Com crianças de abrigo interditado, Servos da Cruz está superlotado

Ricardo Welbert 

O abrigo Servos da Cruz, no bairro Vivendas da Exposição, está superlotado. De acordo com a vereadora Janete Aparecida (PSD), a situação chegou a esse ponto após a instituição receber 15 crianças que viviam no abrigo Mãe do Perpétuo Socorro, interditado pela Vigilância Sanitária no dia 6 de outubro. 

Um convênio firmado com a Prefeitura garante repasse mensal à entidade, que varia de R$ 55 mil a 59 mil, para o acolhimento a 18 crianças. Mas atualmente são 40. Mesmo com o aumento no total de acolhidos, os repasses não foram reajustados.  

— Dessas 40 crianças, sete são bebês. É muito necessário que elas tenham pessoas suficientes para cuidar delas. Um desses pacientes, de apenas sete anos, está internado em Belo Horizonte e precisando de acompanhante em tempo integral. Ou seja: um dos poucos funcionários que eles têm está o tempo todo na capital com uma criança que não pode estar acompanhada pela mãe ou pelo pai — diz Janete.  

Três crianças estão com catapora e isoladas para não contaminar as outras. Diante de todos esses problemas, a vereadora afirma que a Prefeitura precisa reajustar o repasse.  

— No dia 10 de outubro eu me reuni com o secretário de Desenvolvimento Social, Juliano Prado, para cobrar dele providências em favor do abrigo Servos da Cruz. Semanas já se passaram e tudo ficou só no campo das promessas. Enquanto isso, crianças que foram retiradas de casa e que aguardam decisões de juízes para que suas vidas mudem sofrem. Estamos falando de algo que precisa ter prioridade absoluta — acrescenta. 

Outro lado

Procurada pelo Agora, a Prefeitura informou que na segunda-feira, 30, a equipe da Secretaria de Fazenda se reuniu com representantes do abrigo Servos da Cruz na segunda-feira. Na ocasião, diz o governo, eles foram informados sobre um chamado aberto para atendimento a 20 crianças. Duas a mais que no acordo atual. 

— A ampliação desse atendimento depende de um processo no qual a comunidade Servos da Cruz precisa apresentar um plano de trabalho. Quando fizerem isso, a Prefeitura, dentro das suas possibilidades, irá abraçar a causa — explica.  

Ainda segundo a pasta de Desenvolvimento Social, quando houve a necessidade de encaminhar as crianças que viviam no abrigo interditado, a proposta era de que elas fossem dividas por faixa etária com outros abrigos.  

— Um abrigo credenciado receberia as crianças com idades de 0 a 8 anos, outro receberia as de 8 a 12 anos e um terceiro receberia as que têm de 12 a 18 anos. Isso aconteceria justamente para não sobrecarregar e não misturar as crianças. Mas, a decisão de aceitar todas foi do próprio abrigo Servos da Cruz — acrescenta.  

A Prefeitura ressalta que está disposta a melhorar o acordo feito com o abrigo, mas precisa cumprir trâmites legais.  

— Por orientação da Fazenda, a Secretaria de Desenvolvimento Social não pode pegar dinheiro de outro estabelecimento e repassar ao Servos da Cruz. É preciso haver um plano de trabalho adequado. Esse assunto é considerado como prioridade — finaliza.  

Agora tentou contato com a direção do abrigo Servos da Cruz, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem, às 18h.  

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