Batendo Bola

José Carlos de Oliveira

 jcqueroviver@hotmail.com.br

 Depois de protagonizar uma das maiores tragédias que se tem notícia no futebol brasileiro, com a morte de quatro jovens atletas de suas categorias de base, garotos ainda na idade entre 14 e 17 anos que foram queimados pelo fogo em um incêndio em seu centro de treinamento, a diretoria do Flamengo, do Rio de Janeiro, não cria vergonha na cara e passa ainda mais vexame ao tentar protelar, de todas as formas, a indenização que repassará aos familiares das vitimas.

Trata a todos como se fossem eles os culpados por tudo que ocorreu. Menos gente, bem menos.

 Falta vergonha

 O que se esperava dos diretores do rubro-negro carioca neste triste momento era que assumissem realmente a responsabilidade por tudo, pelas mortes e pelos danos causados às famílias dos garotos no trágico incidente, tratando de pagar a conta por tudo que o clube fez ou deixou de fazer.

Indenizar as famílias com algo realmente justo era o mínimo que se esperava. Deveriam era assinar contratos vitalícios com os garotos mortos, com as famílias recebendo mensalmente os salários dos jovens, pelo menos até a idade em que se imagina — se vivos fossem —, eles continuassem a mostrar seus talentos pelos campos de futebol. Era o mínimo que poderia se esperar dos dirigentes.

 Esmolas

 Mas não é assim que pensam e estão agindo os cartolas do clube carioca. E para piorar a situação, agem às escondidas, fazendo segredo de todas as conversas. Mantêm todas as negociações sobre completo sigilo, com medo da revolta (que com certeza virá) de parte da opinião pública.

Se verdade for que a oferta dos dirigentes não chega a 20% do valor pedido pelo Ministério Público, é caso de colocar os dirigentes atrás das grades (ou num hospital psiquiátrico) para que reflitam com calma por tudo que vêm fazendo as famílias sofrerem.

As famílias não precisam de esmolas e nem da piedade dos dirigentes, querem é o que for justo.

 Guarani ainda vivo no Mineiro

 A maior parte da torcida do Guarani não é de jogar a toalha e continua acreditando que o Guarani vá reverter a situação e ainda se garantirá entre os oito times que passam às quartas de final do Campeonato Mineiro. A situação não é das mais confortáveis é verdade, mas nada que faça o torcedor deixar de acreditar.

 Fé de todos

 Mas não basta apenas a torcida ficar ao lado do time nestas horas, também a comissão técnica, diretoria e jogadores têm que acreditar que é sim possível lutar por algo melhor ainda este ano. Se o próprio time não tiver fé em seu potencial, no trabalho que é desenvolvido no Farião, de nada adiantará ter o torcedor ao seu lado. Será chover no molhado.

 Vencer ou vencer

 E que ninguém se engane, a primeira vitória tem que vir é para ontem, já para o fim de semana. No duelo em Juiz de Fora, contra o Tupynambás, é vencer ou vencer. Nenhum outro resultado interessa, se a ideia de todos é mesmo a de colocar o Bugre entre os oito melhores do estadual. Derrota e empate no fim de semana não dá nem para pensar.

 Para não cair

 Para se classificar entre os melhores, sim é importante vencer no fim de semana, porque se o pensamento de todos é apenas evitar um novo rebaixamento, podem continuar jogando em banho Maria, porque a situação continua sob controle. Vencendo em casa, os dois jogos que ainda fará no Farião o time permanece na elite do futebol mineiro.

 Todos juntos

 Mas não é isto que todos querem. O sonho de algo melhor ainda embala os corações de clube e da torcida e é com este pensamento que terão que ir a campo no domingo. Vencer o Tupynambás no Mário Helênio é o primeiro passo, o resto virá com naturalidade. É isso que creio e acredito.

E dá-lhe Bugre!

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