Cinema natalino

Maria Tereza de Oliveira

Esse talvez seja o Natal mais atípico que o mundo vê em décadas. A pandemia interrompeu inúmeras reuniões tradicionais de famílias para comemorar a data. Mas se tem uma coisa que se mantém parecida é a lista de filmes que tem como temática o Natal. Desde as inúmeras produções que usam a história dos fantasmas do Natal passado, Natal presente e Natal futuro que quase sempre têm a mesma lição de moral, até aqueles filmes que nem são propriamente da data, mas se encaixam perfeitamente. Na coluna de hoje o tema não poderia ser outro senão o cinema natalino.

Aviso: essa coluna pode trazer gatilhos ao ativar uma forte nostalgia por clássicos da Sessão da Tarde.

Clássicos

Não poderia começar com um filme que não fosse "Esqueceram de mim" (1990). Considerado por muitos a obra definitiva do Natal, conta a história do pequeno Kevin (Macaulay Culkin) esquecido em casa pelos pais que foram para Paris. A criança, então, para defender sua casa de invasores, prepara diversas armadilhas. Apesar de live action, o filme conta com uma atmosfera que lembra animações como "Tom & Jerry" e "Pica-Pau". Inclusive, ao rever a obra, até surge a dúvida em certos momentos se o Kevin também não seria um "vilão". A direção é de Chris Columbus que soube achar o tom certo aventuresco que a película pedia. A versão brasileira do filme certamente seria com Adriana Bombom esquecendo as filhas no churrasco.

Outro clássico natalino que não poderia ficar de fora é "Gremlins" (1984). Produzido por Steven Spielberg, o filme é o perfeito equilíbrio entre fofura, comédia e terror. A história apresenta os simpáticos Mogwais. Eles são bichinhos fofinhos, adoráveis e peludos. Porém, apesar de amigáveis, existem três regras envolvendo as criaturas que jamais devem ser quebradas. 1) eles não podem ser molhados, pois se multiplicam; 2) não os alimente após a meia-noite, ou eles se transformam em gremlins, sua versão endiabrada capaz de destruir cidades; 3) não os expor a luz forte, senão eles morrem. É óbvio que todas as regras são quebradas e as consequências são desastrosas.

"O Grinch" (2000) é outra obra que não pode faltar em nenhuma lista natalina. O filme conta a história do mal-humorado mais amado da cultura pop que decide acabar com o Natal. Para tal, a criatura invade as casas de todos os habitantes da cidade de Quemlândia na véspera da data e rouba tudo relacionado à ocasião. No entanto, no processo, Grinch aprende uma valiosa lição. Apesar de contar com um elenco de peso, a começar por Jim Carrey no papel principal, a versão dublada tem um charme a mais.

Não estadunidenses

Saindo um pouco da Sessão da Tarde e expandindo a lista para filmes não estadunidenses que abordam a data, temos a animação espanhola indicada ao Oscar, "Klaus" (2019). O filme adapta a lenda de Papai Noel a um universo realista. A história apresenta um jovem apático chamado Jesper que tem a rotina transformada quando é enviado para trabalhar no serviço de correios em uma ilha polar. Lá ele conhece o lenhador Klaus e, juntos, eles começam a distribuir presentes e gentileza para o povo daquela localidade, no entanto, nem todos concordam com a iniciativa.

Ainda falando de filmes que mostram um Natal em localidades fora dos Estados Unidos, o cenário nacional sempre careceu de uma obra que o representasse. Afinal, nós importamos a imagem de Natal estadunidense com neve etc., mesmo que este não tenha nada a ver com nosso jeito de comemorar a data. Por isso, foi uma grata surpresa o filme "Tudo bem no Natal que vem" (2020) da Netflix. O filme, estrelado por Leandro Hassum, representa com maestria a forma como o brasileiro comemora o Natal. Vai desde o especial Roberto Carlos, passando pelo tio do "pavê ou pacumê", o parente que pede dinheiro emprestado e as brigas em família. A estrutura do filme, apesar de pioneira em acertar em representar a data sem cair na fórmula estadunidense, lembra bastante, em alguns momentos, "Click" (2006). No entanto, isso não tira o mérito da produção, que virou queridinha do público nacional e estrangeiro. A comédia é divertida, mas também conta com momentos dramáticos capazes de arrancar lágrimas do público.

Menções honrosas

Eu poderia citar dezenas de outros filmes ‒ até porque sou apaixonada por obras temáticas ‒, porém, a coluna precisa ter um fim. Mas seria um crime não citar mais algumas películas.

A começar por "Duro de Matar" (1988) ‒ o melhor filme natalino de acordo com o Instituto de Pesquisa Maria Tereza. Provando que o coitado do Bruce Willis não tem um segundo de paz, nem mesmo no Natal, o filme conta a história do policial John McClane que só queria ir à festa da firma da esposa, mas acaba tendo de enfrentar um grupo de terroristas.

"Shazam!" (2019) ‒ melhor filme não propositalmente natalino. O longa da DC teve seu lançamento prejudicado, principalmente por ter sido entre as estreias de duas grandes produções da concorrente Marvel ‒ "Capitã Marvel" e "Vingadores Ultimato". No entanto, ele é um dos melhores filmes do universo estendido da DC e, se fosse lançado próximo ao Natal, talvez tivesse se saído melhor em bilheteria.

"O Estranho Mundo de Jack" (1993) é uma das animações pioneiras no estilo stop motion. Escrito por Tim Burton, o filme conta a história de Jack, um morador da vila Halloween que acidentalmente vai parar na vila natalina. O resultado? Uma animação com a estética característica das produções de Buton, cheia de músicas divertidas e a criação do conceito Natal Gótico.

"O Expresso Polar (2004)" parece uma propaganda da Coca-Cola estendida, mas a obra é muito querida pelo público, então acho válido citar.

Bom, agora que você já tem uma lista, pode aproveitar para ver e rever as obras. Boas festas!

Maria Tereza Oliveira é jornalista e apaixonada por cinema

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