COI define em quatro semanas sobre adiamento dos jogos

José Carlos de Oliveira

Depois que atletas e comitês olímpicos   entre eles o do Brasil – de todo o mundo criticaram a manutenção dos Jogos Olímpicos de Tóquio para a data anteriormente marcada, os dirigentes já trabalham com a possibilidade do adiamento das olimpíadas. 

Após admitir no meio da tarde de domingo, 22, a possibilidade de adiar as disputas – marcadas para o período de 24 de julho a 9 de agosto deste ano – o Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) definiu que iniciará uma discussão com o comitê organizador dos jogos, autoridades japonesas, detentores de transmissão dos jogos, federações e patrocinadores e em quatro semanas, no máximo, anunciará a decisão final. Para os dirigentes, no entanto, a possibilidade de cancelar os jogos é nula, mas o adiamento é, sim, quase certo.

Pela previsão das autoridades, as disputas podem ser realizadas normalmente até dezembro deste ano ou mesmo serem transferidas para o ano que vem, entre julho e agosto. A evolução da pandemia do Covid-19 é que determinará as próximas decisões do comitê, definindo a realização ou não dos jogos olímpicos ainda neste ano.

Preparação dos atletas

O que vai determinar a decisão final daqui algumas semanas será mesmo a posição dos atletas ao redor do mundo. Com a pandemia, todos estão parados. A maioria dos esportes ainda tem a disputa por vagas nos jogos de Tóquio, mas as competições ao redor do mundo estão todas suspensas no momento e nem mesmo para treinos os atletas encontram espaços.

Maldição dos 40

Na iminência de ver os jogos de Tóquio cancelados, o vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, comentou que os Jogos Olímpicos convivem a cada 40 anos com uma maldição.

― É um problema que acontece a cada 40 anos. É a maldição das Olimpíadas, isso é um fato ― disse Aso ao jornal The Guardian, da Inglaterra.

Durante a entrevista, ele relembrou alguns casos para comprovar sua teoria. Em 1940, a capital japonesa receberia os jogos pela primeira vez em sua história. No entanto, o mundo vivia em tensão com a proximidade do início da segunda guerra mundial. Dois anos antes, a política expansionista do Japão fez com que os organizadores mudassem a sede para Helsinque, na Finlândia. Porém, os jogos não aconteceram, pois o conflito teve seu início em 1939.

Quarenta anos depois, foi a vez de a União Soviética receber os Jogos Olímpicos. Contudo, o mundo vivia em um momento de Guerra Fria, e 66 nações – entre elas Estados Unidos e Japão – boicotaram o país e não enviaram suas delegações a Moscou. Este ato aconteceu como forma de represália à invasão soviética no Afeganistão.

Agora, 40 anos depois, é a pandemia do Covid-19 em todo o mundo que volta a ameaçar a realização dos Jogos Olímpicos.

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