Com falta de repasses, Samu corre risco de colapso

 

Da Redação

Em meio à complicada situação financeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o programa recebeu um pequeno alívio. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) realizou um depósito no valor de R$ 808.607,42, referente à metade da parcela de agosto. O Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste para Gerenciamento dos Serviços de Urgência e Emergência (Cis-Urg), administradora do Samu, irá destinar o valor para quitar encargos trabalhistas de janeiro e o vale alimentação de fevereiro. Porém, a verba não é suficiente para pagar os fornecedores.

Atrasos

Mesmo com valor depositado ontem, 7, o governo de Minas ainda não realizou os repasses de setembro a janeiro. Ao todo, a dívida chega a R$ 8.080.000,00. O secretário executivo do CIS-URG Oeste, José Márcio Zanardi, agradeceu a ação, mas cobra uma perspectiva para o envio de novos repasses, a fim de evitar o colapso do Samu na região.

— Agradecemos a Secretaria de Estado de Saúde (SES), porém ainda é preocupante a situação! Respiramos, ganhamos um prazo para negociar, mas a preocupação ainda é muito grande e há o risco de colapso no sistema Samu. O que pedimos é que os municípios participantes mantenham o contrato de prestação de serviço, que é o contrato de rateio, em dia com o Cis-Urg e pedimos também ao Estado que nos passe imediatamente um cronograma de pagamento das parcelas, tanto a atual quanto as atrasadas — pontuou Zanardi em nota.

Ainda segundo a fala do secretário, um cronograma é esperado ainda este mês.

— Cremos que isso será feito nos próximos dias e assim vamos poder negociar com nossos fornecedores e manter o serviço de qualidade para a população — afirmou.

Financiamento

O Samu Oeste é financiado em três esferas: municipal, estadual e federal. São 54 municípios do Centro-Oeste mineiro atendidos e, consequentemente, financiando o serviço. Os governos, estadual e federal também contribuem para o funcionamento do Samu, com repasses de verbas mensalmente. Em Divinópolis, o serviço está em funcionamento desde julho de 2017, contando com três ambulâncias.

Ao fim de cada mês, o Cis-Urg Oeste aguarda um repasse no valor de R$ 510 mil, somando-se todos os municípios. Do estado de Minas a verba é calculada em R$ 1.608.000,00; já a União deve enviar o montante de R$660 mil. Juntas, as três instâncias totalizam R$ 2.778.000,00. Porém, essa expectativa não tem se concretizada.

A situação, a cada repasse atrasado, se agrava. Além do pagamento de salários, a verba é utilizada na compra de equipamentos, manutenção dos veículos, materiais hospitalares, vale-alimentação e outros.

No início de fevereiro o Consórcio realizou a quitação integral da folha de pagamento de janeiro, avaliada em R$1.178.000,00. Atualmente, o consórcio conta com um quadro 435 funcionários.

Governo

Em comunicado na última segunda-feira, 4, José Márcio Zanardi, declarou que, caso não seja apresentado um planejamento, a eficiência do Samu Oeste será afetada.

— Esperamos que nos próximos dias a Secretaria de Estado de Saúde possa dar uma posição positiva em relação ao pagamento dos atrasados e inicie o pagamento de 2019, liberando a parcela de janeiro. Acredito no esforço da equipe do governo Zema, contudo, se não houver nenhum um pronunciamento, teremos que adotar medidas que poderão afetar os serviços — explicou.

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