Colhe o que planta

Todo representante é reflexo do seu povo? Sim, basta olhar a população e a política brasileira para constatar que os nossos políticos são o nosso reflexo. A situação de Divinópolis não é diferente. Toda esta bagunça é apenas a consequência de um povo que não sabe o que quer, o que reivindica, e que não sabe qual caminho tomar. Durante muitos e muitos anos, não se discutiu política, religião e futebol, sob o simples pretexto que “política, religião e futebol não se discute”. E assim foi, e assim ficou. Porém, veio a globalização e com ela uma enxurrada de informações, tudo isso somado ao fenômeno das redes socais. O resultado? Uma catástrofe, pois hoje todo mundo é cheio de informação – muitas até duvidosas (fake news) – e, na mesma medida, todos são cheios de opiniões, e querem libertar aquilo que esteve preso durante muitos e muitos anos sob o pretexto de que “política, religião e futebol não se discutem”.

Hoje, colhemos os frutos das sementes que plantamos. Durante muito tempo estivemos inertes à política e usávamos muito aquele jargão “ah, político pra mim é tudo igual”, e daí veio a bagunça. Podemos usar Divinópolis como exemplo. Durante anos, o povo elegeu os mesmos políticos. Quem nunca ouviu pelo menos uma vez na vida “em quem você vai votar? Ah, vota nesse meu amigo aqui, ele é muito gente boa”. O único requisito que o candidato tinha que ter era “ser gente boa”. E o cara gente boa arrastava inúmeros votos e muitas vezes era eleito, quiçá, reeleito. Na maioria das vezes, o “cara gente boa” não tem sequer preparo para representar o povo e exercer a função de legislador, e até mesmo de prefeito. E foi assim, durante anos e anos, que políticos foram eleitos. O critério era: ser gente boa.

Aprendemos a eleger assim e também a gostar apenas daqueles políticos que falavam o que nós queríamos ouvir e que faziam inúmeras promessas. Entender como funciona o poder público, as atribuições de cada órgão, os planos de governo, ou sequer acompanhar as reuniões da Câmara nunca foi o interesse do povo. Bastam palavras fáceis para se conquistar o eleitor. O reflexo de décadas de negligência está aí, inúmeros pedidos de impeachment, que seja em cargos nos Poderes Legislativo ou Executivo, que seja em partidos, o desentendimento entre os dois poderes e até o terceiro, o Judiciário, embate entre Supremo e Congresso, com demandas que só atrapalham o desenvolvimento do país, dos estados, dos municípios.  Desta forma, nada anda, enquanto não houver harmonia, não só entre os poderes, mas também entres os eleitores.

Precisamos discutir, nos abrir ao diálogo, ao entendimento. É necessário traçar um plano, escolher um caminho, para que possamos dar os primeiros passos rumo ao desenvolvimento. Mas isso está ligado diretamente às nossas escolhas, aos representantes que escolhemos, afinal, “o cara” precisa ser mais do que gente boa para representar um povo. Precisamos melhorar o nosso reflexo.

 

 

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