Como assim?

“É preciso cortar na carne”. Esta talvez seja a frase mais ouvida nos últimos meses nos governos, nas assembleias, nas prefeituras e nas câmaras municipais. Mas, espere aí, cortar na carne de quem? Dos políticos é que não é. Porque senadores, deputados, servidores da justiça e vereadores recebem em dia e os próprios municípios se esbaldam em cabide em emprego. Esta frase só sobrou para os servidores com salários parcelados e sem o 13º e para quem mais? O povo, sempre ele. Este coitado não vem cortando somente na carne, mas literalmente dilacerado?

 Desigual e covarde

 E exemplos não faltam. É justo uma pessoa, que ganha um salário exorbitante, receber uma fatia gorda incorporada ao salário para pagar aluguel, enquanto um que recebe o mínimo ou menos que isso, mora de favor? Isso quando acontece, porque muitas vezes são obrigados a levar a família para debaixo de lonas em zonas periféricas das cidades. Além da situação de calamidade, exposta à violência.  Bem, justo não é, mas, se tratando de Brasil, onde a desigualdade social reina absoluta, não é de se espantar.

 Perdeu e ganhou

 Os nobres deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) não terão mais agregado aos gordos salários quase R$ 5 mil de auxílio moradia. Para começar, não deveriam ter recebido nunca, pois ganham suficientemente bem para pagar até uma cobertura na capital dos mineiros. Mas, “antes tarde do que nunca”. No mesmo caminho, os juízes de direito que também perderam a mordomia. Perderam? Nada, logo depois deram um jeito de incorporar nos salários um benefício. Este, garantido, não poderá ser retirado. Então, tudo como antes, “no país dos ajeitos”.

 Não é possível!

 É, sim. Em um momento de lamúria financeira, em que servidores municipais ainda não receberam o 13º, e o salário até pouco tempo era pago de forma parcelada, vereadores e servidores da Câmara de Divinópolis terão aumento de salário. A portaria “canetada” pelo presidente da Casa, Rodrigo Kaboja (PSD), foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial dos Municípios Mineiros. O reajuste será de 4,59% sobre os vencimentos e subsídios e passa a valer a partir de 1º de março. Como viram, na política,tudo é possível, sim.

 É lei

 Que revogue, ou pelo menos adie a decisão. Não tem dinheiro e todo mundo está careca de saber. Ah, ia me esquecendo. Para o Legislativo, nunca faltou. “Pimenta só arde nos olhos dos outros”. Na realidade econômica atual, quando falta dinheiro até para pagar salário, será que o prefeito vai aderir? Duvido. Porém, a situação da Prefeitura, com tanto cargo comissionado, não é benta. Assim, certamente, os trabalhadores vão exigir seus direitos e a confusão pode ser generalizada. 

 Alguém terá coragem?

 Atualmente, a remuneração de um vereador divinopolitano é de R$ 11.064,55. O suficiente, pelo menos até a crise financeira amenizar. Corresponde a 11 salários mínimos. E olha que tem gente que trabalha muitos mais e ganha apenas um. Sendo assim, a coluna faz um desafio: qual vereador terá coragem de renunciar ao aumento (se for impedido por lei), pedir a revogação? Se assim o fizer, sem dúvida ganhará muitos pontos junto à população e provará se está para representá-la.

 Parabéns e dobro

 Primeiro para o vereador Zé Luiz da Farmácia (PMN), que abriu mão de todas as comendas que serão entregues pela Câmara, de março a novembro deste ano, em um total de 16. Ele justificou a decisão alegando as dificuldades financeiras do município. Zé Luiz da Farmácia costuma falar pouco, mas é muito sensato. Além disso, é certeiro em suas ponderações. E é ele quem está certo, para falar bobagem, antes ficar calado. Parabéns, vereador, que outros colegas comecem a seguir o seu exemplo. O outro parabéns vai para a colunista social do Agora Zélia Brandão, que será condecorada no próximo mês pelo vereador Delano Santiago (MDB).

 

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