Comissão de Ética ainda não foi notificada sobre representação contra Eduardo Azevedo

Documento foi protocolado por Lohanna França; vereadores trocam farpas durante reunião

Bruno Bueno

O embate entre os vereadores Eduardo Azevedo (PSC) e Lohanna França (CDN) continua rendendo. Conforme antecipado em primeira mão pelo Agora em edição impressa na semana passada, a parlamentar apresentou, na última segunda, uma representação em desfavor do vereador alegando quebra de decoro parlamentar.

— O vereador Eduardo Azevedo, desde que assumiu seu mandato, tem proferido contra a vereadora Lohanna França discursos que extrapolam a razoabilidade e o exercício do mandato de vereador. O ora representado tem manipulado fatos que envolvem a vereadora, distorcendo a realidade e incitando a propagação de inverdades pela população, dando ensejo a um desgaste da autoestima e autoconfiança da vereadora, com consequente prejuízo à sua saúde psicológica — diz o documento.

A representação foi entregue à Mesa Diretora para encaminhamento à Comissão de Ética da Câmara. No entanto, segundo apurou a reportagem, a Corregedoria responsável ainda não foi notificada.

— O que eu sei até o momento é o que foi noticiado pela imprensa. Acompanhei os debates na Reunião Ordinária da última terça e as colocações pontuais referentes ao tema. Até o dia 1º de setembro, 16h29, ainda não havia sido notificado sobre a representação Ainda não foi para a Comissão. Assim que receber o documento, irei convocar a comissão para analisar os fatos — afirmou Edsom Sousa (CDN), líder do governo e presidente da Comissão de Ética.

Relembre

O conflito entre os vereadores mais votados desta legislatura ocorre desde o começo do mandato. No entanto, o estopim da intriga ocorreu no último dia 12, quando Lohanna se posicionou contra um projeto do vereador Eduardo,  alegando problemas legais e constitucionais.

Após o término da reunião, Eduardo publicou um vídeo nas redes sociais criticando a postura da vereadora. O parlamentar a chamou de “comunista de iPhone” e acusou-a de ser contra todos seus projetos. Dois dias depois, Lohanna se pronunciou alegando que a obsessão do vereador merecia uma sessão de terapia e que a ausência de trabalho falaria por si só.

‘Longe demais’

Enquanto aguarda o encaminhamento de sua representação para a Comissão de Ética, Lohanna França se pronunciou ao Agora, por meio de sua assessoria, sobre a entrega do documento. Ela afirmou que respondia às, segundo ela, mentiras com trabalho, mas que precisou acionar a Corregedoria pois a situação teria ido longe demais.

Ela também pediu apoio dos vereadores na representação contra Eduardo Azevedo.

— Até ontem, respondi às mentiras (inclusive em vídeos covardes) com trabalho. Continuo respondendo com trabalho, mas ontem precisei protocolar uma representação contra o vereador, porque tudo já foi longe demais. Entendo e espero que meus colegas vereadores se posicionem com firmeza, mostrando que perseguir e atacar repetidamente uma mulher é inaceitável (especialmente em posição de representatividade) — explicou.

Ela rebateu as acusações de que seria uma vereadora ligada à ideologia comunista. Lohanna também explicou que todas suas ações estão disponíveis em suas redes sociais.

— Fui chamada de comunista, mas estou filiada no Cidadania, que não é um partido comunista. É, inclusive, o mesmo partido do deputado Cleitinho e do ex-deputado Fabiano Tolentino. Todas as minhas ações estão disponíveis no meu site e nas minhas redes sociais, e eu convido a todos para me acompanharem ‒ até para me fiscalizar de perto!  — disse.

‘Inventando perseguições’

O Agora também ouviu, por meio de sua assessoria, o vereador Eduardo Azevedo (PSC). O 2º parlamentar mais votado desta legislatura disse que considera triste o fato de Lohanna inventar perseguições para recuperar sua imagem. Ele ainda reitera que, na sua opinião, os embates fazem parte da vida pública.

— É triste que uma vereadora, na tentativa de melhorar a sua imagem que foi tão arranhada ao defender o fechamento do comércio, fique o tempo todo inventando perseguições na tentativa de recuperar sua imagem perante a população. A vida pública traz embates e para os bons parlamentares isso faz parte da democracia, mas infelizmente a mesma trata isso como perseguição na tentativa de ganhar a atenção da população — afirmou.

Por fim, Eduardo afirmou que não se intimida com as denúncias e que vai continuar com sua atuação na Câmara.

— Eu seguirei fazendo o meu trabalho lutando a favor do comércio, da família e das crianças. Não serão essas falsas denúncias que irão me fazer desistir — ressaltou.

‘Respondi com trabalho’

A troca de farpas também fez parte da última Reunião Ordinária, ocorrida na terça-feira. Lohanna França foi a primeira a se pronunciar. Ela relembrou algumas acusações que alega ter sofrido do vereador e disse que as respondeu com trabalho.

— Quando eu fui chamada de comunista, respondi com trabalho. A vereadora “comunista” é a que tem a lei municipal de liberdade econômica. É quem organizou workshop com todas entidades empresariais para falar de contratação de empresas júnior e sobre desburocratização para a Prefeitura. A vereadora “contra a família” é quem está fiscalizando todas as escolas para garantir um retorno às aulas seguro. (...) Tem um projeto da carteirinha de autista, que garantiu a prioridade no atendimento para essas pessoas — relembrou.

Lohanna continuou seu pronunciamento afirmando que o vereador a persegue com mentiras, calúnias e insinuações. Ela também criticou as acusações de Eduardo, dizendo que elas representam mentira, hipocrisia e incompetência.

— Além de responder com trabalho, infelizmente também respondi com uma representação encaminhada à Comissão de Ética da Câmara contra o vereador que tem me perseguido com mentiras, calúnias e insinuações. Dizer que eu sou “contra a família” e “comunista”, sendo que eu sou de um partido de centro. (...) É de uma mentira, hipocrisia e incompetência sem tamanho — falou.

‘Consciência tranquila’

Pouco tempo depois, o vereador Eduardo Azevedo também se pronunciou. Ele rebateu as supostas alegações de que ele não estaria trabalhando em prol da cidade. Por fim, ele também enfatizou que está com a consciência tranquila em relação à representação.

— Todas as vezes que falam que não trabalhamos, mostramos os fatos e evidências. (...) Em oito meses de trabalho, nós entregamos oito bens públicos para a cidade, em média um por mês, enquanto tem vereador que entregou apenas um até agora. Estou com a consciência tranquila e inteiramente à disposição do Conselho de Ética da Câmara. Quem se levanta para fazer o bem sempre vai ser perseguido — ressaltou.

Eduardo também enfatizou que, na sua opinião, tem recebido ataques por defender a família e as crianças. Ele também reiterou que a pessoa que não aceita receber críticas não deve ficar fora da vida pública.

— Isso já virou rotina e novela. Todos os dias eu tenho recebido ataques. Todas as vezes nos levantamos para nos defender. Sou atacado por defender a família e as crianças. Foi colocada uma representação contra mim e eu estou tranquilo. Se a pessoa quer vir para a vida pública e não aceita receber críticas, deve ficar em casa — enfatizou. 

Pedidos

A reportagem teve acesso ao documento de representação. Nele, a vereadora Lohanna França solicita cinco pedidos à Mesa Diretora da Câmara. Até o momento, segundo apurou a reportagem, somente a notificação destinada a Eduardo Azevedo foi realizada.

Confira os pedidos:

  • encaminhar a representação para a Comissão de Ética;
  • instaurar processo para apurar a prática de Eduardo Azevedo;
  • notificar o vereador para apresentação de defesa preliminar escrita;
  • acatar a representação, reconhecendo a quebra do decoro parlamentar;
  • aplicar sanções punitivas.

 

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