Confirmações de dengue chegam a 158

 

Maria Tereza Oliveira

Uma das maiores preocupações dos divinopolitanos, em 2019, é a dengue. A cada novo boletim epidemiológico, mais alarmante se torna a situação. Conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), já são 511 notificações, sendo 158 confirmadas. Embora ainda não seja considerada epidemia, o sinal de alerta já está ligado. Em apenas uma semana, são quase 150 notificações a mais.

Em comparação com 2018, quando o total de confirmações foi 77, a evolução é assustadora. Em apenas quatro meses, o número de casos confirmados é mais do que o dobro do ano passado.

Crescente assombrosa

Os números continuam saltando a cada semana e, embora ainda não tenha mortes registradas, a preocupação continua.

Enquanto na semana passada, no dia 27 de março, eram 373 notificações e 138 confirmações, nesta, há mais 133 notificações e 20 confirmações.

Em 20 de março, a Semusa havia registrado 309 notificações, sendo 118 confirmados.

Se forem considerados mais números antigos, no dia 11 de março, eram 209 registros, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

Já se comparados os casos de 2019 com os do ano passado, a situação fica ainda mais dramática. Enquanto ao longo dos 12 meses de 2018 foram confirmados 77 ocorrências da doença, em pouco mais de três meses, este ano já são 511, sendo 158 já confirmadas.

Com os dados atualizados, nota-se um acréscimo de 105,19% entre as confirmações do ano passado e este ano.

Por outro lado, o Município esclarece que, até o momento, 91 casos foram descartados.

Embora o verão já tenha acabado, a preocupação com a dengue ainda continua. Em 2018, por exemplo, foram registrados casos de dengue em todos os meses. Março é tradicionalmente um mês mais chuvoso e, consequentemente, mais propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, porém a previsão do tempo para abril promete muitas chuvas.

Combate

A Prefeitura realiza, desde o início do verão, diversas ações para controlar a situação, como mutirões de limpeza, além do uso de fumacê.

Entretanto, não basta apenas esperar que o Município faça a fiscalização. A população tem papel indispensável no combate aos focos, que estão entre os principais motivos para o alastramento da doença.

Os cuidados e atenção para água parada em recipientes são essenciais para combater o mosquito transmissor, não só da dengue, como também da zika, chikungunya e febre amarela.

Conforme a Prefeitura, as ações no combate ao mosquito Aedes aegypti continuam a ser realizadas.

Os mutirões estão ocorrendo desde o início do verão e, desde o começo do ano, segundo o Executivo, já foram recolhidos 70 mil quilos de possíveis criadouros do mosquito.

No mutirão realizado no dia 2, por exemplo, foram recolhidos aproximadamente 8 mil quilos, entre pneus, garrafas, tambores, latões e demais materiais que são possíveis focos.

O último mutirão foi no último sábado, 6, e passou pelos bairros Planalto, Tietê, Santa Luzia e Duphe Pinto de Aguiar.

Durante todo o mês de abril, os mutirões de limpeza continuam. No dia 13, os bairros beneficiados serão São Roque, Sion e Jardim Betânia; e, em 27 de abril, Santo Antônio dos Campos, Santa Cruz e Primavera.

A Semusa reafirma o compromisso de continuar com as ações de enfrentamento e controle contra o mosquito.

Responsabilidade... Ou falta dela

Mesmo com todas as campanhas de conscientização, muitas pessoas se descuidam, acabam criando ambientes propícios para a proliferação do mosquito e, consequentemente, para o aumento dos casos.

Por este motivo, a Semusa aposta na ajuda da comunidade, não apenas para manter suas residências sem focos, mas também para denunciar situações de água parada para que a equipe realize o trabalho de limpeza e notifique os proprietários.

Para denunciar, basta ligar no disque dengue: (37) 3221-3722, ou pelo aplicativo AppDivinópolis, disponível para Android e iOS.

Punição

Além do risco de ser infectado, a não prevenção pode resultar em punições legais tanto para os moradores, quanto para o próprio Município. Em casos específicos, a Prefeitura também pode ser alvo de processo, quando comprovada a negligência por parte desta.

Se o morador comprovar que fez o pedido na Prefeitura de fiscalização e de providência contra a pessoa que está com lote abandonado ou aquela propriedade que tem proliferação de focos da dengue, e a Administração não tomou providência, ela age de forma negligente e pode ser condenada por indenização por dano moral e material.

Por outro lado, segundo a Prefeitura, a visita de agentes de saúde em lotes vagos acontece somente após o recebimento de denúncia. A fim de combater a negligência de moradores, os profissionais da área também podem realizar a vistoria do imóvel através de uma medida judicial.

Prevenir é o melhor remédio

O contraste entre os números de ocorrências de um ano para o outro aponta para um comportamento: as pessoas teriam relaxado na prevenção.

Apesar de ser um assunto comentado e debatido constantemente, a prevenção muitas vezes é deixada de lado, o que facilita a proliferação do mosquito.

De acordo com o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), 38,6% dos focos foram encontrados em baldes, latas e recipientes de plásticos e pneus.  Pratos e vasos de plantas, pingadeiras, bebedouros de animais e planta aquática respondem por 26,4% do total de focos encontrados. Ralo, caixa de passagem, sanitário em desuso e fonte ornamental totalizaram 19,3%. Já caixa d’água, tanque, poço, tambor e manilha são 14,9%. Outros 0,8% estavam em depósitos naturais, como bromélia.   

A Vigilância em Saúde ressalta que é importante lembrar de ações simples, como tampar caixas d’águas, deixar garrafas com a boca para baixo e, se o terreno for propenso ao acúmulo de água, realizar a limpeza e drenar o líquido.

Outras medidas de prevenção incluem limpar bem piscinas, aquários, calhas e acumuladores de água. Colocar areia em vasos de plantas também ajuda a evitar um foco da dengue.

De acordo com a Prefeitura, os bairros com mais ocorrências são Ermida, Nova Fortaleza I, Rancho Alegre e Manoel Valinhas.

 

Comentários
×