Crônica de uma fraude anunciada

CREPÚSCULO DA LEI – ANO III – CXLI

Domingos Sávio Calixto

 “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas (...). Nós vamos parar com o roubo [das eleições].” Essas são palavras do discurso de Donald Trump aos seus seguidores no dia 6 de janeiro de 2021, momentos antes da invasão do congresso americano, onde cinco pessoas morreram, inclusive um policial, espancado até a morte.

Trump incitou seus seguidores a praticarem tal crime, mas não os acompanhou (!), evidentemente. Ele já havia dito que não aceitaria a derrota para Joe “Sleeping” Binden, como de fato não aceitou, e foi até as últimas consequências em busca de uma insurreição, revolta, rebelião ou qualquer coisa que o valha. 

O resultado do “jus sperniendi” só não foi mais trágico por conta da conduta do vice-presidente Mike Pence, ao admitir e pedir respeito à constituição americana e às regras democráticas seculares daquele país. Com isso, Trump ficou praticamente isolado politicamente, sujeitando-se a um “american shame” histórico que será difícil de ser igualado.

Em qual “craziness” Trump se agarrou para causar tamanha delinquência golpista? Resposta clara e rápida: o voto impresso, óbvio!

Trump culpava a todo o momento a fragilidade do sistema eleitoral com base na votação impressa, e é exatamente este tipo de argumento que o atual ocupante do Palácio da Alvorada está tramando para importar para cá em 2022.

Parece evidente que o atual ocupante do Palácio da Alvorada quer criar situações similares para conturbar o processo eleitoral de 2022 no qual, inevitavelmente, sairá derrotado. É claro que a estratégia do tal indivíduo será criar as mais diversas situações envolvendo desaparecimento de urnas e surgimento de outras, aqui e acolá, além dos clássicos “barracos” diante das mesas de votação.

Dentro das técnicas de “guerra híbrida”, esse é o plano que está em andamento. A julgar pela escassez de caráter que identifica o mandatário envolvido, não será surpresa alguma ele querer que as urnas sejam contadas nos quartéis, sob a supervisão do seu trio metralha de descendentes, “queiroziando” e “miliciando” votos ao seu alvedrio.

A situação se torna bastante preocupante no Brasil tendo em vista o não funcionamento das instituições democráticas por aqui. Caso funcionassem, a própria eleição do mandrião atual já deveria ter sido anulada em face dos meios fraudulentos utilizados em sua eleição – vide a fábrica de mentirosa de propagação de mentiras mentirosas dentro da tal “lava jato”– sem se falar, é claro, do ardiloso sequestro em cárcere público do candidato que liderava as pesquisas. Foi uma vergonha tamanha que teve até o disparate de negligenciar uma liminar do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Confirmando-se a maracutaia “by bullshit” do tal “voto impresso” por aqui, do que serão capazes os extremistas, sempre violentos - que já fizeram diversas vítimas na classe vulnerável – quando se depararem com o “kick ass” que o mandrião vai levar na votação?

E ainda, por estas bandas há sérias dúvidas em relação ao respeito às regras constitucionais, inclusive em se comparando com o vice americano Mike Pence.  Ora, o vice daqui chegou ao vitupério – oh, God! - de viajar para um país africano – Angola – para interceder pelos interesses da Universal no caso de fechamento de igrejas (?) naquele país em virtude de práticas de corrupção, pasme-se! (“somebody help us!”).

O risível de tudo é que a pessoa que ocupa a presidência, bem como seus filhos, passaram décadas sendo eleitos pela urna eletrônica sem nenhum comentário negativo até então. Parece que o medo da prisão está tirando-os do juízo. O problema é querer evitá-la mediante o uso do dinheiro público junto ao crime organizado do “...se gritar pega “centrão”!!!...”. É “o horror, o horror”.



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