Consciência de eternidade

Continuando as reflexões sobre a grandiosa obra oriental “Dhammapada” que significa o caminho da lei,  hoje voltarei meus pensamentos sobre o tema da velhice.

“Como pode haver riso, como pode haver prazer quando o mundo inteiro está em chamas? Quando estás em profunda escuridão, não pedes uma lâmpada?”

Ninguém vai ficar sorridente diante de uma dificuldade, o lógico nestes casos é que busquemos alguma ajuda e solução. Não adiantaria também darmos as costas para os problemas, visto que o correto será enfrentá-los. A filosofia à maneira clássica considera que o nosso corpo sofrerá sempre mudanças que lhe trarão desconforto e que a vitória estaria muito mais além disto, habitada numa consciência de eternidade.

“As gloriosas carruagens dos reis se desgastam e o corpo também, tornando-se velho, mas a virtude dos bondosos nunca envelhece, e assim, podem ensinar bondade àqueles que são bons”.        

A natureza da matéria se desgasta com o uso, e seria inteligente aceitar este princípio e buscar harmonia nele. Seria possível viver com intensidade cada ciclo de nossa vida. Seria também possível sermos felizes tendo a idade que tenhamos.  A virtude no homem será sempre o seu grande triunfo e seu grande prêmio da vitória, a felicidade. A virtude é um poder que vem do nosso ser e que nos permite seguir sendo eternamente jovens.

“Se um homem não procura aprender, tornar-se velho tal como um boi! Aumenta de peso, envelhece, porém, não cresce em sabedoria.”

Não somos vegetais, por isso não devemos ficar vegetando e aceitar uma vida meramente voltada para nossa sobrevivência física, caracterizada pelo comer e pelo dormir. Também não somos animais, por isso também, não devemos buscar o prazer a qualquer preço, apresentado sobre a forma de paixão desenfreada e muita vezes somente instintiva que somente será parada pela dor. Somos sim, homens e mulheres em busca das “estrelas”, que aqui simboliza o “céu” divino em nós. O Filósofo grego Aristóteles (384 a.C) ensinava que, de todas as virtudes, deveríamos preferir a sabedoria, por esta ser superior.  E o caminho que nos leva a esta sabedoria é a filosofia.  A filosofia que fundamenta nossas opiniões, e será caracterizada pelo exercício da dialética que tem como objetivo a busca da verdade e da justiça das coisas.

E finalizando diria: “Aqueles que na sua juventude não viveram em harmonia, que não acumularam os verdadeiros tesouros da vida, são, mais tarde, como velhas garças, em pé junto a um lago sem peixes.”

Divinópolis, 10 de Maio de 2018.

Professor e Filósofo à maneira clássica
Elismar José Alves
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