Centro Socioeducativo está no limite

Gisele Souto

Um dos condenados pelo assassinato Glaydson Silva Silvério em novembro de 2015, em Carmo do Cajuru, foi condenado em julgamento na última segunda-feira, mas está solto. O motivo alegado pela Justiça à família é que, no Centro de Ressocialização em Divinópolis (Florinha), não há vagas para o acautelamento Lorivaldo Rodrigues Oliveira, 19 anos, considerado o pivô do homicídio.

À época, ele ficou acautelado por 45 dias, foi liberado e aguardou o julgamento em liberdade. Ele e os dois condenados foram a júri popular e os três juntos pegaram 50 anos de prisão. Lorivaldo, agora com 19 anos, terá de cumprir a pena no Centro Socioeducativo até completar 21 anos. Já mentor do crime, Romeu Herculano, 67 aos pegou 28 anos e oito meses de prisão. Seu comparsa, David Leandro da Silva Alves, 21 anos terá de cumprir 21,8 anos de reclusão.

Longe

A secretaria do Fórum de Carmo do Cajuru informou que Lorivaldo Rodrigues não está mais morando na cidade. Mudou-se para Itambacuri, no Vale do Mucuri. Informou ainda que o pedido de reclusão já foi despachado para a comarca de lá e, provavelmente, cumprirá a internação numa casa de ressocialização mais próxima da cidade.

Uma fonte que atua junto ao centro, mas preferiu não se identificar, tendo em vista que o Estado não divulga quantidade de acautelados e presos nas unidades em Minas, confirmou à reportagem a superlotação da Florinha.

O crime

O motivo do crime foi uma disputa amorosa. Na época, Herculano, então com 64 anos, iniciou relacionamento com Lorivaldo, então com 17. Porém, ele namorava Glaydson, formando assim triângulo amoroso.

Herculano então teria ficado com ciúmes e, juntamente com Lorivaldo e David, arquitetaram a morte de Glaydson. Segundo consta no processo, Lorivaldo armou uma emboscada para Glaydson, atraindo-o para um local conhecido como “Laje do Cordeiro”, em Carmo do Cajuru. Herculano e David ficaram escondidos no mato e, quando Glaydson chegou, deram o bote. Ele foi assassinado com ao menos 20 golpes de facão, faca e pauladas.

Sem requisição

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que o encaminhamento depende de determinação judicial, baseada em regras de internação descritas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ratificou que Lourivaldo Rodrigues de Oliveira deu entrada no Centro Socioeducativo de Divinópolis em dezembro de 2015 e foi colocado em liberdade em janeiro de 2016 para aguardar o julgamento. Esclarece que, após o julgamento, não houve nova requisição de abertura de vaga para ele junto à Suase e que, assim que for solicitada a vaga, a subsecretaria fará os procedimentos necessários.

Separado

A Sesp disse ainda que, decretada a internação, o juiz deverá requisitar a abertura de vaga junto à Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo (Suase), que designará a unidade para atendimento, preferencialmente naquela mais próxima onde residem os responsáveis. Nos casos de crimes graves, segundo a secretaria, o adolescente cumpre a medida de internação no próprio Centro Socioeducativo, no entanto em alojamento separado dos demais.

Capacidade e ampliação  

A secretaria revelou ainda que está empenhando esforços para ampliar a capacidade do sistema socioeducativo em todo o Estado, segundo acordo firmado com o Ministério Público. Ressalta também que cumpre todas as determinações oriundas da Justiça.

O Centro Socioeducativo de Divinópolis tem capacidade para 48 adolescentes. Por motivo de segurança, a Sesp não divulga a lotação de suas unidades.  Porém, a unidade recebe menores infratores de várias cidades da região.

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