Comissão de Ética aguarda cópias de discussões na Câmara

Imagens mostram vereadores trocando farpas; disputa por maior poder no PMDB é citada

Gisele Souto

Quem vai à Câmara ou acompanha as reuniões pela TV tem comentado nas ruas ou nas redes sociais sobre o que se tornaram os debates nas últimas três semanas. São trocas de farpas e até ofensas envolvendo especialmente integrantes do PMDB, maior bancada na Casa. A crise interna no partido, uma espécie de “quem tem mais poder”, ultrapassou as barreiras do plenarinho e dos gabinetes.

O maior afetado é o prefeito Galileu (PMDB), que depende da maioria no Legislativo para aprovar projetos de interesse do Executivo. Edson Sousa, líder do governo, pediu conta por causa da crise e até ameaçou deixar a sigla.

Outro vereador, Dr. Delano, principalmente, pelo fato de ele e o presidente Adair Otaviano (PMDB), principal alvo das críticas, estarem se estranhado de forma ferrenha, por impedimento de normas, não saiu. Em um de seus pronunciamentos, Delano chegou a dizer: “Galileu, o senhor criou o monstro. Trate de resolver o problema”. Já Adair afirmou: “Pergunte à pessoa que exerce o maior cargo no município, o prefeito Galileu Machado, quem é Adair Otaviano”.

Informações de corredores da Casa dão conta de que existe uma briga interna por maior poder dentro do PMDB.

Denúncias

Tanto bate-boca, falta de respeito, ofensas e gritos levaram a denúncias na Comissão de Ética da Câmara. Foram protocolados dois ofícios denunciando quebra de decoro parlamentar. Os supostos infratores, que serão investigados, são exatamente o presidente Adair Otaviano e Dr. Delano. Ambos por possíveis abusos decorrentes da reunião ordinária do dia 17 do mesmo passado.  

O presidente da Comissão de Ética é Eduardo Print Júnior (SDD), que recebeu do vice-presidente da Casa, Josafá Anderson (PPS), os documentos na semana passada.

O pedido encaminhado pela vereadora Janete Aparecida (PSD), primeira denúncia registrada na comissão contra um presidente da Casa, é fundamentado no artigo 51 do Regimento Interno, com justificativas de utilização de palavra de baixo calão, desrespeito com os colegas vereadores, opressão contra projeto de possível relevância e uso da palavra de forma desordenada.

Do presidente

Já o segundo documento foi redigido pelo próprio Adair Otaviano, após o vereador Delano Santiago utilizar o direito de pronunciamento na tribuna, no qual Adair nomeia como “prática de ofensa à honra e à dignidade de um membro da Casa”.

Delano anunciou que registraria um ofício, também contra Adair, na sexta-feira. Porém, o documento ainda não tinha sido registrado na Casa até o fim da tarde de ontem. Segundo a assessoria do vereador, ele mantém a decisão de protocolar o documento. Porém, a data ainda não está definida.

Comissão

Eduardo Print Júnior pediu à assessoria da Câmara as cópias de todas as falas e de todas as imagens das situações em que os vereadores envolvidos teriam usado o pronunciamento para ofender um ao outro e acreditava que até ontem à tarde estaria com este material em mãos. Porém, no início da noite, em conversa com o Agora, ele informou que ainda não havia recebido. 

Print Júnior ratificou que precisa das imagens para começar a trabalhar nos casos. Ele acredita que receberá o material amanhã.

Regimento

No Regimento Interno da Câmara o artigo 52 prevê medidas disciplinares aplicáveis a censura verbal ou por escrito, o impedimento temporário para o exercício do mandato sem remuneração e até a perda do mandato.

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