Crimes que causaram grande comoção em 2018 ainda não foram elucidados

 

Da Redação

Divinópolis fechou o ano contabilizando 61 homicídios, o mesmo número de 2017. Destes, três mortes foram resultado de ação policial, que viram a necessidade de atirar para se defender. Em entrevista à rádio Sucesso, ontem, 7, o delegado regional da Polícia Civil em Divinópolis, Leonardo Pio, falou sobre os trabalhos na cidade em 2018.

— Temos trabalhado muito. Apenas no ano passado, a Delegacia Regional de Divinópolis concluiu aproximadamente 25 mil procedimentos investigatórios. Hoje, temos aproximadamente 14 mil procedimentos tramitando ainda — relatou Leonardo.

 Sobre a criminalidade, o delegado confirmou os números e disse ter havido queda de homicídios em outras cidades.

— Se em Divinópolis nós mantivemos o mesmo número de homicídios do ano de 2017, é importante destacar que em outros municípios tivemos uma queda muito grande. Por exemplo, em Itaúna, em 2017, fechamos com 23 homicídios. Já no ano passado, a cidade registrou apenas nove, ou seja, praticamente um terço dos crimes ocorridos no ano anterior — destacou o delegado.

Leonardo Pio ainda ressaltou a quase sempre existente relação entre os homicídios e o envolvimento das vítimas na criminalidade.

— O que mais chama atenção em todas estas práticas criminosas, em sua maioria, é que as vítimas desses homicídios de alguma forma estão vinculadas a outros crimes ou são mencionadas em registros de ocorrência associadas ao mundo do crime. Por isso, temos intensificado o diálogo com as forças de segurança da cidade, em especial a Polícia Militar (PM), o sistema prisional e o socioeducativo — disse.

Em 2019

São apenas oito dias em 2019, mas Divinópolis já registrou dois homicídios. O primeiro assassinato do ano na cidade ocorreu no dia 3. O garupa de uma motocicleta desceu e atirou contra a vítima, José Ricardo Rabelo, de 42 anos, dentro de um bar. Os dois fugiram.

O segundo aconteceu no dia 5, último sábado. Dois criminosos invadiram a pé uma residência e atiraram contra Fabrício Junio de Souza Santos, de 21 anos. Os autores do crime fugiram em um carro que aguardava do lado de fora. Fabrício possuía passagens por tráfico de drogas. 

Sem solução

Apesar de o número positivo destacado pela Polícia Civil em 2018, ainda há na cidade crimes que causaram grande comoção popular e ainda não foram desvendados. Entre eles, está um caso de um bebê, encontrado dentro de uma sacola, ainda com o cordão umbilical, em uma lata de lixo, com marcas de agressões. A recém-nascida foi localizada morta no bairro São Judas e, até hoje, o assassino ainda não foi identificado.

 — Fizemos trabalho nas cidades de Nova Serrana, São Gonçalo do Pará, onde tivemos informações de possíveis mães daquele bebê, mas não conseguimos chegar ao culpado nem por meio de exames de DNA — revelou o delegado regional.

A falta de câmeras nas vias ou em comércios e casas de onde ocorreu o crime dificultaram o trabalho dos investigadores.

— Nem imóveis próximos, nem naquele quarteirão ou outros, conseguimos identificar qualquer imagem que poderia de alguma forma auxiliar no reconhecimento do autor. O que torna na verdade difícil a investigação da polícia. Então, sem esse ponto de partida, o trabalho de investigação acaba ficando um tanto quanto limitado — explicou o delegado.

Ainda segundo ele, o investimento em tecnologia poderia ajudar a solucionar casos como o da recém-nascida mais facilmente, através de um banco de DNA.

—É algo que a gente acredita. Uma das premissas já lançadas pelo atual governo federal é o investimento maciço em um banco de dados com perfil genético, ou seja, uma identidade genética. Na verdade, seria feito através do DNA, que nada mais é que uma impressão digital moderna. Esse tipo de evento [caso do bebê] ele poderia se tornar muito mais fácil sua apuração se nosso país evoluísse para esse tipo de identificação  — analisou Leonardo Pio.

Sem solução

Além do bebê encontrado morto numa lata de lixo com marca de agressões, outros dois casos que chocaram a cidade permanecem com inquéritos abertos: o idoso, Sebastião Ventura, 81, espancado e morto no bairro e São Judas; e o rapaz Bruno Guimarães, de 39 anos, assassinado a pauladas no bairro Porto Velho e encontrado em um lote vago. Segundo o delegado, ambos os crimes continuam sendo investigados e, para continuidade segura das investigações, os avanços dos processos são sigilosos.

— Nestes dois eventos, os inquéritos ainda se encontram em tramitação na delegacia regional, já inclusive com suspeitos. (...) Já existe uma linha de investigação para esses dois casos — esclareceu o delegado.

Adolescentes

Um dos pilares do crime na cidade tem sido a expressiva presença de jovens nos crimes. Segundo o delegado Leonardo Pio, muitos jovens têm entrado no mundo da criminalidade e, quando apreendidos, são encaminhados ao Centro Socioeducativo da cidade.

— Nós temos uma média muito alta em Divinópolis de adolescentes envolvidos com o mundo do crime. (...) só esse final de semana nós tivemos quatro adolescentes acautelados no Centro Socioeducativo de Divinópolis. Adolescentes envolvidos com armas de fogo, drogas e crimes violentos em geral. Mas eu registro aqui que ainda somos privilegiados por ter oportunidade e local de acautelar esses adolescentes. A maioria dos municípios, não de Minas Gerais, mas do Brasil, não possuem uma estrutura com a que nós temos.

Instituições

O delegado ainda afirmou a importância de outras instituições e entidades, como família e escola, no combate a segurança.

— É importante frisar que o Estado não consegue estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo. (...) Ou seja, aquele indivíduo que se envolveu com o mundo do tráfico ou se envolveu com o mundo do crime de uma forma geral é muitas vezes porque outras instituições e entidades falharam.

Como denunciar?

O delegado Leonardo Pio destacou ainda a importância das denúncias feitas pela população, como forma de auxílio ao trabalho da polícia.

— Então contamos mais uma vez até com o apoio da população não nesse, mas em todos os demais casos com a denúncia da população. Seja diretamente na unidade policial, seja através do telefone 197 ou até mesmo no serviço 181, onde a identidade do denunciante é mantida em sigilo.

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