Da capo

O ano era o de 1998 e se disputava o governo do estado entre dois candidatos mais fortes: Itamar Franco pelo então PMDB, que foi eleito, e Eduardo Azeredo, do PSDB, que perdeu a reeleição. Muito dinheiro “rolou” na campanha feita por Azeredo, enquanto o adversário, que tinha Newton Cardoso na chapa como vice, se gastou muito, o fez mais ou menos às escondidas. O vice de Azeredo foi Walfrido dos Mares Guia, dono de um próspero negócio de ensino superior, com colégio e cursinhos para universidades já instalados em BH.

Depois de muitas idas e vindas, Mares Guia acabou sendo ministro de Lula e hoje é o dono da Kroton, o maior conglomerado de ensino particular do mundo, que levou para este meio a tão famosa Fadom (hoje Pitágoras), uma das melhores escolas de direito do país.

Depois de perder as eleições para o estado, Azeredo desapareceu devendo todos os órgãos de comunicação que o ajudaram na campanha, confiando na primeira, quando ele pagou a todos, sem qualquer contestação. Foi eleito Senador em 2002 e a deputado federal em 2012, tendo sido reeleito, mas, em virtude do processo do Mensalão mineiro que estava no STF, renunciou ao mandato para ser julgado em Minas, onde esperava ser absolvido.

Azeredo, que é engenheiro e nasceu em Sete Lagoas, para onde destinou diversos investimentos fortes e conseguiu duplicar a BR-040 até lá, não foi feliz na escolha de tribunal, pois três de seus companheiros, inclusive Mares Guia, conseguiram se safar porque já completaram 70 anos de idade, e ele, Azeredo, o fará no dia 9 de setembro.

Ontem, a decisão final em segunda instância foi proferida com a manutenção da condenação em 20 anos de prisão. Haverá recursos a outros tribunais, como o fez Lula da Silva, mas é claro que de nada adiantarão, pois, depois da prisão do ex-presidente, que já está cumprindo pena em Curitiba, nenhuma decisão em contrário virá.

Como se viu, Eduardo Azeredo tentou a sorte e foi infeliz, pois na realidade ninguém acreditava que ele fosse julgado tão cedo e, acima de tudo, a menos de quatro meses do prazo fatal de prescrição. O seu vice na empreitada de reeleição, Clésio Andrade, que hoje ainda ocupa a presidência da Confederação Nacional do Transporte, cargo que assumiu em 1993, ou seja, há exatos 25 anos, está à espera do seu julgamento.

Da capo no tempo, esse caso envolvendo nomes famosos da política mineira faz parte do Valérioduto, do dono da agência SMPB Marcos Valério, que já foi condenado a mais de 40 anos de prisão e que hoje faz parte da fila de espera de uma delação premiada que o deixe em casa com tornozeleira eletrônica.

A simplória cara de Azeredo não o credencia como ladrão, ele parece mais um coadjuvante de uma grande bobagem feita pela sua turma, com empréstimos bancários, pagos com publicidade de eventos esportivos superfaturados. Nada deu certo para o setelagoano, que, embora tenha sido prefeito de BH, deputado federal, senador e governador de Minas, comprova afinal que o crime não compensa. Seja pela pena alcançada, pelo medo, pela vergonha, pela mentira ou simplesmente por tudo isto.

 

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