Com testagem em 91% dos casos, não há indício de subnotificação em Minas Gerais, afirma governo

Estudo revela que SRAG está controlada em MG

Da Agência Minas

O número de casos de SRAG testados não permite vincular eventual subnotificação de covid-19 com elevação acentuada da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais. Essa é a explicação da médica infectologista e coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (Cievs-Minas), Tânia Marcial, ao comentar os dados relacionados à SRAG no estado. 

Desde 29 de dezembro do ano passado até o momento, Minas Gerais realizou testes em 91% de um conjunto de 15.292 casos suspeitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O percentual equivale a 13.877 exames concluídos, dos quais 8.586 por biologia molecular (PCR), que é o teste mais confiável.

O percentual de casos que não teve amostragem processada se refere a situações em que os municípios não conseguiram realizar a coleta de forma adequada ou em tempo hábil.

Relação com covid-19

— O aumento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) tem maior vínculo com o comportamento do profissional de Saúde que, nesse contexto de pandemia, tende a fazer as notificações pois não há como saber, por exemplo, se foi o coronavírus que complicou uma doença de base, uma condição que o paciente já possuía —  analisa Tânia.

Ela ainda explica que a obrigatoriedade de notificação da SRAG para realização de exames influi diretamente no número de registros desses casos. 

— Como para coletar o exame é obrigatório fazer a notificação, as pessoas começaram a fazer muito mais registros do que no ano passado. A justificativa envolve a necessidade de fazer o exame e o fato de estarem mais atentos e sensibilizados diante da pandemia. Em todo caso de SRAG é obrigatório coletar o exame, de tipo PCR. E não há falta de insumos para testagem das Síndromes Respiratórias Agudas Graves em Minas Gerais — pontua.

A médica explica, ainda, a diferença de protocolo para o diagnóstico de SRAG e outras doenças, como pneumonia, insuficiência respiratória e septicemia.

— As três doenças citadas não são agravos que têm notificação compulsória, o que justifica a baixa notificação de casos nos outros anos. Este ano, devido à pandemia da covid-19, todos estão sendo notificados com mais frequência, mesmo não havendo obrigatoriedad — adiciona. 

Notificações

A coordenadora esclarece que o protocolo da Saúde realiza notificações a partir de dois sistemas: o E-SUS-VE, destinado ao registro de casos leves e assintomáticos que tenham feito exame; e o Sisvep-Gripe, que notifica a SRAG. Ambos são analisados para contabilizar o total dos casos confirmados no estado. 

— Quando fazemos a coleta no sistema público de Saúde, há o registro no sistema dos laboratórios, chamado GAL. Posteriormente, a equipe que prepara o Boletim Epidemiológico trabalha sobre os dados lançados, insere o que é informado pelos laboratórios privados e faz o cruzamento com a planilha dos casos notificados de SRAG — disse.

Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) tem feito contato com os gestores municipais para que se promova a atualização do banco de dados a fim de evitar eventuais divergências nos números.

— Em municípios de grande porte, como Belo Horizonte e Contagem, não há problemas nesse fluxo, mas há algumas situações em que temos que sensibilizar o gestor municipal para que haja atualização. Nosso objetivo é que todos os municípios possam lançar, de forma mais atualizada possível, os dados no Sivep-Gripe — afirma Tânia.

Tempo para testagem

Levantamento feito pela SES-MG demonstra o tempo necessário para a liberação dos resultados em sistema, após a chegada das amostras aos laboratórios públicos. Atualmente, 96% das amostras, entre o dia 14 e 17/6, foram processadas e tiveram os resultados liberados no sistema de Gerenciamento de Ambiente Laboratorial (GAL) em até 72 horas. O estudo aponta que, no início da pandemia, apenas 10% dos exames foram concluídos dentro do prazo estabelecido regulamentado.

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