Copasa: um velho guarda-roupas prestes a ir para o lixo

A Copasa protagonizou, na última segunda-feira, 23, mais um episódio lastimável em relação ao abastecimento e tratamento de esgoto em Divinópolis, o represamento do rio Itapecerica para encher seus reservatórios de água.

Nas segundas quinzenas de março e abril de 2019, - observem que, em um mês, a empresa deixou de fornecer água potável para milhares de pessoas por dias em duas ocasiões, descumprindo seu dever de executar seus serviços de forma contínua e adequada. Foram 220 bairros atingidos, como Aeroporto, Afonso Pena, Alvorada, Vale da Liberdade, Conjuntos Habitacionais Nilda Barros e Osvaldo Machado Gontijo, dentre outros - praticamente mais da metade da cidade ficou sem o serviço de abastecimento.

A pedido das autoridades municipais, os fiscais da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) estiveram nos bairros afetados por desabastecimento e constataram várias irregularidades da Copasa.

Já nos últimos dias 19 e 20, os moradores dos bairros Floresta, Jardim das Acácias, Jardinópolis, Santa Lúcia, Campina Verde e muitos outros ligaram suas torneiras e depararam, em pleno sábado e domingo, com suas caixas d'águas vazias - mais uma vez, por ineficiência da Copasa.

O preposto da Copasa justificou novamente que a falta de água seria por causa da seca, por falta de chuvas em nossa região.  

Vejam que os fatos são velhos e nada de novidade, a verdade é que Copasa ignora os direitos dos consumidores divinopolitanos.

O caso da seca do rio Itapecerica novamente acendeu a discussão da necessidade de preocuparmos com o adequado represamento das águas de chuva e seu tratamento, coisa que a Copasa não faz.

Não há preocupação de represamento de águas em Divinópolis, acredita-se que o rio Itapecerica é ad eternum, ou seja, nunca morre. Sobre o esgoto, muito menos a empresa se desassossega, pelo contrário, bate no peito que joga in natura o esgoto no leito do rio, de forma impune pelo crime que comete.

Por anos, a Copasa promete o fim das Estações de Esgoto, mas, passam-se os prazos, nada acontece com a empresa, pelo contrário, ganha-se mais tempo.

Passam-se as chuvas, toda a água vai embora rio abaixo, e, quando chega a seca, a Copasa ainda quer culpar São Pedro, sendo que é evidente a demonstração de sua precariedade estrutural.

Essa postura da empresa não é novidade do tempo da seca, pois os bairros adjacentes e das partes altas da cidade constantemente têm desabastecimento por dias, isso em tempos de chuva, e de muita chuva - até uma criança de tenra idade sabe que a culpa é da empresa, não do tempo, é pela falta de estrutura e investimento de verdade por parte da Copasa.  

Pior ainda é quando a empresa, através de seus prepostos, trata o povo como tolo, como se não entendessem da realidade vivida quando se fala em Copasa. Nesses dois acontecimentos de desabastecimento nos bairros, a empresa responsabilizou a Cemig. Segundo a companhia de saneamento, por falta de energia, não pôde fornecer e manter o abastecimento de água, evidenciando, mais uma vez, sua desestrutura e seu desinteresse em corrigir suas falhas, como investir em alternativas de energia que possam suprir a falta de energia.

Vejam que bastava a empresa adquirir baterias e geradores de energia elétrica para alternar o envio de energia para as Estações de Tratamento, uma providência tão simples e necessária para uma empresa que deveria prestar seus serviços sem interrupções.

Já chegando ao fim de nosso artigo, confesso que a falta de palavras respeitosas obriga-me ao freio do que desejava dizer sobre a Copasa, pois uma empresa que é dos mineiros não tem o mínimo compromisso com a qualidade, a eficiência e a segurança de seus serviços.

A Copasa foi criada para gerar e manter um serviço de água e esgoto dentro das normas legais, contratuais e que nos deixasse orgulhosos, mas, na prática, é uma empresa que nos envergonha, revolta, indigna, e pior, que atropela nossos direitos da personalidade, como o direito à saúde pela água e esgoto bem tratados.

Por isso que, a cada dia, vou cedendo aos argumentos de que essa empresa deve ser privatizada, pois o que se vê nessa Copasa é a semelhança a um guarda-roupas velho, caindo aos pedaços, prestes a ir para o lixo, cheio de cabides de emprego para políticos e seus apadrinhados, e, no paralelo, gerando arrecadação e lucro indevido aos seus acionistas, sob jugo e prejuízo dos mineiros.

Tomara que, ao ser jogada ao lixo, vá junto os políticos e seus apadrinhados, que emperram o desenvolvimento empresarial e social da Copasa. 

Eduardo Augusto Silva Teixeira - Advogado

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