Com J maiúsculo

Fazer jornalismo nos tempos atuais, sem sombra de dúvida, não é fácil. Com a popularização da internet, a população optou pela agilidade, e não pela qualidade. Com este “boom” das redes sociais, o povo se esqueceu daquele velho ditado “o apressado come cru” e passou a exigir rapidez, esquecendo-se também que produzir uma notícia, muitas vezes, é como fazer o doce: tem que ter o “ponto certo”, em outras palavras, tem que ter apuração. Fazer um jornal e dar uma notícia exige olhar apurado e ser justo, para que ninguém saia prejudicado pela “agilidade”. Se fazer jornalismo nos tempos atuais, com o crescente número de ataques à imprensa, é difícil, fazer jornal impresso, então, nem se fala. Condenado à morte nos últimos tempos, alguns jornais impressos ainda resistem bravamente, tirando leite de pedra. Em nome da apuração, da justiça, da qualidade, da ética e da responsabilidade. Isso é jornalismo com J maiúsculo. Isso é resistência.

Resistimos à internet, ao imediatismo, às previsões de morte e a tudo que nos diz para parar. Resistimos, pois temos um compromisso com o jornalismo feito com J maiúsculo, com a nossa cidade, com o nosso povo. Resistimos, pois a sociedade ainda precisa de informações com qualidade, bem apurada, “no ponto certo”. O jornalismo de qualidade e o jornal impresso resistem. Em nome de quê? De quem? Da democracia. Em nome do que dizia Voltaire: “Não concordo com o que dizes, mas defendei até a morte o direito de dizeres”. Os tempos não são os melhores para se defender aquilo que acredita, levantar bandeiras ideológicas, falar o que se pensa e até mesmo para discordar, ou para criticar, investigar, denunciar, defender ou acusar, mas, apesar de tudo, isso é necessário para que nos mantenhamos de pé, pois, mais uma vez, é bom lembrar que “o apressado come cru” e que a sociedade precisa do jornalismo mais do que nunca. Necessita de notícia com qualidade, responsabilidade e compromisso mais do que nunca.

Em uma passagem do livro “O Caçador de Pipas”, o personagem principal diz: “Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs”. O jornalismo com J maiúsculo é basicamente isso. Trabalhamos todos os dias para que a população não coma “maçãs verdes”, apesar de já ter comido algumas, e não terem feito muito bem. Resistimos e insistimos. Insistimos para que a sociedade se informe com qualidade, ou melhor, para que a sociedade exija qualidade. Para que o nosso povo esteja bem informado e saiba cobrar os seus direitos e, claro, exercer os seus deveres.

Apesar das previsões, dos ataques, da exigência do imediatismo, das notícias falsas, das redes sociais e da internet, nós estamos aqui, pois o nosso compromisso é com o jornalismo, com a informação com qualidade e com o futuro de Divinópolis. Resistimos!

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