Culto ecumênico festeja 60 anos do Mercado Municipal

 

Flávio Flora

Chega aos 60 anos de existência o Mercado Municipal, inaugurado em 1o de junho de 1959, como uma obra arquitetônica sem par, em território histórico das irmandades de N. Senhora do Rosário/ São Benedito (desde 1850) e dos antepassados que ali foram sepultados entre 1875 e 1927.

Dois eventos de celebração foram marcados para o local: a solenidade de compromisso de preservação e manutenção da Praça do Mercado, ocorrido nesta última semana de maio, assumido pelos carnavalescos do Bloco do Cléo, em parceria com a administração municipal, como permite a Lei Municipal 7.717/ 2013; e o I Encontro Ecumênico da Solidariedade, a se realizar na manhã deste sábado, 1o de junho (data magna do município), nas imediações da capela do Rosário, às 10h.

O momento cívico contará com a presença do bispo divinopolitano dom José Carlos, o pastor Wilson e espírita Sérgio Bebiano, representante do Centro Espírita Maria de Nazaré. A iniciativa é da empresária Iris Almeida com apoio de vários segmentos sociais e empresariais. “Trata-se de um evento para energizar nossa gente por meio da oração e da expressão de solidariedade por nossa divina cidade do Espírito Santo”, explica.

O mais antigo comerciante

Durante o encontro, serão comemorados os 60 anos de existência do Mercado Municipal. Nos últimos anos, o prédio vem sofrendo mudanças em seu comércio e aperfeiçoando-se em sua vocação para a culinária e alimentação. Atualmente, passa por restauração externa e ajustes internos que, segundo o empresário Antônio Luiz Cruz, pode passar de R$ 800 mil.

Antônio Luiz (Tônio), 74 anos, é o único empresário que trabalha no local desde a abertura ao público em 14/06/1959, nos mesmos boxes, onde desempenhou a mesma atividade por seis décadas.

Estabeleceu-se no Mercado com 14 anos de idade no comércio de frangos (Abatedouro São Luiz), empresa que administra até hoje, como uma das mais bem-sucedidas e longevas de Divinópolis.

Segundo ele, o Mercado teve momentos bons e ruins, mas a partir de 2010 houve crescimento significativo da clientela, porque se adaptou às demandas dos novos tempos. Em sua avaliação, a permissão de estacionamento rotativo no entorno da praça continua sendo um obstáculo aos consumidores distantes. ”O motorista estaciona às 8h da manhã e sai às 17h; não há espaço para estacionamento dos fregueses”, critica Antônio Luiz. 

Audaciosa edificação

O projeto do Mercado Municipal foi elaborado pelo arquiteto Joaquim Nunes Valério e as obras coordenadas pelo engenheiro-administrador Roberto Ellis, da empresa Mercados Minas (BH). Em 1956, a prefeitura assumiu a demolição da igreja e do cemitério da velha praça do Rosário para transformá-la na Praça do Mercado (Lei Municipal 642/64), em curto prazo.

Para o ex-prefeito Fernandes de Sousa era “uma iniciativa muito arrojada para seu tempo e, ainda hoje (...) continua prestando seus relevantes serviços a toda a comunidade”, escreveu em seu livro autobiográfico “Trajetória” (Grupo Capela, 2018). “Mostra de maneira inquestionável o quanto foi feliz o inspirado momento de sua audaciosa edificação” — avalia Fernandes de Sousa

A partir de seu funcionamento, a região se tornou novo ponto de articulação da antiga praça da Matriz com a crescente cidade, propondo um novo processo de urbanização e nova centralidade, o que se realizou a partir dos anos 1970.

Curiosidades sobre a praça

▪ A urbanização da Praça do Mercado só foi feita dez anos depois de inaugurada e, em 1985, recebeu uma réplica da antiga Igreja do Rosário, lembrando o núcleo afrocultural original.

▪ Outra informação interessante registrada por moradores antigos refere-se à primeira das três cápsulas do tempo existentes em Divinópolis, enterrada em local próximo à porta principal do Mercado (face leste). Outra está na praça Benedito Valadares e a mais recente no pátio da nova sede da Prefeitura Municipal.

▪ Também se registra que boa parte das pedras secas que muravam o antigo cemitério foram removidas e assentadas na base do santuário de Santo Antônio.

 

 

 

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