Coerção social

Editorial - Coerção social 

O mundo, o Brasil, Divinópolis, sem sombra de dúvidas, atravessam um dos momentos mais sombrios de sua história – só não perde para a ditadura militar, claro. Parte da população e de seus “representantes” perderam totalmente a noção e o respeito pelo próximo. Aquele velho ditado “o meu direito termina onde o do outro começa” não existe mais. Um sai “atropelando” o outro sem nem pensar nas consequências. O senso de coletividade está morto e enterrado. Ataques pessoais, abuso de poder e ameaças tornaram-se rotina no país da impunidade e do desrespeito. Assumir as responsabilidades dos próprios atos não existe mais. O lema agora é “jogar a bola para o outro”. Os discursos “fulano quer me derrubar”, “fulano quer isso” são a moda da vez. Pedido de desculpas e “realmente eu extrapolei”, ou “vou rever a minha postura” fazem parte da história, assim como os dinossauros.

Políticos atacando a imprensa, se atacando e atacando que tem pensamento diferente do seu também é rotina por aqui. A democracia luta para sobreviver. O que se vê por aí é uma coerção social intensa, ininterrupta. Talvez você não conheça esse termo, mas convive com ele a todo tempo, da hora que acorda até a hora de dormir.  A coerção social é caracterizada pela pressão e/ou repressão que a sociedade exerce sobre o indivíduo. Ela pode ser exercida por um grupo grande ou pequeno de indivíduos, manifestando-se de forma física ou psicológica. A pressão que sofremos para usarmos roupas ao sair de casa é um exemplo desse conceito. A pressão que sofremos quando discordamos de algum pensamento, de alguma ideologia, de algum comportamento também são exemplos da coerção social, que é rotina em nossas vidas e nós sequer percebemos. 

Mas é irreal dizer que vivemos isso apenas de uns tempos para cá. A verdade é que convivemos com esta coerção social desde que o mundo é mundo. Porém, é fato que isso tem se tornado insuportável e beira o insustentável de alguns anos para cá. Talvez o boom das redes sociais, que “deu voz aos imbecis” – já dizia Umberto Eco – tenha intensificado isso. E, além de voz, talvez tenha causado um estrago na sociedade que demore anos, décadas, e séculos para ser reparado. Se tudo isso beira o abominável, o contestável, o mais triste, o mais desolador talvez seja o fato de que simplesmente nos adaptamos a este cenário. Convivemos com isso e não há sequer alguma expectativa de que este “delírio coletivo” tenha fim. Não há sequer alguma expectativa que o respeito ao próximo e o senso de coletividade tenha vez nesta sociedade do espetáculo.

Seguimos sem grandes sinais de mudança. Apenas vivendo um dia de cada vez e lutando contra os maus, que insistem em desrespeitar, em coagir, em ganhar tudo no grito, em ameaçar. Seguimos sonhando com o dia em que a sociedade vai voltar a praticar tudo aquilo que a palavra respeito define em seu significado, que nada  mais é do que o sentimento que impede uma pessoa de tratar alguém mal, de ser malcriada ou de agir com falta de consideração na maneira como se comporta com os outros; estima, afeição, consideração, reverência...

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