Confusão em coletiva e Pré-Carnaval pautam reunião

Maria Tereza Oliveira

A coletiva de imprensa do prefeito Galileu Machado (MDB) sobre o recurso de R$ 1,5 milhão para a compra de usina de asfalto e o Pré-Carnaval foram lembrados nos discursos da reunião da Câmara de ontem. Os vereadores repercutiram as ocorrências e a maioria não poupou críticas. Sobre a coletiva, um episódio envolvendo Matheus Costa (CDN) e servidores da Prefeitura chamou a atenção. De acordo com o vereador, ele teve sua entrada barrada e seus assessores foram empurrados por servidores do Município. A confusão terminou em solicitação da Polícia Militar (PM).

Impedidos?

Conforme Costa disse durante seu pronunciamento, ele foi com dois assessores até a Prefeitura e aguardou o início da coletiva junto à imprensa.

— O prefeito atrasou mais de uma hora, pois estava em reunião e depois atendeu o vereador Adair Otaviano (MDB) antes da imprensa. Mas isso acontece, às vezes reuniões têm de se delongar. Porém, quando o prefeito ficou sabendo que eu estava esperando para participar da coletiva, ele estrategicamente transferiu a coletiva da sala de imprensa para seu gabinete — afirmou.

De acordo com o relato de Matheus, Galileu teria dito que não iria permitir sua entrada no gabinete, mesmo como ouvinte.

— Prejudicando meu trabalho como fiscal, representante da população. O prefeito Galileu e sua equipe teriam de ter peito para assumir que eles preferem gastar dinheiro que pegam emprestado e pagar juros do que utilizar dinheiro que está empenhado — criticou.

O vereador ainda alegou que o Executivo opta por usar “desculpas esfarrapadas” e não tem coragem de desafiá-lo e debater assuntos com ele.

— Faço um desafio para o prefeito e toda sua equipe: vamos a qualquer lugar que vocês quiserem para debater sobre pavimentação e o que precisamos fazer com relação à infraestrutura de nossa cidade — propôs.

Agressão

Matheus ainda afirmou que seus assessores foram agredidos.

— Lamentavelmente, dois assessores meus foram empurrados. Um deles está aqui [na Câmara] com um arranhão de três dedos no braço por causa de um “chilique” de uma secretária da Prefeitura. Eu queria ver se fosse o contrário. Se eu ou um dos meus assessores tivesse encostado, de alguma maneira, em qualquer funcionário da Prefeitura, o que teriam feito? — questionou.

Caroço no angu

O parlamentar ainda questionou o porquê de ter sido impedido de participar da coletiva.

— Eu não sei o que está se passando neste Executivo. Tem caroço nesse angu, mas eu não consigo provar, por enquanto. No entanto, estamos trabalhando nesta investigação — alertou.

Costa ainda afirmou que o prefeito teria a imprensa controlada.

— “Dom Galileu” tem a imprensa e a base à sua disposição, diminui nosso trabalho. Tentou nos ridicularizar ainda, junto com os órgãos oficiais que eles têm — disse.

Quando disse a última frase, o vereador gesticulou com as mãos, como se insinuasse que os tais órgãos oficiais recebessem dinheiro do Município.

— A população já sabe: muitas coisas obscuras acontecem na Paraná e hoje tive mais uma confirmação dessa situação. Sobre essa atitude com relação aos meus assessores, já consultei o jurídico da Câmara e vamos tomar as medidas cabíveis — prometeu.

Imagens

O Município deu sua versão sobre a polêmica envolvendo Matheus Costa. Disse que o vereador teria desrespeitado uma agenda específica da imprensa ao tentar participar, forçadamente, da coletiva.

— A Prefeitura vem a público reafirmar o mais profundo respeito aos demais poderes, gênesis dos princípios republicanos, ciente de que tal postura é uma via de mão dupla, ou seja, ao devotar tal respeito, exige que o mesmo lhe seja devido.  É assim que se estabelece a interdependência institucional, tendo como norte a legalidade, a ordem pública e o bom senso, parâmetro que deve orientar não só a vida pública, mas nosso dia a dia. Diante disso, acredita na reflexão íntima do parlamentar no sentido de entender os limites de suas ações — salientou.

A Prefeitura ainda divulgou vídeos com o intuito, segundo ela, de seguir os preceitos da transparência e respeito à verdade dos fatos e da fala de Costa sobre a suposta agressão de seus assessores por um servidor municipal.

Pré-Carnaval

O evento do último sábado, 15, na Pitangui também teve repercussão em alguns pronunciamentos. Dentre as críticas negativas, a de Sargento Elton (Patriota) se destacou. O vereador disse que, apesar de reconhecer a importância do lazer, talvez o momento não fosse oportuno.

— É a mesma coisa de comer caviar enquanto sua casa está desabando. Divinópolis literalmente está desabando, infelizmente, em vários setores primordiais de políticas públicas, principalmente na estrutura. Depois de sofrer por meses com crateras causadas pela empresa Copasa [Companhia de Saneamento de Minas Gerais], os moradores da rua Pitangui foram prejudicados ao não poderem sair de suas casas, dentre outros impedimentos — apontou.

O vereador Patriota pensou na possibilidade de algum morador ter alguma emergência, como seria realizado o socorro.

— Sem espaço suficiente para estacionar os inúmeros veículos, alguns colocaram nas garagens, nas praças. Vários destes foram apreendidos. As ocorrências foram várias, com homicídios, lesões corporais gravíssimas, arrastões, indivíduos embriagados ao volante, menores usando bebidas alcoólicas... Para mim é o fim da picada — criticou.

O Sargento comparou a situação com o Império Romano.

— Pão e circo! Tem de se rever o local. Eu trabalhei por anos na área da segurança pública, sei que os finais de festa são assim. Então, tem de ser em um local de controle total — propôs.

Festa de momo enaltecida

Se teve quem criticou, também houve vereador que destacou o lado positivo da festa. O líder do Executivo, Eduardo Print Jr. (SD), parabenizou as equipes das secretarias de Cultura e Desenvolvimento Econômico.

— Parabéns, Divinópolis. Logicamente que não existe evento no mundo em que não se tem atritos. Mas, pelo volume de pessoas que estavam na Pitangui, foi mínimo. A situação do tiroteio é um caso que veio de Oliveira para cá, para ser resolvido aqui. Se fosse só de Divinópolis, aquilo não teria acontecido. As pequenas brigas acontecem em qualquer tipo de evento, até mesmo dentro de nossas casas. As pessoas às vezes bebem e se exaltam, mas a festa foi linda — elogiou.

Print destacou o potencial econômico, gerado por meio dos comerciantes e dos próprios moradores que “transformaram” as garagens em bares.

— Lógico que o investimento público foi mínimo e muito longe do ideal. [...] Às vezes as pessoas fazem as críticas se esquecem de fazer o mais importante: valorizar o trabalho de quem lutou para fazer a festa acontecer. Os blocos começam a ensaiar em março, se manifestar, se unir para viver o momento de menos de 12 horas na alegria. E nós vamos proibir essa grande expressão popular? — questionou.

Verba

Conforme explicaram Print e a Prefeitura, a verba citada por Matheus não foi perdida. No entanto, é preciso que o objeto da emenda seja alterado, pois não é possível comprar o maquinário com verba destinada para usina de asfalto.

Como alternativa, a Prefeitura sugeriu a mudança no recurso liberado pelo senador Carlos Viana (PSD). Para que o valor seja liberado, uma cláusula que proíbe a futura troca já ajustada teria de ser retirada, conforme sugeriu Print. 

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