Centenário de Bernardino Leers

Está em andamento a 14ª Semana Cultural Franciscana, iniciada domingo passado. O evento deve-se à dedicação de frei Leonardo Lucas Pereira e alguns companheiros. É um remanescente da histórica presença e atuação dos franciscanos na formação da sociedade divinopolitana. Presença e contribuição que só vem diminuindo, a partir da extinção do teologado que eles aqui mantiveram, por algumas décadas. 

Neste mês, comemora-se o centenário de nascimento de frei Bernardino Leers, que deixou entre nós herança marcante, como religioso e professor universitário, pesquisador e pensador da realidade social mineira e brasileira, além de uma significativa obra escrita e publicada. Estaria completando exatos 100 anos de idade.

A programação da noite de ontem teve participação especial da Associação dos Graduados e Estudiosos de Filosofia (Agefil), coordenada pela professora regina Vaz. Vale transcrever aqui as palavras com que o presidente da entidade, Weliton Andrade Nascimento, abriu a sessão. Disse ele:

— Por três razões, a Agefil sente-se investida da responsabilidade de ser uma herdeira especial do grande mestre. Primeiramente, porque alguns dos membros da Agefil foram alunos ou amigos de frei Bernardino Leers. Em segundo lugar, porque em 2010, a Agefil realizou um cuidadoso estudo de uma das suas obras principais: “Jeito Brasileiro e Norma Absoluta”, que possibilitou proveitoso diálogo com o seu pensamento e seus escritos em geral. Além disso, em 16 de novembro de 2010, vivenciamos uma inesquecível experiência: tivemos com ele um privilegiado encontro que nos tornou ouvintes e depositários daquilo que podemos considerar, como de fato foi, a última aula do professor Bernardino. A memória e as impressões daquele encontro serão compartilhadas conosco, através do nosso associado professor Claudemir Henrique Cunha, a quem passamos a palavra. —

Após Claudemir, falou o professor Ivan Ribeiro Gonçalves. Tomou como eixo das suas considerações um livro de Bernardino Leers: “Em Plena Liberdade”, lançado em 2010, pela Editora O Lutador, de Belo Horizonte. Trechos desta obra foram estudados, no corrente ano, em sessões da Agefil. Foi lida pelo professor Ivacy Duarte uma passagem do capítulo que se inicia na página 251, o qual traz o seguinte título: “Morte e vida humanas, uma reflexão ética”. Bernardino faz aí referência à famosa peça teatral de João Cabral de Melo: “Vida e Morte Severina”.

A noite terminou em teatro e música, com a encenação da parte mais conhecida daquela peça: “O funeral do lavrador”, musicada por Chico Buarque. Destacaram-se o canto e a interpretação inspirada de Ilma Santos e os violões de Hernane Lemos e Dikens Santos. Bernardino terá gostado da homenagem. jorababech@gmail.com

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