Conversa fiada

Rodrigo Dias

Sei não viu, mas parece que andamos gastando muita energia com questões menores. Às vezes é dada uma atenção maior para assuntos não tão relevantes, e gasta-se tanto tempo com eles, que no final dá aquela sensação de ter andado em círculos, sem resultar em nada de importante.

Não que devamos ser complexos o tempo todo, mas que o tal do “mimimi”- que não leva a nada -, está sempre na ordem do dia isso é um fato. Quase sempre trata de temas da vida alheia ou que cercam nossa convivência com o outro.

Prender-se a esses assuntos o tempo todo entorpece o foco, e questões mais relevantes acabam passando despercebidas no meio de tanta banalidade que é discutida por aí.

Tipo, pouco nos interessa que a atriz tal anda saindo com fulano. Ou que sicrana turbinou os seios para desfilar no carnaval. Ou, ainda, que o padre tal é lindo e canta bem. São assuntos tão periféricos e de efeito menor, mas sempre estão aí, de alguma maneira, ocupando boa parte do nosso tempo.

Antigamente se contava casos, hoje se faz fofoca. Dá-se a ela contornos de seriedade na discussão como se fosse algo importante, mas não passa mesmo de puro “mimimi”.

Tô desconfiado de que esta prática não esteja restrita a quem tem pouca informação e formação. Ela está presente, em menor ou maior escala, em todas as camadas sociais, absorvendo o tempo produtivo.

Como tem viés de maledicência, o tal do “mimimi” faz mal, não acrescenta. Leviano, degrada e desajusta o meio em que está circulando. É assim no trabalho, na vida social, no meio familiar. Ele não soma e ainda compromete a verdade, complica relações e deixa as pessoas superficiais.

“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”, explica Sigmund Freud. Tem gente por aí que para se proteger coloca o outro na berlinda, no foco dessas discussões que não levam a lugar nenhum.

Nesse ponto, e apenas nesse, o “mimimi” nosso de cada dia é revelador. Expõe nossa condição moral diante do que falamos. E quase sempre é uma condição de que não se tem muito do que orgulhar.

Há de se gastar energia com questões mais edificantes. Às que transformam ou que realmente agreguem algo de positivo. Se não for isso, todo o resto é conversa fiada e não deve ser considerado.

artigorodrigodias@gamil.com

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