Cidadãos relatam dificuldades em retirar fichas de atendimento

Matheus Augusto

A Saúde continua recebendo reclamações por parte dos usuários, seja nas unidades básicas de saúde, seja na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto. Diversas pessoas em Divinópolis têm relatado a dificuldade de agendar uma consulta e contam que é preciso madrugar para conseguir uma ficha nas unidades de saúde. Segundo a Prefeitura, novas formas de agendamento estão sendo estudadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).

Relatos

Os depoimentos são diversos. Alguns vereadores, inclusive, já levantaram a questão durante seu tempo de fala na Câmara. E, aparentemente, o problema não é exclusivo de uma única localidade. Um cidadão, por exemplo, relatou que no posto de saúde de Ermida é necessário aguardar o médico abrir a agenda no início do mês para conseguir marcar uma consulta. Ainda segundo ela, ao passar mal e ir até a unidade, a informação é de que é preciso esperar pela abertura da agenda.

Outro depoimento, comum entra a população, diz respeito à retirada de fichas. Segundo os moradores, em algumas unidades, como no posto Central, na rua 1º de Junho, é preciso chegar cedo, por volta das 4h30, para pegar uma ficha. E, ainda de acordo com relatos, pode haver ainda a necessidade de esperar por 15 dias até a data da consulta.

Segundo outro relato, no posto do São José, a distribuição de fichas acontece apenas duas vezes no mês, com as filas de espera ocupando duas ruas. Sabendo da dificuldade, as pessoas chegam ainda durante a madrugada, antes do pôr do sol, na expectativa de conseguir atendimento. Ainda de acordo com o relato, a equipe de saúde do local alega que um médico se aposentou e o outro está de licença, dificultando o agendamento de consultas. 

Realidade

A Prefeitura confirmou que tais problemas podem estar acontecendo devido à alta demanda de atendimentos na cidade. Ainda segundo a Administração, cada unidade é responsável por elaborar sua forma de agendamento, de acordo com a necessidade da população.

— Cada unidade faz o agendamento de acordo com a característica de cada região. A Semusa estuda novas formas de agendamento para evitar fila — informou.

Sobre o relato da espera de até 15 dias para conseguir atendimento, o Executivo explicou que o prazo para consulta pode ser demorado, a depender da demanda da unidade. No entanto, o órgão alegou que se o caso for considerado de urgência, “a equipe de saúde da unidade vai indicar qual procedimento será realizado”.

Atualmente, quatro unidades de saúde continuam sem a presença de um médico no quadro de funcionários.

As reclamações e sugestões a respeito da Saúde podem ser feitos através da Ouvidoria Geral, pelo telefone (37) 3229-8110.

Lei

A Câmara Municipal aprovou, no dia 20 de agosto deste ano, o projeto de lei CM 046/2019, de autoria de César Tarzan (PP), por unanimidade. A proposta garante, aos maiores de 80 anos, prioridade no atendimento nos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população, como nas unidades de saúde. O artigo 2º esclarece que as pessoas dentro dessa faixa etária devem receber atendimento preferencial.

— Em todo atendimento de saúde, os maiores de oitenta anos terão preferência especial sobre os demais idosos, exceto em caso de emergência — determina o texto.

Em seu projeto, Tarzan argumenta que, com o aumento da expectativa de vida no Brasil e, por consequência, em Divinópolis, se faz necessária a criação de políticas específicas para os maiores de 80 anos.

— O aumento da expectativa de vida dos brasileiros, notadamente com relação aos idosos com 80 anos de idade ou mais, desperta a necessidade de se diferenciar o tratamento dentro da classe idosa, conferindo aos octogenários tratamento especial em relação aos demais idosos. É que com o aumento da longevidade de nossa população, tornou-se necessária a aplicação e criação de políticas públicas capazes de satisfazer e amparar essa nova faixa populacional — explica.

Ainda segundo o vereador, não se trata de um privilégio, mas de uma tentativa de garantir um direito “frente ao crescente envelhecimento populacional”.

— A partir dos 80 anos de idade as pessoas têm mais dificuldade de locomoção e ficam com a saúde ainda mais fragilizada. A preferência valerá em atendimentos de saúde que não envolvam situações de emergência. Trata-se, pois, de medida voltada a garantir a dignidade da pessoa mais idosa, como mecanismo de viabilização e facilitação da participação social, traduzindo-se como verdadeira manifestação de respeito àqueles que, em decorrência das peculiaridades inerentes ao envelhecimento, já sofrem certas limitações ao exercício dos direitos e à participação na sociedade — afirma o edil em sua justificativa.

 

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