Coronavírus: internações batem novo recorde em Divinópolis, com quase 150 pessoas hospitalizadas; cidade registra mais de 2 mil casos suspeitos em uma semana

UTIs da rede particular estão com quase 90% de ocupação

Ana Laura Corrêa

Divinópolis registra nesta segunda-feira, 11, mais um recorde de internações de pacientes nos leitos de coronavírus: há 147 pessoas hospitalizadas – 66 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 81 em enfermarias, incluindo três crianças em cada setor.

As UTIs da rede particular estão com quase 90% de ocupação. Veja abaixo a ocupação de cada setor no SUS e na rede suplementar.

Leitos de UTI

  Quantidade de leitos Ocupados Percentual de ocupação Disponíveis
Particular 45 39 86,7% 6
SUS 50 27 54,0% 23
Total 95 66 69,5% 29

Leitos de enfermaria

  Quantidade de leitos Ocupados Percentual de ocupação Disponíveis
Particular 71 46 64,8% 25
SUS 56 35 62,5% 21
Total 127 81 63,8% 46

Em uma semana – desde a última segunda-feira, a cidade registrou 2.153 casos suspeitos de coronavírus, chegando a 29.778 notificações.

A taxa de testagem dos casos, no entanto, é de apenas 20,86% e a maioria tem resultado positivo.

Dos 29.778 casos suspeitos, somente  6.213 foram testados: 4.403 confirmados – sendo 3.884 recuperados – , 1.754 descartados e 56 em análise.

Mortes

Mais três mortes foram confirmadas nesta segunda-feira, 11, e a cidade tem 115 óbitos em decorrência da covid-19 – um é investigado.

Desses 115, 28% foram registrados apenas últimos 30 dias. Em 11 dias, janeiro já tem 15 mortes. Até o momento, o recorde de óbitos ocorreu em dezembro, que teve 21, seguido por agosto, com 18.

— Isso acaba sendo reflexo do grande aumento do número de casos que nós estamos observando nas últimas semanas. Então, quanto mais casos nós registramos, mais casos ativos possivelmente temos na cidade, mais pessoas com critério para as formas grave estão sendo expostas, mais pacientes graves na UTI e, é claro, um maior registro do número de óbitos — explicou a médica infectologista Rosângela Guedes, que atua nos hospitais São Judas e Complexo de Saúde São João de Deus.

Embora a doença seja apontada como de baixa letalidade – marcando 2,61% atualmente em Divinópolis –, essa taxa pode ser maior dependendo de alguns fatores.

— A taxa é calculada com o número de óbitos que acontece com relação ao número de casos confirmados. Mas o que as pessoas precisam entender é que essa taxa de letalidade baixa é quando eu tomo o montante de todos os pacientes infectados. Quando a gente vai considerar pacientes acima de 60 anos, essa taxa é muito superior, chega a ser mais de 14%, em pacientes com 80 anos mais de 80% — ressaltou a médica.

Rosângela Guedes destacou que o número de mortes pode ser maior do que o registrado nos boletins.

— Esse número é até subestimado, porque muitos pacientes estão evoluindo para óbito, com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que nós sabemos se tratar de uma condição de coronavírus,mas que a gente não consegue confirmar o diagnóstico antes do óbito, seja porque não houve tempo hábil para coleta do exame ou porque o exame inicial veio negativo, e exames negativos não invalidam o diagnóstico de infecção pelo coronavírus — explicou.

A maior parte das mortes é registrada entre pacientes com mais de 60 anos ou com comorbidades, no entanto, há registros de óbitos de jovens e até mesmo de crianças.

— O registro de óbitos de crianças em Divinópolis foram de crianças não do município, mas que foram assistidas aqui, de cidades vizinhas — afirmou a médica.

 

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