Criminosos usam aplicativos de delivery para praticar assaltos

Paulo Vitor Souza 

Bares e lanchonetes pela cidade adotaram o sistema de delivery devido às restrições impostas pelo controle do surto do coronavírus. O sistema de entrega, que, em tese, seria mais seguro, já virou alvo de ladrões. Uma nova ação de criminosos vem chamando a atenção na cidade. No último domingo, 2, o entregador de uma espeteria (prefere não se identificar) foi abordado por quatro homens enquanto realizava distribuição de pedidos nas imediações da Faculdade Pitágoras.

A ação dos ladrões se parece mais com uma armadilha. O pedido é feito pelo iFood, um aplicativo de delivery. Quando o entregador sai para realizar a entrega, é rendido pelos assaltantes em certo ponto do percurso. Segundo o estabelecimento no qual o entregador trabalha, a tentativa de assalto deste domingo foi a segunda em que os ladrões agiram desta maneira.

— Nós optamos por trabalhar com iFood, plataforma de pedidos de comida que traz muitos novos clientes, mas também atrai bandidos, principalmente quando não pagam pela plataforma e pedem para levar troco ou máquina de cartão — disse o proprietário da espeteria, que, por segurança, também não se identificou.

Ele explicou como foi a ação dos criminosos e disse que a facilidade de acesso ao aplicativo facilita a ocorrência de golpes e crimes como o de domingo.

—  O cadastro é bem simples, não requer comprovação com documentos nem nada, então um usuário qualquer simplesmente coloca o nome e o endereço que quiser, faz o pedido de alguma coisa, no nosso caso foi de espetinhos e bebidas, que totalizaram R$ 40 e pediram troco para 100. Chegando ao endereço, o motoboy foi surpreendido por quatro pessoas em quatro motos e, quando ele acelerou, eles foram atrás dele. Ele correu e conseguiu esconder nas imediações da Faculdade Pitágoras. Deitou-se e desligou a moto — narrou o proprietário.

Esta não é a primeira vez que criminosos atacam pelo aplicativo de entregas. Segundo o dono do estabelecimento, ele já passou pela mesma situação anteriormente. Bandidos realizaram um pedido e informaram um endereço falso. Durante a entrega, ele percebeu que o endereço não batia com o local informado e conseguiu fugir.

— Outra vez foi quando eu mesmo fui atender o delivery no meu carro, porque estava chovendo e não encontramos mototáxi. O pedido era um litro de whisky e o cliente pediu para levar máquina de cartão. O endereço não era suspeito por ser perto, na avenida Autorama. Chegando lá, notei que era uma fábrica abandonada, tomada pelo mato. Acho que não esperavam por um carro, e sim uma moto. Quando bati o farol no mato, vi alguns indivíduos escondidos, dei um balão e acelerei — contou.

O dono conta ainda que, depois que ocorreu o primeiro incidente, o estabelecimento adotou o sistema de pagamento unicamente pelo aplicativo, mas, com a queda nas vendas, eles se viram obrigados a retornar com o pagamento em dinheiro no domingo, mesmo dia em que ocorreu a tentativa de assalto. 

— Melhor vender menos, mas arriscar menos. Nos dois casos, tentamos ligar no telefone do cliente e todos davam que não existia. Inclusive já tivemos caso de a pessoa tentar passar nota falsa também, se aproveitando da correria do motoqueiro e da rua escura — finalizou.

Polícia 

Apesar das tentativas de crime relatadas à reportagem, a Polícia Militar (PM) informou que, desde o início da quarentena, não foi registrada nenhuma ocorrência desta natureza. O comando do 23º Batalhão da PM informou que uma das possibilidades para a ausência destes casos na estatística da polícia é a falta de registro por parte das vítimas, o que foi confirmado pelas vítimas. 

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