Cinema Falado destaca filme de Woody Allen

1 - Lançamentos da Semana

*RODA GIGANTE (WONDER WHEEL). EUA. 2017. DIR.: WOODY ALLEN. ELENCO: JUSTIN TIMBERLAKE, JUNO TEMPLE, JIM BELUSHI. DRAMA. 101 MIN.

O diretor Woody Allen vive seu inferno astral com acusações de pedofilia e até as pessoas que com ele trabalharam andam renegando-o, mas sem querer entrar nessa discussão, o que fica patente nesse seu último filme é o que o talento que lhe foi dado não se perdeu até hoje. Dois fatores que engrandecem esse filme ficam para a incrível atriz Kate Winslet, que foi a heroína de “Titanic”, e a fotografia majestosa do italiano Vittorio Storaro, que já venceu o Oscar por “Apocalipse Now” e “Último Tango em Paris”, e aqui usa as cores como estivesse filmando em uma imensa roda gigante. Kate faz o papel de Ginny, uma ex-atriz que está se virando como garçonete no Brooklyn, mais precisamente na praia de Coney Island, e vivendo com seu segundo marido Humpty (Belushi), que opera um carrossel em um parque de diversões, e um filho do primeiro casamento. Segue a rotina até aparecer em casa a primeira filha de Humpty, Carolina (Temple), fugindo do marido gangster que quer matá-la por ela ter aberto o bico para a polícia, e o caos se instaura na casa da família, já que Ginny está tendo um caso com o salva-vidas Mickey (Timberlake), que começa a arrastar asa para Carolina também. Mickey vai ser o narrador desse filme e é através dele que vamos nos enredando nessa tragédia grega cheia de traições, frustrações, cuja realidade vai desconstruindo os sonhos dos personagens.

*BYE BYE ALEMANHA (ES WAR EINMAL IN DEUTSCHLAND). ALEMANHA. 2017. DIR: SAM GARBARSKI. ELENCO: MORITZ BLEIBTREU, ANTJE TRAUE. COMÉDIA. 102 MIN.

O passado atroz da Alemanha está sempre rondando suas portas e não importa o país surgir hoje como o campeão da Ecologia e ter uma sociedade desenvolvida, que os fantasmas sempre estarão de volta, como nesse filme que volta no tempo e pára no ano de 1946. Acompanhamos a tentativa de David (Bleibtreu) de conseguir um visto para ir para a América, mas como seus compatriotas, sempre era negado, pois ele precisa explicar alguns fatos de seu passado ainda obscuros. Enquanto isso ele se une a um grupo e começa a vender produtos de cama e mesa para famílias que perderam seus entes queridos, fazendo um bom pé de meia para conseguir seu intento de sair da Alemanha. E assim vamos seguindo essa produção que alterna momentos dramáticos, como as atrocidades da guerra, com a comédia, para agradar um pouco a platéia, e ao final ficamos meio perdidos sem saber o que realmente os judeus queriam mesmo, se sair do país e vir para o outro continente, ou se continuar no lucrativo comércio da mentira que inventavam para vender suas mercadorias.

2 - Cinema Nacional

*ANCHIETA JOSÉ DO BRASIL. BRASIL. 1978. DIR: PAULO CÉSAR SARRACENI. ELENCO: NEY LATORRACA, PAULO CESAR PEREIO, ANA MARIA MIRANDA. DRAMA. 140 MIN.

Ótima biografia do Padre José de Anchieta, nascido na ilha das Canárias, no Tenerife, e que cedo veio convocado para viver no Brasil, em 1553  logo aprendendo a língua dos índios Tupi, fazendo um contato que transformaria nosso país. Anchieta conseguiu elaborar uma gramática da língua dos índios e assim conseguiu catalogar os costumes deles, além da flora e da fauna brasileira e negociou a paz durante a ocupação francesa do Rio de Janeiro. Um filme interessante para se ver nas escolas e discutir os primeiros rumos tomados em nossa pátria, principalmente com a chegada dos escravos, que desgostou em muito o padre, que lutava para conseguir trazê-los para o cristianismo, muito embora haja controvérsia a esse respeito quanto ao respeito pela cultura. Mas ao final o diretor Sarraceni consegue trazer para nós uma imagem do padre candidato a beatificação nesse filme feito na época da ditadura e que agradou e desagradou tanto a direita quanto a esquerda. As palmas ficam para Ney Latorraca que consegue nos trazer um personagem para o nosso imaginário, com muita grandeza.

3 - Música da Semana

Enquanto escrevia essa coluna fui ouvir novamente nosso ídolo da adolescência Geraldo Vandré, que lançou grandes canções que ficarão na nossa memória. Música da semana: Aroeira, de Vandré.

Otávio Paiva
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