Complexo de Saúde São João de Deus apoia campanha Dia D da Diálise

Da Redação

Devido à grave crise financeira enfrentada pelas clínicas de diálise que prestam serviço ao SUS, a ABCDT - Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplantes realizará amanhã, 29, o Dia D da Diálise, uma ação que visa a chamar a atenção do público em geral, e em especial das autoridades para a necessidade de manter o nível de qualidade do tratamento renal crônico e o acesso dos pacientes. A campanha ainda pretende mobilizar a imprensa, sociedade e principalmente os governantes, mostrando as dificuldades enfrentadas pelas clínicas para assegurar a qualidade deste tratamento, diante do baixo financiamento destinado ao serviço. 

De acordo com a ABCDT, atualmente, são mais de 120 mil pacientes renais crônicos que fazem diálise em 750 clínicas espalhadas pelo país e que dependem deste tratamento para manter uma vida próxima do normal.

Na região Centro-Oeste de Minas, as cidades de Formiga, Pará de Minas, Itaúna e Bom Despacho possuem centros de hemodiálise com alta taxa de ocupação. Em Divinópolis não é diferente. A Unidade de Nefrologia do Complexo de Saúde São João de Deus – CSJD é a única que realiza hemodiálise na cidade e possui atualmente 100% de taxa de ocupação, contando com 251 pacientes em tratamento, sendo 206 deles (82,08%) pelo Sistema Único de Saúde.

De acordo com o médico Nefrologista do CSJD, Sérgio Wyton, a tendência é que o número de pacientes em hemodiálise cresça ainda mais. Segundo ele, pesquisas revelam que a cada dez anos dobram o número de pacientes que necessitam de diálise ou de transplante.

— Diante dos problemas vividos pelo país, o financiamento dos tratamentos dialíticos não é satisfatório. A exigência do Ministério da Saúde através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária coloca um nível de exigência da qualidade da hemodiálise do país equivalente aos melhores países do mundo. Entretanto, os financiamentos não pagam nem a metade do valor que é pago aos tratamentos nos países mais pobres que o Brasil.

De acordo com informações da Unidade de Nefrologia, o SUS paga atualmente o valor de R$ 179,03, por sessão de hemodiálise/paciente, quando as despesas para o procedimento giram em torno de R$ 238,33. Ao final do mês, enquanto as despesas por pessoa giram em torno de R$ 3.098,29, o financiamento pelo SUS é de apenas R$ 2.327,39, um déficit de R$ 770,90 por mês por paciente.

Os custos operacionais com insumos importados e pessoal especializado estão impedindo as clínicas de investirem em expansão e novas tecnologias.

— O que vemos hoje são alguns centros que atendiam pacientes SUS cancelando e voltando o atendimento somente para convênio, aumentando a quantidade de pacientes em clínicas que atendem ao SUS, deixando-as bem acima da capacidade de atendimento — explica Wyton.

Diante da delicada situação vivida pelos centros de hemodiálise do país, o Complexo de Saúde São João de Deus está apoiando a campanha de valorização que tem como tema: “Vidas importam, a diálise não pode parar”, promovida pela ABCDT.

— Nós estamos apoiando o movimento e internamente junto à gestão do Complexo, buscando soluções para a ampliação do atendimento aos pacientes. Temos muitas melhorias para promover dentro do processo de soerguimento da instituição, mas buscamos recursos ao menos para minimizar a situação. Esperamos também a compreensão das autoridades para otimizar este financiamento. É um alerta para o gravíssimo “problema de saúde” que a Terapia Renal Substitutiva está passando, uma vez que o financiamento que está sendo proposto do SUS não cobrem os custos. Então o resultado é que o paciente pode ficar sem assistência — finaliza o nefrologista.

Recentemente o Complexo de Saúde São João de Deus adquiriu seis novas máquinas de hemodiálise que foram destinadas ao serviço e já estão em funcionamento. Mesmo assim, a instituição vem mantendo altas taxas de ocupação.

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