Cinema falado destaca filme "Adeus, Christopher Robin"

1 - LANÇAMENTOS DA SEMANA

*ADEUS, CHRISTOPHER ROBIN (GOODBYE CHRISTOPHER ROBIN). INGLATERRA. 2017. DIR: SIMON CURTIS. ELENCO: DOMHNALL GLEESON, MARGOT ROBBIE, WILL TILSTON. DRAMA. 107 MIN.

Belo filme baseado na história real do escritor inglês A. A. Milne (Gleeson), um homem sensível que volta atormentado do campo de batalha da Primeira Guerra Mundial com tanta atrocidade vista e propõe à sua esposa Daphne (Robbie) após o nascimento do filho, de irem morar no campo para que ele voltasse a escrever. Christopher Robin (Tilston), que todos em casa chamam de Billy Moon, é um menino que já nasceu rejeitado pela mãe e pelo pai, e seus primeiros anos só são suportáveis por causa da ama Olive, que lhe dá todo o amor que os pais não conseguem dar. E assim vão levando a vida até que por um acaso pai e filho ficam sozinhos na casa de campo e começam a ter um relacionamento que vai levar Milne a escrever seu livro mais famoso, Winnie Pooh, que todos os meninos daqui conhecem como o Ursinho Puff inspirado em ver o filho brincando com seu urso de pelúcia. Mas o sucesso do livro é tanto no mundo todo que começa a prejudicar o relacionamento da família, já que os pais começam a viajar e levar Billy como se ele fosse um animal de estimação, e assim ele vai vendo sua infância perdida, enquanto livro ganha o coração das pessoas que ansiavam por algo para curar as feridas que a guerra deixou marcada na pele da humanidade. E assim vai Billy levar esse fardo de ser o garoto Christopher Robin, fardo esse que o leva a sofrer pelo resto de sua adolescência até que ele conseguisse resolver tudo com seus pais. As interpretações magistrais de Domhall Gleeson e Margot Robbie já eram esperadas, pois são dois craques, mas o que ganha o nosso coração é o garoto Will Tilston, que fez o papel de Billy Moon, um garoto lindo e talentoso que nos cativa desde sua primeira aparição e nos emociona com sua tocante performance. Mais um filme para se assistir de joelhos.

2 - CLÁSSICO DO CINEMA NACIONAL

*COMO ERA GOSTOSO MEU FRANCÊS. BRASIL. 1971. DIR.: NELSON PEREIRA DOS SANTOS. ELENCO: ARDUÍNO COLASANTI, ANA MARIA MAGALHÃES. DRAMA. 84 MIN.

Com um roteiro escrito em tupi (com a ajuda do mestre Humberto Mauro), francês e português, o diretor Nelson Pereira dos Santos teve a coragem de filmar uma história passada no início da colonização do Brasil entre os anos de 1555 e 1600 e conta a história de um francês que é capturado pelos tupinambás e passará por um ritual até ser comido pela tribo. Nelson consegue nos passar toda uma visão dos nativos que aqui viviam, em confronto com os europeus que chegaram para a pilhagem e encontraram uma outra civilização, e é desse choque de credos que nos movemos por todo o filme. Acabou sendo censurado pelo governo militar e depois de ser aclamado nos festivais europeus, conseguiu sua liberação no país, mas conheceu o fracasso de público, que na época estava entusiasmado com o regime, e ficou perdido nas prateleiras até ser resgatado e restaurado. Dever ser revisto com um olhar mais crítico e valorizado pelas novas gerações.

3 - DOCUMENTÁRIO NA NETFLIX

*KEITH RICHARDS: UNDER THE INFLUENCE. EUA. 2015. DIR: MORGAN NEVILLE. ELENCO: KEITH RICHARDS, STEVE JORDAN. 81 MIN.

A Netflix está investindo em documentários e acertou em cheio ao seguir o guitarrista inglês Keith Richards, a máquina de criar ritmos da banda dos Rolling Stones, em sua excursão de 2015 enquanto preparava seu álbum solo “Crosseyed Heart”. Um filme para fãs que vão ouvir o ídolo contar sobre suas influências musicais tendo como convidados Tom Waits, Buddy Guy, o baterista Steve Jordan entre outros, onde vamos ficar sabendo que sua primeira influência veio da mãe que lhe aplicava as músicas pelo rádio, incluindo Mozart, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Que os discos que fizeram sua cabeça foram os do guitarrista norte- americano Muddy Waters e de Chuck Berry; que ele se acha melhor no baixo do que na guitarra e que ficou afastado do pai por duas décadas até reencontrá-lo para nunca mais largar dele e que atualmente pensa em se aposentar. Ótimo documentário para os amantes do bom rock and roll.

4 - MÚSICA DA SEMANA

Enquanto escrevia essa coluna me deixei ouvindo a trilha sonora do filme Keith Richards: Under the Influence, com as músicas que marcaram a vida do roqueiro. Música da semana: Make no Mistake- Keith Richards.

Otávio Paiva
www.deltadvdvideo.com.br

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