Criança consegue vaga, mas hospital não é o adequado

 

Gisele Souto

Após um ano de espera entre idas e voltas de hospitais, consultas, exames, internações e passar os últimos nove dias na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a menina de 11 anos que corria risco de morrer finalmente foi transferida. Ontem pela manhã, ela foi levada para o Hospital João Paulo II, em Belo Horizonte. Porém, ele não disponibiliza o tratamento indicado para sua doença, conforme apontam familiares.

Na petição, o advogado da família, Eduardo Augusto, destacou o agravamento no quadro de saúde da paciente, com base em relatórios médicos. Ainda de acordo com o documento, a ordem judicial determina o tratamento em uma unidade adequada. Assim, na visão do defensor, os réus não cumprem a decisão, pois mandaram a paciente novamente — já que não é a primeira vez — para um hospital que não atende sua necessidade de forma urgente. O estabelecimento sugerido é o Hospital Pediatra Vila da Serra em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte.  

— Colocando a criança lá, eles assumem o risco de oferecer todo tratamento que ela precisa, inclusive o transplante se for o caso — afirma o advogado.

A doença

A menina foi diagnosticada aos 10 anos com um quadro grave de Hepatite A, com risco de morte e, desde março de 2017, quando a doença foi descoberta, vem se submetendo a um terrível martírio entre UPA e sua casa, em Divinópolis. Fora as idas e vindas de Belo Horizonte.

Nos últimos dias, o quadro de saúde dela se agravou. Por isso, mesmo sem a medicação adequada, teve de ficar na UPA mais de uma semana.

Transfusão

A mãe, Alexandra Regina Dias, confirmou que o hospital não realiza os procedimentos, porém ficará na expectativa de que, estando lá, a outra vaga saia o mais rápido possível. Ela ressalta a necessidade urgente de uma transfusão de sangue por causa da baixa quantidade de plaquetas, além de uma biópsia do fígado.

Um ano

A ação para que o Estado providenciasse o tratamento teve a liminar concedida pela Justiça no dia 25 de outubro de 2017. De lá até o dia 9 deste mês, data da última petição, três pedidos foram encaminhados ao juiz que concedeu a liminar, reiterando a urgência que caso requer. Ontem, a vaga saiu, mas o tratamento continua ameaçado.

Os réus

A Prefeitura informou que o Município não dispõe do tratamento para a menina e quem faz a regulação é o Estado, de acordo com as prioridades.

Já o Governo Estadual, por meio da Superintendência Regional de Saúde, afirma que Hospital João Paulo II é referência para o Estado em pediatria. Esclarece ainda que a paciente foi regulada, ou seja, o hospital aceitou recebê-la. Caso o estabelecimento não realize o procedimento, ela continua a ser regulada pela Central de leitos do Estado.

 

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