Comissionados ou marajás? De quem é a culpa?

Marajás com salários acima de R$ 36 mil incham a folha de pagamento da Prefeitura. Em março de 2016, sob o governo Vladimir Azevedo (PSDB), o jornal Gazeta do Oeste publicou uma reportagem afirmando que, segundo o prefeito, o que mais pesava no orçamento era a folha de pagamento. Somente para bancar a folha de janeiro, o Executivo consumiu 29,9% de toda a receita do mês. A reportagem explicou que o grande peso na folha de pagamento são os salários de marajás, pagos especialmente a servidores apostilados, provocando enormes discrepâncias salariais. Há apostilamentos com salários que vão de R$ 7 mil até R$ 42 mil, o dobro do que ganhava o prefeito, cujo salário na época de era R$ 20 mil.

 Cargos comissionados

 Sempre que a Prefeitura entra em uma crise, deixando de atender às demandas da população e, consequentemente, os pedidos de obras dos vereadores, as pessoas em cargos comissionados são tidas como as vilãs do caos.

 Mas, não é bem isso

 Se os vereadores que defendem a demissão de servidores comissionados (lembrando que na maioria das vezes são indicados por eles mesmos) consultassem os comerciantes, concluiriam que estes são contra os cortes de empregos, pelo motivo óbvio de que a geração de empregos traz potenciais consumidores. E até mesmo porque, segundo a secretária da Fazenda, Suzana Xavier, dispensar 157 servidores da Prefeitura representaria uma economia anual de R$ 2,5 milhões, “uma gota no oceano”.

 O que quis dizer Suzana

 Com essa frase, Suzana quis dizer que cortes são importantes, mas não a solução para o caos administrativo. Acrescento: além destes cortes de despesas serem insuficientes para resolver a crise, ainda seriam jogados no desemprego 157 pessoas. Não quero dizer com isso que se deva aproveitar o cargo comissionado para acolher indiscriminada e superfluamente os amigos ou familiares. Defendo que é importante para o prefeito que leve à sua administração pessoas em quem confia (como também defendo que sejam essas pessoas selecionadas pelo critério da competência, moralidade e impessoalidade). Mas, antes de tudo, defendo que nesse tema, vereadores mostrem força política e mobilizem os deputados de seus partidos para que eles cobrem do governador Zema a liberação das verbas estaduais, por direito da Prefeitura, que o ex-governador Pimentel ousou prender nos cofres do Estado. É a falta desses mais de R$ 100 milhões retidos pelo Estado que causa a crise, e não a presença de servidores comissionados. Pelo menos, grosso modo e em uma visão racional.

 Prefeitura se sacrifica para garantir “ilha paradisíaca”

 Todo dia 20 de cada mês, faça chuva, sol, frio haja, ou não dinheiro nos cofres da Prefeitura, o prefeito tem que depositar o duodécimo tocante à Câmara Municipal. Ou seja: mesmo que haja uma crise na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, ou que os salários dos servidores estejam atrasados, o Alcaide tem que depositar mais ou menos R$ 1,6 milhões na conta bancária da Câmara, o que perfaz cerca de R$ 19 milhões por ano. Então está também na relação da Prefeitura com a Câmara uma das causas da crise que se abateu sobre a Administração.

 Papel da Câmara na crise

 Para mim, no fim de 2019 a Câmara Municipal, sob o comando do novo presidente Rodrigo Kaboja (PSD), deve devolver no mínimo R$ 1 milhão de reais à Prefeitura para que esta possa investir na saúde pública ou para pagar salários atrasados. O que não pode mais acontecer é esta situação injusta em que o prefeito atrasa salários dos servidores, deixa de investir na saúde pública e na educação, a fim de pagar o duodécimo, que mantém as mordomias dos 17 vereadores.

 Câmaras devolvem dinheiro às prefeituras

 Vejam alguns exemplos de Câmaras Municipais que devolveram dinheiro para suas respectivas prefeituras, referente à economia feita pelo Legislativo sobre o repasse do Município à Casa.

 - A Câmara de General Carneiro entregou à Prefeitura o recurso de R$ 1.205.000,00;

- Câmara de Itabira devolveu R$ 2 milhões à Prefeitura;

- Câmara de Divinópolis devolveu R$ 429 mil à Prefeitura.

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