Comunidade faz manutenção de praça inaugurada há dois anos

 

Marília Mesquita

Em 2000, nasceu um bairro: Residencial Walchir Resende Costa. Já a praça, que constava no projeto desde o início, veio, apenas 15 anos depois. A caminhada até a conclusão foi longa, mas hoje é um dia de comemoração para o ex-presidente comunitário, Ronaldo Nunes, 44. O dia 6 de outubro é o marco dos dois anos em que os 650 m² de terra, entulho, mato, animais peçonhentos e roedores virou um local de lazer, qualidade de vida e convivência social para pelo menos 800 moradores. 

— Essa praça é a realização de um sonho. Desde que eu cheguei aqui, há 10 anos, vi que era um local de acúmulo de sujeira. Quando assumi a presidência tinha a projeção de pelo menos limpar o local. Conseguimos muito mais e agora fazemos a manutenção dela — revela Ronaldo.

O espaço virou uma realidade após, pelo menos, quatro anos de diálogo entre a comunidade e a Prefeitura. E agora, com a falta de manutenção da Prefeitura, são os moradores quem prezam pela preservação do lugar.

A praça

Quem vê a grama verde e aparada, a disposição dos bancos e mesas, as árvores podadas e a academia ao ar livre, pouco sabe sobre o amontoado de lixo.

— Em 2012, juntamos parte da comunidade para fazer uma limpeza inicial. Foram retirados quatro carregamentos de lixo do espaço, a partir disso, a postura com o local mudou. Não apareceu mais lixo e virou só um monte de terra —  recorda Ronaldo.

O projeto sinalizou que seriam necessários R$ 80 mil para a construção da estrutura de convivência social. Então depois da limpeza, o próximo passo foi conseguir doações.

— Pode-se dizer que a construção de pelo menos 50% foi realizada pela comunidade. O poste que está dentro da praça foi doado, assim como a parte elétrica da iluminação. Conseguimos areia, cimento, tijolos, brita, os bancos e até a grama. As doações vieram de empresas e da população, tinha gente que não podia ajudar com dinheiro ou com material, mas ajudou com a mão de obra — conta

A assessoria de comunicação da Prefeitura confirmou a informação.

 — A obra foi realizada em parceria, a Prefeitura ficou responsável pela mão de obra da construção da praça e os moradores com os materiais. A academia foi através de uma emenda parlamentar do deputado estadual Fabiano Tolentino (PPS) — disse.

Manutenção 

Não é toda a população que mobiliza, porém há quem mantém a praça bonita. De acordo com Ronaldo, a prefeitura veio só uma vez, no ano passado para fazer a capina e não voltou mais.

Minhas férias foram em julho, juntamos cinco moradores para cuidar da praça. Alugamos uma caçamba - de forma particular - e juntos podamos as árvores, pintamos a calçada e os canteiros, podamos a grama e varremos toda a área — contou.   

Josiane Nunes, 43, moradora e umas das mãos que mantém a praça, completa que com a seca, ela parou de jogar água nas plantas, mas era uma atividade que ela mantinha.

— Tinha gente que olhava meio feio, então parei. Vou deixar que a chuva molhe a terra — falou.

No período de férias o movimento é maior, mas segundo Josiane sempre tem gente no local. Ela garante que apesar de ser uma praça de bairro, ela atende toda a região.

— Teve dia que já vi 70 crianças brincando ali. E não vem gente só do bairro não, são moradores do L.P Pereira, do Jardim Brasília e até do Ipiranga que sobem para cá para aproveitar o ambiente —conta.

 

No bairro a praça chama apenas “praça do Walchir Resende”, politicamente, é Praça João Batista Simão. O nome foi escolhido pelo ex-vereador Nilmar Souza (PP) e publicado em dezembro de 2015. Nenhum dos moradores foi consultado para a escolha do nome e, segundo Ronaldo, o vereador nunca foi ao bairro. 

A área de preservação

Assim como a praça, no Walchir Resende também há uma área de preservação ambiental, na qual poderia ser utilizada para o bem comum. Porém, o espaço que aloja uma das placas do projeto “Verde Centenário” é perigoso e ignorado pelas autoridades responsáveis, segundo moradores.  

— Os moradores que possuem casas vizinhas à “área verde” tiveram que colocar iluminação por segurança. Às vezes até usuários de drogas ficam por ali— revela Josiane.

A capina é rara, de acordo com os moradores quando era permitido a capina química, recurso em que se usa produtos tóxicos que dificultam o crescimento de vegetação indesejada, o local ficava limpo por mais tempo.   

As mesas que estão na praça hoje ficavam na área verde. Porém, o mato e a escuridão fazem com que não seja um espaço usual para a população. Uma das mesas até foi quebrada por vândalos.

Nos 5 mil m², não há nenhum poste de iluminação voltado para ele. Os dois que estão na área frontal e o único que está na área dorsal, estão direcionados para a rua. A copa larga da vegetação também dificulta a passagem de luz.

Projeto Verde Centenário 

Há cinco anos, a área de preservação ambiental foi lembrada pelo Executivo, quando nas festividades do centenário da cidade executou o projeto “Verde Centenário”. Em uma parceria entre a Prefeitura, o Grupo de Educação, Ética e Cidadania (GEEC) e o Rotary Clube, 100 árvores nativas como ipê, quaresmeira e jenipapo foram plantadas por crianças. E ainda, uma placa e lixeiras de reciclagem foram instaladas no local.

Para as melhorias da área verde, a comunidade ainda não se mobilizou.

O bairro já está sem presidente há dois anos, mas tem um morador que possui interesse em assumir a entidade e quer firmar o compromisso de colocar, pelo menos, uma calçada para pedestre.

 

 

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