Coragem

Estou em mais um Empretec, o seminário de empreendedorismo credenciado pela ONU, e o Sebrae é o licenciado para trabalhar com a metodologia no Brasil.

Sempre que estamos aqui, facilitando o processo de compreensão das Características do Comportamento Empreendedor (CCEs) a riqueza do processo sempre nos traz à luz algumas coisas simples e de uma sabedoria imensa.

Hoje, ao trabalhar com os participantes as expectativas, um deles relatou que sua expectativa era ter coragem para empreender. Assim que ele terminou de falar, uma pergunta veio à minha cabeça: coragem! Qual o significado dessa palavra?

De forma bem intuitiva, passei a pensar que coragem seria uma junção do “cor” (core – coração – alma) com a “ação” (aqueles que agem). Seria então esse o significado de coragem? Agir com o coração?

Fui até o dicionário etimológico da palavra (www.dicionarioetimologico.com.br) e encontrei a seguinte definição:

A palavra coragem vem do latim coraticum, que significa a bravura que vem de um coração forte. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Cor, ou cordis, também tinha o sentido metafórico de “coração”, a sede das emoções, dos pensamentos, da vontade e da inteligência.

Do latim para o português, a palavra coraticum sofreu algumas alterações. O sufixo latino -aticum foi substituído pelo sufixo português -agem, que indica a atuação de alguma coisa. Nesse caso, coragem significa literalmente a “ação do coração”.

Pois bem, entendido isso, comecei a me lembrar dos desafios de ser dono de um negócio no Brasil: leis trabalhistas imparciais, mão de obra desqualificada, impostos elevados e sem a contraprestação com serviço público de boa qualidade, obrigando o empreendedor a pagar duas vezes (uma para o governo e outra para o seguro ou para a empresa de segurança proteger o seu negócio), falta de segurança pública e jurídica etc. etc. etc.

Nós, consultores, até tentamos trazer esses loucos para o mundo da razão, ensinando-os a fazer contas, a não tomar decisões emocionais e planejarem melhor, mas ainda bem que a coragem é presente neles, pois, se em vez de agirem com o coração, agissem com a razão, certamente, da noite para o dia, muitas de nossas empresas desapareceriam.

Pense! Antes era a crise econômica, depois a corrupção e a greve dos caminhoneiros ajudando na redução da atividade econômica, e, agora, quando parecia que as coisas iriam melhorar, vem o coronavírus. Junto com ele, a falta de consumidores.

Agora, reflita: sem clientes, sem receita. Sem receita, sem dinheiro para pagar funcionários, aluguel, fornecedores, impostos, e tudo mais.

É... Se o empreendedor brasileiro não tivesse coragem e somente a razão predominasse, 59% dos funcionários estariam nas ruas e 99% das empresas estariam fechadas, se fôssemos considerar somente as micro e pequenas empresas.

Sabe aquela história de só dar valor quando se perde? Pois bem, espero sinceramente que você, ao cruzar com um empreendedor, que pode ser do pipoqueiro ao industrial, externe sua gratidão pelo simples fato de ele ter tido a coragem de abrir um negócio.

Por fim, lembre-se, se você perdeu alguns de meus textos, acesse www.professormarcosfabio.com.br e vá à aba “coluna”. Lá você encontrará tudo que escrevo. Agora, se quiser falar comigo, fazer algum comentário ou mesmo sugerir um tema, fale comigo pelo contato@professormarcosfabio.com.br.

 

 

Grande de abraço e bom fim de semana a todos!       

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