De casa cheia, Câmara vota IPTU hoje; siga ao vivo

Ricardo Welbert

Com auditório lotado por populares desde as 9h desta sexta-feira, 29, tem votação nesta manhã o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Divinópolis. Uma quantidade de pessoas insuficiente para a de cadeiras lota o auditório do plenário. A reunião terá transmissão ao vivo pela TV Câmara. 

* Esta reportagem está sendo atualizada conforme a reunião se desenvolve. 

Às 9h17 cpmeçou a reunião extraordinária. 

A vereadora Janete Aparecida (PSD) leu o ofício enviado à Casa pelo prefeito Galileu (PMDB) pedindo a retirada do projeto de lei que propunha o reajuste das alíquotas do IPTU. Fica apenas a votação do reajuste do IPTU. 

O público que lota a plateia vaiou longamente o presidente Adair Otaviano (PMDB) quando ele começou a ler o projeto em pauta. O vereador Rodrigo Kaboja (PSL) interrompeu. 

Kaboja defendeu os empresários, que, segundo ele, custam a pagar os salários devido às altas taxas que costumam pagar. Se posiconou contrário. Mesmo assim, o público não deixou de gritar "Chega, chega" enquanto ele se pronunciava. "Peço aos colegas que votem contrários ao projeto para ganharmos tempo em 2018", disse.

Dr. Delano (PMDB) fez críticas ao discurso do colega que o antecedeu e disse ter acabado de receber mais uma recomendação do partido para que vote a favor do IPTU, sob risco de ser expulso do partido. "Meu voto é não. Estou aguardando a expulsão", disse o vereador. Em seguida ele diz ter ajudado financeiramente o partido a se manter e frisou que quem manda no partido na cidade é o líder da sigla - ou seja, o próprio vereador. 

Kaboja diz que se sentiu ofendido e foi vaiado pelo público. "Vocês que estão tentando me agredir não sabem que esse projeto vai ser reprovado graças a trabalho meu", disse, completando que o vereador que o antecedeu (Dr. Delano) até poucos dias ia votar a favor. O médico pediu direito de resposta, mas o presidente, Adair Otaviano, pediu a eles que não citem um ao outro novamente, para que não tenha novamente que conceder direito de resposta.

No direito de resposta, Dr. Delano questiona o dote "psíquiquico" de Kaboja, que afirmou ter lido o que se passava em sua cabeça. "Cuide da sua vida e a história mostrará quem é demagogo", provocou Dr. Delano.

Eduardo Print Júnior (SDD) foi o próximo a falar. "Com a retirada do projeto das alíquotas, fica impossível votar esse reajuste. É irresponsabilidae nossa deixar uma alíquota de 1, 2, 3 e 4% prevalecer. Se a anterior já era ruim, essa agora é pior. Essa planta não pode ser aprovada, pois ela prejudica ainda mais a população", disse, sendo aplaudido pelo público.

Zé Luíz da Farmácia (PMN) se disse decepcionado pelas palavras dos colegas e foi vaiado também pelo público. "Vejo que Divinópolis merece muito mais atitudes do que alguns debates vazios, sem crescimento e com objetivos pessoais", frisou. Em relação ao projeto, disse que não é só retirando as alíquotas que o texto será aprovado. Defendeu a realização do georreferenciamento como recurso justo e transparente. Declarou o voto contrário, sendo aplaudido.

Cleitinho Azevedo (PPS) foi amplamente aplaudido e exaltado pelo público antes mesmo de falar. "Palmas pra vocês também, por estarem aqui hoje. Cuidado com o discurso inflamado aqui. Tem muitos falsos profetas aqui, que estariam votando a favor se vocês não estivessem aqui", ele disse. Ainda segundo ele, nos últimos 30 anos tudo o que foi aprovado na casa foi atendendo a interesses. Disse que seu partido não vai dizer a ele como votar. "Quem vota no meu voto são vocês. Se o partido é dono da cadeira, que ele me expulse. Se fizer isso, tenho minha cadeira lá no varejão, onde eu trabalho desde os 13 anos", afirmou. Em seguida, criticou os cargos comissionados na Prefeitura, defendeu reduções de salários do prefeito, vice e secretários e foi aplaudido. "A Prefeitura não tem moral para pedir nada", diz. "Os políticos não vão mais roubar de vocês".

Quando a palavra foi passada a Edson Sousa (PMDB), ele foi sonoramente vaiado pelo público antes mesmo de falar. Por isso logo disse que o voto dele será "não". "Fui o relator desse projeto e ele, para chegar aqui hoje... [vaias] Eu acho que para chegar aqui hoje... ["Você não acha nada"]... Esse projeto para chegar aqui hoje, queria agradecer a segmentos que deram força, como grupos no WhatsApp e as entidades de classe". Lembrou a importância do vereador Renato Ferreira (PSDB), afastado por necessidade médica, que contribuiu pra a discussão popular do projeto.

Sargento Elton disse que todos ali estão esperando o voto do vereador e lembrou que o texto pode ser discutido até dia 8 de abril. "Mas o senhor prefeito e sua prefeitura que não dá bons exemplos quer dar um presente de Natal pro divinopolitano em janeiro, por meio de um aumento de IPTU absurdo. É hora do prefeito começar a pensar como gestor público e cortar na carne", disse ele.

Janete Aparecida (PSD) lembrou que não vai vender voto pro prefeito, que vota de acordo com a própria consciência e que o voto dela é "não".

Nego do Buritis também pediu respeito à cidade e se declarou contrário.

Roger Viegas (Pros) disse que todos os vereadores tentaram entender o projeto e afirmou que faltou clareza e sobraram distorções. Criticou o que afirma ser "teatro e sensacionalismo" praticados na Câmara.

Adair Otaviano, ao ter de volta a palavra, foi muito vaiado pelo público e o presidente interino pediu silêncio ao público, que não parou de vaiar e gritou "Ih, fora! Ih, fora!". Ele prometeu renunciar ao mandato caso alguém encontre alguma irregularidade na gestão dele em seus 17 anos de vereança. Em seguida, ainda sobre gritos de "Fora", disse que muitos dos discursos na casa são vazios. Lembrou que em 2007 foi aprovado na Casa o projeto do esgoto, no qual cada cidadão paga taxa à Copasa, que foi aprovada por alguns dos vereadores da atual legislatura. "Eu gostaria que vocês prestassem atenção. É muito fácil vaiar ou aplaudir. Prestem atenção. Muitos dos que estão aqui se vangloriando votaram vários projetos prejudiciais à população", disse.

Em seguida o texto foi colocado em pauta e reprovado por 15 votos a 0. 

 

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