CPI começa mesmo sem perícia de áudios envolvendo o prefeito Galileu

Pollyanna Martins

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os áudios entregues por Marcelo Máximo de Morais, no dia 23 de abril, e que envolvem o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB), fez ontem a sua primeira oitiva. O primeiro a prestar depoimento à comissão foi o autor das gravações, Marcelo Marreco. O presidente da CPI, Ademir Silva (PSD), informou logo no início da oitiva que as perguntas seriam feitas apenas com base no primeiro áudio entregue por Marreco, da suposta ligação entre ele e o prefeito.

O ex-aliado de Galileu respondeu a todas as perguntas feitas. O primeiro a sabatinar Marcelo, convocado na condição de testemunha, foi o relator da CPI, Renato Ferreira (PSDB). O primeiro questionamento feito pelo vereador foi por que o ex-aliado do prefeito gravou as supostas ligações entre ele e Galileu, e qual o intuito da denúncia. Marcelo Marreco respondeu prontamente o parlamentar e disse que todas as ligações feitas e recebidas em seu celular são gravadas, pois ele teme por sua segurança, depois das denúncias feitas em 2009 a respeito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

— Qualquer pessoa que ligar para mim, a ligação é gravada — afirmou.

Logo em seguida, Renato citou a parte em que Galileu supostamente oferece um cargo para o ex-aliado na Prefeitura e diz que ele não precisaria trabalhar, além do momento em que Marcelo diz ao prefeito que atua na área da construção civil. O parlamentar perguntou a Marreco o que ele havia entendido da frase da seguinte prefeito: “Mas você vai ficar na coordenadoria, um trem assim, não vai trabalhar, não”.

— Dentro do áudio que é fato, dentro do decreto que é fato, eu respondo com muita clareza: eu trabalho em acabamento de construção civil, que é pintura, gesso, banheiro e cozinha, e me dá um decreto para trabalhar na agricultura, para eu plantar tomate, uma coisa não tem nada a ver com a outra — respondeu.

A mentira e a assinatura 

Depois de Renato, foi a vez de Raimundo Nonato (PDT) fazer perguntas a Marcelo Marreco. Mesmo sem a perícia dos áudios da Polícia Civil em mãos, em determinado momento da oitiva, o vereador chegou a afirmar que o ex-aliado de Galileu estaria mentindo ao afirmar que ninguém o ajudou a gravar as supostas ligações e que iria provar que Marcelo Marreco estava mentindo. Nonato pediu para que fosse reproduzido um dos áudios entregues por Marreco, no qual é possível ouvir um homem conversando com ele depois que a ligação é encerrada, e o homem o questiona se ele iria voltar atrás.

O ex-aliado do prefeito informou que o ambientalista Jairo Gomes estava em sua casa no momento em que recebeu a ligação de Galileu e também do editor do Divinews, Geraldo Passos, e reforçou que não recebeu nenhum auxílio para fazer as ligações, uma vez que seu celular grava qualquer ligação. Raimundo Nonato alegou também que a cópia do decreto da nomeação de Marreco, apresentada por ele no mesmo dia em que entregou as gravações, não tinha validade, pois faltava a assinatura do procurado do Município, Wendel Oliveira.

— Ou seja, não estava concretizada a vaga do senhor na Prefeitura, porque precisava ainda da assinatura do procurador e aqui mostra que não tem a assinatura dele — afirmou.

O ex-aliado de Galileu aproveitou o gancho e desafiou os vereadores a mostrarem algum documento que contivesse a assinatura do prefeito e do secretário de Governo, Roberto Antônio, e comparar com as assinaturas que estão no decreto de sua nomeação para o cargo comissionado de coordenador de Abastecimento e Segurança Alimentar na Secretaria Municipal de Agronegócios.

Notório Saber

Josafá Anderson (PPS) também fez perguntas ao depoente e, em seguida, foi a vez do vereador Edson Sousa (MDB). O parlamentar fez 27 perguntas a Marcelo Marreco, sendo a maioria delas sobre a agricultura familiar, alimentação e nutrição, às quais, em sua maioria, o ex-aliado de Galileu não soube responder.

Edson questionou ainda a escolaridade de Marcelo e ele informou ter a oitava série incompleta. O parlamentar perguntou se o ex-aliado de Galileu tinha conhecimento sobre a Lei Municipal 8.255/2016, que determina que “o nomeado que não se enquadrar na escolaridade exigida para o cargo deverá firmar, sob as penas da lei, declaração de que possui experiência e/ou notório saber na área específica”. Marcelo afirmou não saber do que se tratava a lei.  

Novos personagens 

Durante o seu depoimento, Marcelo Marreco trouxe ainda novos personagens para a história. De acordo com o ex-aliado de Galileu, a secretária municipal de Administração, Raquel Freitas, esteve junto com o secretário de Governo, Roberto Antônio, para levar a cópia do decreto em sua casa, no dia 23 de abril.

Marcelo narrou ainda ter procurado o vereador Delano Santiago (MDB) na véspera do dia em que divulgou os áudios e mostrou o conteúdo das supostas gravações. O ex-aliado do prefeito afirmou ainda que novidades virão e que ele usará a Tribuna Livre mais uma vez.

Ao Agora, Marcelo se limitou a dizer que usaria a Tribuna para se defender dos ataques feitos por Delano.

— O novo uso da Tribuna é me defendendo dos ataques que sofri. Infelizmente, o vereador Delano me atacou dizendo que eu devo à metade de Divinópolis, que eu sou uma pessoa que não tem crédito — explicou.

Chefe de Gabinete

O assessor de gabinete, Djalma Guimarães, prestou depoimento no final da tarde e afirmou não ter nenhum conhecimento sobre a oferta do cargo feita a Marcelo Marreco. Djalma revelou ainda que o ex-aliado de Galileu foi a seu gabinete para pedir um cargo na Prefeitura diversas vezes.

Perícia 

De acordo com o presidente da CPI, a primeira oitiva foi realizada com base no áudio entregue por Marcelo Marreco, sem a perícia da Polícia Civil. Ademir ressaltou que a perícia foi solicitada à Polícia Civil, reiterando o pedido feito também pelo Ministério Público. A falta da perícia foi um dos motivos para que o prefeito não comparecesse à oitiva. Segundo o presidente da CPI, Galileu enviou um requerimento para que prestasse depoimento somente depois que a comissão estivesse com a perícia técnica em mãos.

Estava prevista também a oitiva do procurador federal, Lauro Coelho, porém ele não está na cidade. De acordo com Ademir, o procurador mostrou interesse em prestar depoimento à comissão. O vereador informou também que a secretária de Administração, o ambientalista Jairo Gomes e o vereador Delano Santiago serão intimados a prestar depoimentos à CPI.

— Todas as pessoas que foram citadas e aquelas que ainda poderão ser citadas serão chamadas a prestar seu depoimento – garantiu.

A Prefeitura 

A Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não comentará depoimentos prestados à CPI.

 

 

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