Como gado

Editorial 

2020 chegou chegando e colocou anos anteriores no chinelo. O ano, por si só, já seria atípico, por ser ano eleitoral e, com isso, os políticos e os politiqueiros de plantão estariam mais “aflorados” do que nos anteriores. Mas o que eles não contavam era com a Covid-19. A doença que desafaria a ciência, medicina, política, sociedade, o ser humano. A doença que levaria todos os seus limites, aos seus extremos e que mostraria o que o ser humano pode ter de melhor e de pior. Divinópolis foi a primeira cidade de Minas Gerais a confirmar um caso do novo coronavírus, e hoje, além de ter mais de mil ocorrências suspeitas e mais de 40 confirmadas, ainda precisa conviver com os políticos que usam a situação para promoção pessoal. Sim! Divinópolis chegou ao fundo do poço de sua história. A  Cidade do Divino arrasta-se na lama moral e foi colocada lá por seus representantes, que conseguem pensar somente em aparecer meio a uma pandemia, a uma situação em que o mundo pede empatia, solidariedade e humanidade. 

Nesta semana, a política local conseguiu atingir o seu patamar de ridículo. O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), anunciou cortes no Legislativo significativos. Até aí, tudo bem. No entanto, a outra decisão estava por vir: a redução no salário dos vereadores. Muitos acharam a atitude de uma nobreza sem fim, mas a realidade por trás da cortina é bem diferente daquilo que o público aplaude e tem como uma nobre atitude. O presidente anunciou que a Mesa Diretora protocolou na tarde de ontem o Projeto de Lei Ordinária CM n° 020/2020 que estabelece um salário mínimo (R$ 1.045)  para os vereadores, não nesta, mas na próxima legislatura (2021-2024), ou seja, os vereadores atuais continuarão com os seus R$ 12.177,65. Nada vai mudar. Nada é tão nobre quanto parece. Os próximos vereadores eleitos é que receberão o salário mínimo vigente do ano. 

Isso nada mais é do que Divinópolis sendo Divinópolis. Isso nada mais é do que a Princesa do Oeste dando exemplo do que não fazer na política. Isso é Divinópolis dando do exemplo de como não ser, principalmente em tempos difíceis, em que o povo clama por representantes. Não há palavras que consigam definir as atitudes de boa parte dos vereadores. Enquanto divinopolitanos lutam pela vida em hospitais e outros perdem noites de sono, temendo pelos seus empregos, ou tiveram seus salários reduzidos pela metade e não sabem como será o amanhã, os vereadores brincam de fazer legislar, usam o assunto como palanque eleitoral. Nem ao menos fingem se importar com o povo que os elegeram. Não se preocupam em fingir que estão trabalhando em prol dele, que estão trabalhando pelo hoje, pelo agora. Não se preocupam em fingir que não estão preocupados tão somente com as eleições. Esfregam na cara do povo sua ganância, seu ego e egoísmo. Mostram para o povo o pior que pode existir em um ser humano. 

É aquilo que muitos sabem, mas não praticam, ou simplesmente ignoram. Enquanto não entenderem que o inimigo não é aquele que passa pelas mesmas dificuldades, aqueles mesmo, que você bate boca por qualquer bobagem, mas, sim, os engravatados que estão no poder, vão continuar vivendo como gados, porém, felizes.

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