Coluna Marcos Fábio - Brasil: Um desinvestimento necessário

Estive ontem na palestra de Salim Mattar, fundador da Localiza e que hoje ocupa a Secretaria Especial de Desinvestimento e Desestatização do governo federal. A palestra aconteceu na abertura da Minascon 2019.

          Com o foco em “O Brasil que recebemos e o que já estamos fazendo”, Salim Mattar mostrou, como um bom mineiro, de forma silenciosa, os resultados que já produziu. Foi uma palestra interessante e assustadora. Esqueça tudo que você pensava que os governos sociais-democratas fizeram nos últimos 39 anos de governo... O que Mattar encontrou foi bem pior! É, meus amigos, os governos sociais-democratas, com a filosofia de que o Estado tem que dar tudo, nos gerou uma Constituição com 90 direitos e somente 7 deveres, enfatizou Salim!

          Em uma plateia seleta, repleta de empreendedores que fazem o Brasil acontecer, assistimos aos relatos de tanta besteira, incompetência e ingerência feita por esses governos que não consigo sequer comparar ao que já vi na minha vida empresarial nesses 20 anos.

          Em uma fala lógica, coerente e repleta de dados disponíveis e abertos para todos os cidadãos, Salim levou a plateia a raciocinar sobre coisas que fazem parte do nosso dia a dia, mas que não paramos para prestar atenção. Dentre elas a de que os 12 milhões de desempregados nesse país estão na iniciativa privada e nenhum é do serviço público. É, meus amigos, uma incoerência total, afinal de contas, a iniciativa privada precisa ser mais eficiente para reduzir seus custos frente ao ambiente de concorrência hostil, e no caso de uma crise como essa que atravessamos, as empresas têm que se virar para pagar as suas contas, seus funcionários, aluguéis e tudo mais, inclusive tendo que demitir e abrir mão de sua mão de obra, que foi cara para qualificar. Enquanto isso, no governo, o número de desempregados é zero, ou melhor, em ascensão, afinal, foram vários e vários concursos pelo país. Outro exemplo simples apontado por Salim foi o de que São Paulo, o motor do país, que produz e gera desenvolvimento, tem uma renda per capita menor que Brasília.

          Em sua secretaria, que recebeu a missão de deixar o Estado mais leve e menos inchado, Salim mostra que as vendas das empresas podem gerar R$ 1 trilhão para os cofres públicos, isso se o congresso permitir. Mas o curioso é que, quando Salim pensava que já eram muitas estatais, ao revirar alguns arquivos e documentos, descobre mais 75 estatais para o bolo.

          Apesar de termos ficado estarrecidos com tanta coisa, Mattar nos deu uma mensagem de esperança e otimismo já com os resultados que vem colhendo, trabalhando em silêncio como bom mineiro, entretanto, afirma que não serão quatro anos que irão consertar 39 de besteiras. Segundo os estudos, se fizermos o dever de casa direito e mantivermos os princípios e valores colocados por este governo, talvez em 25 anos daremos conta de resolver.

          Em outro ponto interessante de sua palestra, Salim comparou o atual governo neoliberal com os governos sociais-democratas de esquerda e centro-esquerda. O que fica claro é que os governos liberais são como aqueles gestores conscientes, impopulares, mas que fazem análises dos números, cortam gastos e fazem tudo que precisa ser feito para gerar um excelente caixa para investimentos. Daí, esse gestor, impopular para a maioria, mas desejado por aqueles que entendem de administração, é retirado pela grande massa que acha que o Estado tem que dar tudo, e colocam no poder alguém que pensa que a riqueza gerada pode ser usada ao seu bel-prazer, distribuindo benefícios e aumentando a sua popularidade, para assim garantir novas eleições.

          Essa estratégia funciona por um tempo, afinal, existe dinheiro no caixa para queimar, e o povo, que ama receber as benécias, segue pensando que tudo está bem, até que, um dia, descobre que o país está mais quebrado do que tudo. Daí esse gestor incompetente é demitido e precisamos novamente de um gestor responsável para fazer arrochos, tomar medidas impopulares e fazer o que for preciso para colocar o país novamente nos trilhos. O problema é que a população pensa que aquele governo que dava tudo é que era o bom.

          Certamente, você, que está lendo esse texto, deve conhecer alguém próximo ou ter alguém na família com esse comportamento. Enquanto o irmão responsável pensa no futuro, planeja e coloca tudo em planos escritos para não fazer besteira, o outro, quando tem a chance, rapidamente consome tudo de bom que foi gerado.

          Foi uma noite de aprendizados e completamente distante de discursos de ódio contra este ou aquele pensamento partidário, mas, sim, uma aula de administração, com um estudo de caso mostrando como não se deve administrar um país e o que precisa ser feito para colocarmos o Brasil nos trilhos.

          Sob aplausos da plateia de pé, Salim encerrou dizendo ser uma pena a mídia estar dando mais atenção ao que o presidente está falando do que aos valores e às atitudes do seu governo. Discursos lindos para os ouvidos, mas com atitudes corruptas e desalinhadas, graças a Deus, tem levado muita gente parar atrás das grades.

          É hora de prestar mais atenção nas atitudes que nas palavras, afinal, já dizia o ditado: “uma atitude vale mais que 1000 palavras”.

          Bom fim de semana a todos!

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