Comércio e confecção empregam 28 mil mulheres em Divinópolis

 

Gisele Souto  

Depois de dois anos travados e de fraco desempenho no mercado de trabalho para mulheres, o cenário para elas voltou a registrar saldo positivo no estado, o que se refletiu em Divinópolis. Os números da cidade polo de confecções em Minas Gerais ficaram estagnados em 2016 e 2017, mas já apresentam sinais de recuperação. A afirmação é do Sindicato das Indústrias e do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd). 

Nos últimos tempos, 2016 foi o pior ano, de acordo com a entidade, o que foi mantido em 2017. Porém, 2018 começou bem e já mostra, nos três primeiros meses do ano, que o setor está com fôlego e recuperando a posição de destaque que sempre ocupou.  

O presidente do sindicato, Marcelo Ribeiro, está otimista e confirma que o primeiro trimestre deste ano está bem acima da produção e vendas em relação o mesmo período do ano passado. Isso significa, segundo ele, mais mulheres no mercado de trabalho. 

 Mais de 10% da população  

Divinópolis tem atualmente 234.937 habitantes, de acordo com os últimos números do IBGE. E deste total, um número impressiona: 28.170 mil são mulheres estão no mercado de trabalho, isso em apenas dois setores, o da confecção e o comércio. Cerca de 20 mil trabalham nas fábricas de roupas e facções espalhadas por vários bairros da cidade, segundo dados do Sinvesd. 

—Em qualquer bairro da do município, tem algo voltado para o segmento. Acredito que tenha até mais, infelizmente não dá para contabilizar exatamente por causa das terceirizadas. Mas é uma situação que não se pode controlar, devido aos impostos exorbitantes cobrados em nosso país. Mas uma coisa eu garanto: é impossível pensar no sucesso deste segmento sem a participação das mulheres — enfatiza o presidente Marcelo Ribeiro. 

O comércio ativo da cidade não fica para trás. Do total de empregados em lojas, supermercados, shoppings e outros, 53% são mulheres. Levantamento do Sindicato dos Comerciários de Divinópolis mostra que 15.417 comerciários atuam neste setor na cidade. Deste total, 8.170 são mulheres e 7.247 são homens, distribuídos em 4.160 empresas. 

— As mulheres são fundamentais para o andamento das empresas. Elas possuem inúmeras qualidades, são atenciosas, cuidadosas e muitas estão na linha de frente de grandes empresas — destaca o vice-presidente do sindicato, Antônio Tavares.  

Para o presidente da Associação Comercial e industrial de Divinópolis (Acid), Léo Gabriel, é notória a importância das mulheres em todos os espaços do mundo do trabalho. Elas, segundo ele, estão cada vez mais se preparando e se capacitando para ocupar altos cargos, com a vantagem de possuir características geralmente associadas a elas, como a cooperação, a comunicação e o compartilhamento, requisitos imprescindíveis para a liderança deste século. 

— Uma questão que tem sido debatida é o fato de as mulheres serem preteridas no mercado de trabalho pelo fato de estarem em idade produtiva. Sabemos que é um raciocínio injusto e sua capacidade em diferentes frentes de trabalho as tornam mais competitiva — afirma.  

Estado 

Em Minas Gerais, no ano passado, foi registrado um saldo positivo (contratações menos desligamentos), com a geração de 176 postos de trabalho. No início da crise econômica brasileira, em 2014, o saldo de empregos para o público feminino chegou a ficar em 18.366, caindo acentuadamente em 2015 (-62.858) e 2016 (-43.699). 

A geração de empregos para o público feminino em 2017 ocorreu nos setores de Serviços (2.517), seguida pela Administração Pública (449) e Extrativa Mineral (66). 

 Avanço  

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pela Assessoria de Gestão do Observatório do Trabalho da Sedese, mostram que a diferença de salário entre homens e mulheres tem sido reduzida no estado. 

Para se ter uma ideia, em 2012 a média salarial dos homens era de R$ 1.008,40, enquanto a do público feminino de R$ 813,76, uma diferença absoluta de R$ 194,64 ou 19,3% (diferença relativa). 

Já em 2017, a média salarial dos homens pulou para R$ 1.477,01 e a das mulheres para R$ 1.233,46. Dessa forma, a diferença absoluta entre o salário de homens e mulheres caiu em Minas para 16,5% (diferença relativa). 

 

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