Cinema Falado destaca documentário sobre a banda Barão Vermelho

1-LANÇAMENTO DA SEMANA

*MULHERES DIVINAS (DIE GÖTTLICHE ORDNUNG). SUIÇA. 2017. DIR: PETRA VOLPE. ELENCO: MARIA LEUENBERGER, MAXIMILIAN SIMONISCHEK. COMÉDIA. 96 MIN.

A gente aplaude um cinema quando vem de países sem grande tradição nesse ramo, como é o caso da Suíça, e pelo tema ligado ao tardio movimento pelo voto feminino num lugar tão civilizado, embora o filme abuse do eterno maniqueísmo em favor de um grupo. Acompanhamos a vida de Nora (Leuenberger), uma jovem dona de casa que vive com o marido, dois filhos e o sogro numa pequena cidade suíça em pleno ano de 1968, distante de todos os movimentos de contestação que espocavam pelo mundo, principalmente na França. Nora leva uma vida pacata sem questionar os valores até que começa uma campanha pelo voto feminino em sua região e ela se vê pouco a pouco enredada na nova situação, e aproveitando de uma viagem do marido, vai conhecer um mundo novo onde os questionamentos são feitos e a fazem mudar de vida. Com um enredo frágil e diálogos pobres, mesmo assim nos divertimos com a ação, pois fica até risível uma discussão dessas nesses últimos tempos e com certeza vai agradar grande parte do público, principalmente feminino.

2-HOMENAGEM A NELSON PEREIRA DOS SANTOS.

*COMO ERA GOSTOSO MEU FRANCÊS. BRASIL. 1971. DIR.: NELSON PEREIRA DOS SANTOS. ELENCO: ARDUÍNO COLASSANTI, ANA MARIA MAGALHÃES. DRAMA. 84 MIN.

Perdemos nessa semana que passou o grande diretor de cinema Nelson Pereira dos Santos, um ícone do Cinema Novo que ele mesmo implantou em 1955 com seu filme “RIO 40 GRAUS”, nos deixando com uma vasta obra onde contemplou os nossos maiores escritores como Graciliano Ramos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), Nelson Rodrigues (Boca de Ouro), Machado de Assis (Azyllo Muito Louco), Jorge Amado (Tenda dos Milagres). Nelson transitou por vários gêneros e ao fim dedicou-se a revisitar em seus documentários os grandes artistas do nosso Brasil. Nessa pequena homenagem ao grande diretor escolhi esse filme feito em plena ditadura, que se invocou com a nudez dos índios, e ele baseou no diário do viajante alemão Hans Staden para nos contar a história de um francês que é capturado pelos índios tupinambás adeptos da antropofagia. Acompanhamos com interesse a história dos nossos índios que tinham grande respeito pelos guerreiros que capturavam, e Nelson nos leva a um período inicial da formação do nosso país que ele tratou com grande pureza, e apesar de não ter sido bem acolhido pelo público na época ele preserva sua beleza.

3-NETFLIX

*BARÃO VERMELHO: PORQUE A GENTE É ASSIM?. BRASIL. DIR: MINI KERTI. ELENCO: BARÃO VERMELHO, CAETANO VELOSO, NEY MATOGROSSO. DOCUMENTÁRIO.

Esse documentário chega na hora certa para homenagear uma das bandas mais bacanas e criativas que apareceram no cenário musical do Brasil e que até hoje está na estrada, apesar da saída dos principais líderes como Roberto Frejat, além da perda de um dos maiores poetas de nossa geração, Cazuza. A cineasta Mini Kerta foi convidada pelo grupo para contar um pouco da história dessa banda que completa 36 anos e ela se muniu de imagens raras, depoimentos não só da banda, mas dos fãs que incluem Caetano Veloso, Ney Matogrosso e Marina Lima. Com muito alto astral acompanhamos o início desde 1981, o primeiro álbum que iria passar despercebido não fosse Caetano que gravou “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, uma das melhores músicas já feitas no Brasil, e daí para frente uma sucessão de sucessos que chegam até hoje. Um dos momentos mais tocantes foi a morte de Cazuza de AIDS em 1990, que desfalcou a música popular brasileira e comoveu a população. Ótimo documentário para avaliar a caminhada dessa moçada.

4-MÚSICA DA SEMANA

Enquanto escrevia essa coluna fui ouvir uma seleção dos melhores trabalhos do BARÃO VERMELHO e de Cazuza solo. Música da semana: Todo amor que houver nessa vida, de Frejat e Cazuza.

Otávio Paiva
www.deltadvdvideo.com.br

 

 

 

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