Coluna Batendo Bola (15/11/2019)

O futebol brasileiro e o Flamengo

 

 

Não há como negar que o Flamengo do técnico português Jorge Jesus está fazendo um bem enorme ao futebol brasileiro. Até mesmo os torcedores que não gostam do rubro-negro se sentem recompensados em assistir o que esse time carioca faz em campo. Vence seus jogos sem fazer grande esforço, e jogando bonito, fazendo a alegria de todos que gostam de ver um bom futebol, seja no “Maraca” ou pela telinha da tevê.

Volta ao passado

Guardadas as devidas proporções, o Flamengo de 2019 nos traz à lembrança outros grandes times formados no Brasil, que jogavam bonito e davam show aonde quer atuassem. Jogar em casa ou no campo do adversário não importava para eles. E olha que o Brasil teve grandes times ao longo dos tempos: Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia; Botafogo de Garrincha e Didi; Santos de Pelé e Coutinho; Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes; Cruzeiro do técnico Marcelo Oliveira; Atlético de Reinaldo e Cerezo; Internacional de Batista e Falcão; isto sem falar no próprio Flamengo, de Zico, Junior e Cia, e na seleção brasileira de 1982, comandada pelo mestre Telê Santana.

Alegria de volta

O mais importante de tudo o que está acontecendo agora no Brasileirão é justamente isto, e o fato a ser enaltecido é o futebol que vem mostrando o Flamengo de Jorge Jesus. Ele trouxe de volta a alegria aos estádios e nos faz acreditar que o Brasil ainda tem jeito, que por aqui ainda se joga um bom futebol. Basta que os técnicos não inventem esquemas “retranqueiros” e passem a valorizar apenas a técnica de cada um de seus jogadores.

Se todos aproveitarem as lições passadas pelo português, há, sim, futuro para o futebol brasileiro.

O outro lado da moeda

Mas o Flamengo de 2019 traz lições que não farão bem algum ao futebol brasileiro fora das quatro linhas, mas isto já não é por culpa do português, e sim de sua diretoria. O Flamengo deixou de lado os atletas formados na base (que passaram a ser olhados apenas como fonte de receita, passivo para venda) para apostar suas fichas em jogadores já formados, e o pior de tudo, pagando altos salários a todos eles, com folha mensal em nível de clubes europeus.

Perigo

É justamente aí que mora o grande perigo. E se os outros dirigentes caírem na armadilha e tentarem copiar os cariocas será um deus nos acuda. Um desastre anunciado, com a falência total dos já combalidos clubes do país. Não dá para inflacionar ainda mais as folhas salariais. Isto será o caos total.

Empate com sabor amargo

O Cruzeiro de Abel Braga chegou, no domingo, ao seu oitavo jogo sem perder, mas ainda correndo riscos de cair para a Série B, apesar de ter diminuído as chances de rebaixamento, mesmo conseguindo apenas um empate.

É pouco

Mas mesmo que o time venha se recuperando na tabela, o Cruzeiro de Abel Braga ainda não caiu nas graças da China Azul, com o futebol apresentado por alguns de seus principais jogadores ficando aquém do que podem render ou fazer. E é isto que vem pegando, é onde mora o perigo.

É certo que o time mostra vontade e garra, mas jogadores como Fred e Thiago Neves (grandes estrelas da Cia) podem e devem render bem mais do que estão mostrando.

Cadê o VAR?

O Cruzeiro tem todo o direito de reclamar da arbitragem de domingo, no jogo contra o Bahia. O árbitro paraibano Wagner Reway meteu foi a mão grande no time celeste, e errou em lances capitais. Na jogada do pênalti, não tinha que expulsar o Orejuela. Mas a pior mancada foi dar impedimento antes do pênalti em David, a um minuto do segundo tempo, quando a partida ainda estava empatada em 0 a 0. O atacante da Raposa estava em posição legal e o VAR se fez de cego.

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