Choque de realidade

Foi-se o tempo em que as inúmeras promessas feitas pelos candidatos durante suas campanhas conquistavam o eleitor. Diante da total desmoralização da política no Brasil, os candidatos estão tendo trabalho para conquistar o seu eleitorado. Justamente por ter de lidar com esta mudança no perfil dos eleitores e com as redes sociais, alguns candidatos buscaram o plano B e renovaram os seus discursos. Nesta mudança de postura, alguns candidatos trazem o choque de realidade para os seus eleitores. Com a atual situação econômica de Minas Gerais, nada mais sensato da parte dos pré-candidatos ao Governo do Estado do que mostrar fatos e números reais para os mineiros.

Fazer promessas que não serão concretizadas durante o mandato, além de irresponsável, é subestimar a inteligência de boa parte do seu eleitorado. O Estado está quebrado. Não tem salário dos servidores em dia e o repasse de impostos aos municípios tem atrasado. Fingir que nada disso está acontecendo e partir para as promessas mirabolantes, realmente não é o caminho certo. Gostando ou não, esse é o momento de os políticos mostrarem a realidade para os eleitores e se resguardarem de futuras cobranças, caso sejam eleitos. Hoje, o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB), colhe os frutos de suas promessas feitas (e não cumpridas) durante sua campanha eleitoral.

Uma das promessas que mais marcaram a campanha do emedebista, que teve como slogan “Deixa o homem trabalhar”, foi a de trazer quatro unidades de pronto atendimento para Divinópolis. Os mais ansiosos por melhorias na cidade acreditaram na promessa e confiaram a Galileu o seu voto. Os mais desconfiados das promessas milagrosas do emedebista sabiam que esta era uma promessa de campanha que não iria ser concretizada, pois Divinópolis não tem sequer população para ter quatro UPAs.

E indo um pouco mais além, quem constrói e banca uma unidade de pronto atendimento é o Município, até ela ser habilitada no Ministério da Saúde, e começar a receber repasses federais. Como construir e manter uma UPA com uma Prefeitura endividada? Os divinopolitanos não perdoaram e cobraram as quatro UPAs, que nunca virão. Galileu usou aquele velho jeito de fazer campanha e conseguiu de volta o seu sonhado cargo, mas infelizmente quem está pagando por isso é a população, que, sem UPA, corre o risco ainda de não ver sequer a construção de alguma ponte na cidade.

Com essa situação, está mais do que provado o ditado de que “mais vale uma verdade que dói, do que uma mentira que ilude”. De nada adianta fazer milhares de promessas e não cumprir nenhuma. Hoje, com as redes sociais, os eleitores não se esquecem de nada, e cobram, cobram muito. A única maneira de se ganhar a confiança do eleitorado é mostrar a realidade, como têm feito alguns pré-candidatos ao Governo de Minas. Têm mostrado a real situação do Estado e se amparam no discurso de que não há milagre que resolva a penúria de Minas Gerais da noite para o dia.

Por mais que doa, a verdade tem de ser dita e aceita. O choque de realidade é necessário, afinal, ninguém vive de promessas. Divinópolis é a prova viva disso.

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