De novo

Divinópolis, novamente – pela centésima vez –, é vítima do midiatismo barato. Em maio do ano passado, a Câmara instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos com publicidade e propaganda, supostamente feitos pelo Poder Legislativo e pela Prefeitura. Na época, quem acompanhou de perto a situação viu que a instalação da CPI era apenas uma guerra entre duas pessoas. O então presidente da Câmara, Adair Otaviano (MDB), chegou a negar o pedido, mas foi vencido após o autor do pedido de instauração recorrer à Comissão de Justiça, e esta emitir um parecer favorável à criação da comissão.

Vencido, não restou outra saída para Adair senão instaurar a CPI. Foram designados para compor a Comissão os vereadores César Tarzan (PP), Josafá Anderson (PPS), Renato Ferreira (PSDB), Rodrigo Kaboja (PSD) e Edson Sousa (MDB). Nove meses após a instauração da CPI, que teve pouca repercussão na mídia e na população, o relatório final foi aprovado e constatou o que muitos já sabiam. Não foi encontrada nenhuma irregularidade nos gastos com publicidade e propaganda feitos pela Câmara, e a Prefeitura não gastou R$ 1 com isso. A situação, na verdade, só mostrou que, algumas vezes, o óbvio se sobressai ao midiatismo barato.

Com tanta coisa importante acontecendo na cidade, tantas demandas que precisam realmente de atenção dos vereadores, e os parlamentares se dão ao luxo de perder tempo com algo que uma simples busca no Portal da Transparência de ambos os poderes poderia resolver. Ou, ainda, um pedido formal de prestação de contas, que qualquer cidadão pode fazer. Mas, os vereadores, deslumbrados com este momento inconstante de redes sociais, preferiram o midiatismo barato, que desta vez deu lugar ao evidente. Atitudes como estas só mostram que Divinópolis anda “a pé” de representantes. Esta foi mais uma CPI que não deu em absolutamente nada. Rendeu apenas alguns likes e visualizações em redes sociais.

Alguém, um dia, vai ter que avisar aos vereadores mais midiáticos que uma cidade não é construída, não evolui com curtidas, compartilhamentos e visualizações de Facebook. É a mão na massa e a integridade dos políticos que fazem uma sociedade andar para frente. E por que não ter a Suécia como exemplo? O país onde ser vereador é um trabalho voluntário. O país em que deputados não têm assessores, e têm rígidos limites para o uso do dinheiro dos contribuintes. Lá, os políticos são tratados como cidadãos comuns. Diferente daqui, onde os políticos, que mesmo sendo pagos com o dinheiro do povo, são tratados como deuses. E, em Divinópolis, os vereadores trabalham apenas para gravar vídeo, postar nas redes sociais e instaurar CPI’s que não dão em nada.

É verdade que o país precisa de uma reforma. Mas, talvez esta reforma não deva começar pela da Previdência Social, e, sim, pela política, pelos privilégios, pelas regalias e pela futilidade. Porque, se há uma classe que não está quebrando o Brasil, com certeza esta classe é a trabalhadora. A que trabalha para ver político dar show em rede social, e não colocar a mão na massa. À espera do próximo show.

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