que as mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) podem dificultar a tramitação da reforma da Previdência. Pela proposta, a partir dos 60 anos, os idosos receberão R$ 400 de BPC, e, somente a partir de 70 anos, o valor sobe para um salário mínimo. “Se eu atuasse na Câmara Federal, iria mostrar ao Rodrigo Maia o que é trabalhar. Nunca ralou na vida, agora fica conversando abobrinha”, disparou o deputado estadual Cleitinho Azevedo (PPS).

 Se conseguir

 O objetivo destas informações, todas ilustradas por ditados, ainda da época dos nossos avós, é apenas tentar descontrair o nosso leitor, se é que isso é possível, em uma época de tanta tragédia, tanta decepção com os nossos representantes e tanta gente boba que fala e escreve, sem a mínima noção do que é o assunto e a demanda. E porque tem alguns cursos e graduações, acha que tem “licença poética” para falar o vem na mente. Me poupe!

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