Cinco meses de trabalho em vão

Durante o período, nenhum dos clientes de uma das filiais do pastor preso em Divinópolis foi atendido

Matheus Augusto

O Agora conversou com mais uma das supostas vítimas prejudicadas pelo pastor Jesiel Júnior Costa Oliveira, preso na terça-feira, 8. Ela alega que, por quase cinco meses, manteve três franquias de uma empresa de recursos de multas de trânsito em funcionamento. No entanto, nenhum serviço foi concluído e, apenas mais tarde, viu que tudo não passava da uma armação. O prejuízo está estimado em R$ 250 mil.

Apresentação

A vítima conheceu Jesiel há cerca de sete anos, através de um amigo também pastor, de Belo Horizonte. Ele o teria apresentado Jesiel como alguém de confiança e dono da empresa de recursos.

— Ele [amigo] me disse que conhecia o pai dele [Jesiel] desde menino, que eram pessoas de confiança e falou que ele tinha uma empresa chamada Multare e vendia franquias — contou.

O trabalho da vítima seria, basicamente, conseguir clientes, coletar as informações necessárias e encaminhar os dados para a suposta central em Divinópolis, que seria responsável por entrar com o recurso. Do valor recolhido de cada cliente pela filial, 20% eram repassados para Jesiel.

— A gente adquiria a filial, instalava, treinava os funcionários e a central entrava com o recurso no Detran. Ele me falou que eu iria apenas abordar o cliente, passar os dados e eles iriam recorrer, sempre repassando os 20%. Apenas de comissão de um cliente eu cheguei a passar para ele R$ 3 mil — explicou.

Convencido da legitimidade do negócio, a vítima adquiriu três franquias, no valor de R$ 70 mil cada. Além do pagamento em dinheiro, ela deu um carro de cerca de R$ 40 mil.

E, claro, ainda houve gastos com o aluguel de três imóveis, funcionários, reformas dos espaços e outras despesas cotidianas, como água e luz. As franquias abriram em dezembro e, por cinco meses, continuaram em funcionamento, repassando casos para a suposta central em Divinópolis. No entanto, tudo não passava de uma armadilha, como alega a vítima.

Golpe

Ela conta que os clientes começaram a abordá-la contando que a situação das multas continuava inalterada, ou seja, nenhum recurso havia sido apresentado.  

— Os clientes começaram a reclamar que o serviço não estava sendo feito. Quando eu vim até Divinópolis verificar, descobri que era fraude, que a Central não existia e a empresa não era legalizada no mercado, sem registro — alega a vítima.

Ela ainda explicou que, segundo Jesiel, a culpa era exclusivamente dela.

— Quando fui procurar Jesiel, ele alegou que a empresa era boa, porém que eu não estava sabendo trabalhar. Mas, na verdade, era o empreendimento que sequer existia. Eu descobri que era uma fraude — contou.

A vítima ainda classifica a atitude do pastor Jesiel como “desumana”.

— Quando eu falei que iria fechar, ele falou que eu podia, como se não estivesse nem aí. Para mim, o que ele fez foi muito desumano, porque ele não prejudicou apenas minha vida financeira, mas todos os aspectos — define.

Entre eles está a imagem da vítima, prejudicada por acusações do pastor.

— Eu peguei o carro de volta. Ele tentou me acusar de ter roubado o veículo, colocou minha imagem pegando o automóvel nas redes sociais e divulgou em veículo de comunicação. Ele me prejudicou sujando meu nome, entrei em problemas familiares e outras dificuldades — contou.

Além disso, ao recuperar o veículo, ela descobriu que o automóvel tinha dívidas.

— Tinha IPVA em atraso e multa, do tempo em que ficou com ele, ou seja, por quatro ou cinco meses — pontuou.

Sobre o prejuízo total, a vítima estima ter tido uma despesa de R$ 250 mil.

— Eu tive que fechar todas as três lojas. Tomei prejuízo de imóvel que comprei, reforma, pagamento de funcionários, muita coisa. E o serviço não foi feito para nenhum cliente. Estou com um monte de contrato, uma pasta cheia, todos querendo o dinheiro de volta. Se for somar aluguel, reforma do espaço, funcionário, deve chegar, no mínimo, a R$ 250 mil. Só as franquias custaram R$ 210 mil — disse.

Justiça

Por fim, percebendo que estava diante de um golpe, a vítima decidiu buscar solução na Justiça.

— Quando ele não me deu assistência, eu saí fora, porque não compensa usar o diálogo com pessoas de mau-caráter. Você vai perder tempo e não terá resultado. Então, quando vim a Divinópolis, decidi entrar na Justiça para receber de volta os valores que paguei e recuperar o prejuízo que eu tive. Porque ele alegava que a empresa era boa, que funcionava, mas era tudo mentira. Não passava de um golpe. Então o que eu fiz foi apresentar o caso à Justiça e agora é aguardar para os valores serem ressarcidos — explicou.

Jesiel encontra-se, preventivamente, no presídio Floramar.

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