César Tarzan tem prisão decretada após descumprir medidas cautelares

Ricardo Welbert

A Polícia Federal (PF) decretou nesta terça-feira, 30, a prisão preventiva do vereador César Tarzan (PP), de Divinópolis. Na decisão que baseia a representação, a Justiça Eleitoral determinou que o réu pague fiança de R$ 10 mil em 24 horas. Caso a fiança não seja paga no prazo estabelecido, o mandado de prisão entra em vigor.

Segundo o delegado Benício Cabral, há indícios que sustentam a tese de que o vereador teria ameaçado testemunhas.

— O vereador não pode se aproximar das testemunhas, mas ele realizou um evento na porta da casa de uma delas. Um evento que poderia ter sido realizado na Câmara ou em qualquer outro lugar — detalha.

Pela medida cautelar, César Tarzan não poderia sair de Divinópolis sem autorização da Justiça. No começo deste mês, porém, ele viajou para o estado de São Paulo, onde esteve em cidades como Aparecida e Ubatuba. Ele retornou a Divinópolis neta terça-feira.

— Dentro do inquérito que está em andamento na delegacia e em razão do vereador ter descumprido medidas cautelares impostas pelo juiz eleitoral, foi novamente representado pela decretação da prisão preventiva dele. Na decisão que apreciou a representação da PF, o juiz eleitoral determinou ao vereador o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil em 24 horas — informou o delegado regional da Polícia Federal, Daniel Souza.

Ainda segundo Benício Cabral, caso o pagamento não seja feito a tempo, o mandado de prisão entra em vigor.

— Se ele paga, permanecem as medidas. Se ele não paga, será decretada a prisão. O pagamento da fiança deve ser feito junto ao Cartório Eleitoral até a tarde desta quarta-feira, 31. Caso não seja feito, o cartório deve comunicar à PF, que tomará as medidas necessárias — detalha.

Outro lado

O vereador garante que tinha autorização para viajar e afirma que só vai se pronunciar oficialmente sobre o caso depois de conversar com a defesa na tarde desta quarta-feira, 31.

Procurado pelo Agora, o advogado Alican Albernaz, que defende Tarzan, disse que o cliente cumpre todas as decisões da Justiça.

O caso

Tarzan é investigado pela PF por boca de urna, falsidade ideológica gera por prestação falsa de contas e compra de votos. Em junho do ano passado, a PF e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediram medida cautelar e o juiz acatou.

Segundo o texto, o vereador tentou interferir e direcionar depoimentos de testemunhas de um caso que está em investigação desde março de 2017.

Representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da PF cumpriram mandado de busca no gabinete do vereador César Tarzan em junho. A suspeita era de que ele tenha comprado votos durante a campanha de 2016, feito boca de urna e falsa prestação de contas.

Benício Cabral disse que tudo começou quando uma pessoa que trabalhou na campanha de César Tarzan procurou a PF e denunciou que ele praticou atos considerados crimes pela legislação.

— Ele teria feito compra de voto, boca de urna e uma prestação falsa de contas da campanha, além de ter gasto mais do que declarou. Essas informações foram comprovadas pela testemunha.

Em uma entrevista coletiva alguns dias após o mandado de busca, César Tarzan disse que as mesmas denúncias foram feitas na Justiça Eleitoral em 2016 e o processo foi arquivado.

Nesse processo o denunciante afirma que o vereador, quando ainda em campanha, prometeu um cargo de primeiro assessor no gabinete caso vencesse as eleições e que, eleito, não cumpriu com o acordo.

Ao ser perguntado sobre as evidências citadas pela PF, Tarzan negou.

— Prova de coisa que não existiu. Não tive acesso a esse novo processo, mas as denúncias são as mesmas feitas à Justiça Eleitoral. Estou muito tranquilo quanto a isso. Não existe prova de um fato que jamais aconteceu — finalizou.

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