Consumo das famílias está estagnado

Setembro começa com aumento nas contas de luz, água e do botijão de gás

Da Redação

O consumidor anda preocupado e sem saber o que fazer com os sucessivos aumentos registrados nos últimos meses. Se, antes, almoçar fora de casa era o tormento, agora, são as  gôndolas dos supermercados que passaram a ser o terror. Aliado a isso vem, para o início deste mês, a bandeira vermelha na conta de luz e as seguidas elevações nos preços dos combustíveis recentemente. Isso sem falar nos acréscimos nos custos do gás de cozinha, remédios, e dos que estão por vir, como mais uma alta nas contas de energia e água. Assim, os aumentos que vêm se acumulando desde o início do ano estão pesando nos orçamentos domésticos e colocando os consumidores quase que sem reação frente à inflação que deve bater os 7% neste ano.

Básicos

Num país de grandes proporções como o Brasil e que a cada ano bate recordes de safras de grãos, o básico da alimentação do brasileiro, o feijão com arroz do dia a dia, deveria ser mais barato. Mas, contrariando as estatísticas, a alimentação subiu assustadoramente ao longo de 2021. 

Um exemplo é que a  cesta básica voltou a mexer no bolso do divinopolitano. Em julho, segundo levantamento realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico Sociais (Nepes) da Faculdade Una Divinópolis, o custo médio do grupo de alimentos que compõem a cesta básica apresentou um aumento de 3,83% em relação a junho, passando a custar R$ 454,86, ante R$ 438,08 em junho.

Entre os itens que demonstraram maior variação estão o café, que teve aumento de 40,02%; a banana-prata, com 38,62%; a batata-inglesa (25,99%); e o tomate (8,18%). Já o feijão subiu 3,09%, enquanto o açúcar teve alta de 2,20%.  Ainda segundo o mesmo levantamento, a cesta básica teve um aumento de 10,65% entre outubro do ano passado a julho deste ano.

Mediante os fatos, almoçar fora de casa também já não é uma boa opção para muitos e, com o gás de cozinha acumulando alta de 52% no decorrer deste ano, cozinhar em casa também virou uma tarefa difícil.

— Antes, almoçava fora, mas os preços dispararam e optei por fazer o almoço em casa mesmo. Não economizei muito, mas já valeu a pena. Para se ter uma ideia, no início do ano, no local onde eu almoçava, o prato saía a R$ 10, hoje dobrou de preço — disse o advogado Marco Aurélio Dias.

Combustíveis 

Um dos principais vilões de vários aumentos são os combustíveis, pois eles implicam diretamente nos preços dos fretes e, como a maioria dos produtos são transportados via caminhão, as altas vêm em cascata ‒ situação que pode ser comprovada no acumulado do ano, quando a elevação do etanol bateu 31,95%; a gasolina subiu 28% e o diesel 19,80%. A pesquisa foi feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Remédios

O último aumento, anual e autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), foi de  6,79%, 8,44% e 10,08% a depender da classe do remédio.

— Minha despesa mensal com medicamentos gira em torno dos R$ 600, e olha que, em sua maioria, são genéricos. Infelizmente, devido à idade, não devo parar de tomar tão cedo e torço para que não venha mais nenhuma doença. Despesa acrescida de R$ 480, que pago por um plano de saúde — contou a aposentada Rosa Maria Silva. 

Energia

Não bastassem os vários aumentos, nesta terça-feira, 31, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a criação de uma nova bandeira tarifária, denominada de  "Escassez Hídrica", para fazer frente à elevação dos custos decorrente do agravamento da crise causada pela falta de chuva. Com acréscimo de R$ 14,20 a cada 100 kwh, a nova bandeira começou a vigorar ontem, com fim determinado para abril do próximo ano.

Segundo a Aneel, a nova bandeira vai gerar uma alta de 6,78% na conta de luz.  Pelo menos os cidadãos de baixa renda beneficiados pela tarifa social não serão afetados pelas novas regras.

— Com tantos aumentos, daqui a pouco, veremos a falência de muitas empresas e o crescimento do desemprego. Quem não tiver um capital de giro bem formado e um ótimo gerenciamento de seu negócio não vai aguentar pagar tantos aumentos. Isso sem falar na carga tributária — avaliou o empresário do ramo alimentício Rolando Meneses. 

Consumo

Diante deste quadro, o trabalhador tem que fazer milagres para chegar ao fim do mês com algum dinheiro no bolso ‒ situação em que a inadimplência é um perigo constante.

— Com o salário achatado pela inflação, o consumo das famílias fica estagnado. E, nessa hora, o trabalhador tem que escolher o que será prioridade dentro de casa. Assim, cortar o supérfluo seria a primeira medida.  Outra é evitar compras a prazo neste momento incerto da economia. Quanto a deixar acumular contas, é perigoso, pode virar uma bola de neve. O certo é pagar as de prioridade, como energia e água, mesmo que atrasadas, mas dentro do próprio mês — aconselhou o economista Leandro Maia. 

 

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