Cinco anos de Festa Literária

Jorge Guimarães

Trazer para Divinópolis um evento literário que movimentasse a cultura e oferecesse a oportunidade de artistas e escritores mostrarem suas obras. A ideia parecia boa. Esboço pronto faltava apenas colocar em prática. Foi assim que, em 2014, a cidade ganhava a 1ª edição da Festa Literária de Divinópolis (Flid). Cinco anos se passaram e, entre uma dificuldade e outra, os organizadores do evento seguiram firmes. A superação dos problemas e o empenho de toda equipe fizeram com que o evento entrasse de vez para o calendário das festas culturais mais esperadas da região.

Três Mosqueteiros

A Flid foi idealizada e realizada por três importantes nomes da cultura em Divinópolis: o editor Joubert Amaral, o professor e escritor Juarez Nogueira, e o livreiro e escritor Daniel Bicalho, na época, sócios da Gulliver Editora, com apoio da Boutique do Livro.

Logo no início, a Festa Literária ganhou uma madrinha muito especial. Adélia Prado abriu a primeira edição do evento com maestria, destacando a importância da volta de um evento literário na cidade, o que não acontecia há 30 anos.

— O último evento literário em Divinópolis havia sido o ‘Livro na Praça’, realizado em 1984. Uma cidade que respira cultura, com grandes e importantes nomes, com produções culturais fantásticas, merecia um evento destinado a isso, a mostrar o trabalho dessas pessoas e incentivar a cultura — lembra Joubert.

Nomes especiais

Nesse primeiro ano, a “Festa” trouxe para Divinópolis nomes como o cantor Paulinho Pedra Azul e a escritora e compositora Fernanda Mello. Em 2015, a festa mostrava que tinha chegado para ficar. Foi neste ano que a Flid entrou para o Calendário Nacional de Festas Literárias. Com o apoio de empresas e da mídia, a organização conseguiu trazer para cidade mais de 40 autores e artistas, entre eles a escritora e atriz Elisa Lucinda, a jornalista e escritora Leila Ferreira, os cartunistas Son Salvador, Quinho e Duke e a escritora, editora e blogueira Cris Guerra.

Ano de Ouro

A terceira edição, em 2016, é considerada pela organização o “ano de ouro” do evento, quando a cidade recebeu nomes como Fernanda Takai, o humorista Carlos Ruas, e Xico Sá. Leila Ferreira e Cris Guerra também estiveram presentes neste ano. 

— Em 2016 conseguimos entrar na Lei Estadual de Incentivo a Cultura, e assim pudemos ver o auge da Festa literária — conta Joubert.

As pedras no caminho

Ano passado, foi preciso muita garra para dar andamento à realização da Festa. Com a crise financeira do país, e sem incentivos Estaduais ou Municipais, os organizadores tiveram que correr atrás de parcerias. Em um formato um pouco mais enxuto, o evento ocorreu destacando nomes da literatura mineira, em especial de escritores da cidade e região.

— A Flid foi um sonho que nasceu de uma paixão. A paixão pela literatura. Me emociona, lembrar de todas as dificuldades que tivemos e que superamos. Trazer de volta um evento literário para cidade foi um marco para Divinópolis e para nossas vidas, com certeza — diz Daniel Bicalho.

Mesmo sendo considerado o ano mais difícil, a festa reuniu, em 2017, personalidades como o escritor e contador de casos Olavo Romano, o escritor e psiquiatra Ronaldo Simões Coelho o humorista, cartunista, músico e escritor carioca Reinaldo Figueiredo, o escritor e jornalista Carlos Herculano Lopes e o professor, ilustrador chargista e roteirista da Turma da Mônica, João Marcos.

Reconhecimento

Neste aniversário de cinco anos de Flid, os organizadores fazem um balanço e acreditam que, apesar das dificuldades, a Festa Literária cresceu, se popularizou e ganhou credibilidade no cenário nacional.

— Como diria nossa madrinha, Adélia Prado, a Flid é alimento para alma do divinopolitano. Fazer parte dessa organização e ver a lista da Festa Literária se concretizar, ganhar respeito nacional e contribuir tanto para cultura de toda cidade e região é extremamente importante para nós. Por isso, seguimos em frente. Sempre e sem desanimar — finaliza.

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