Cemitérios recebem visitantes até as 18h

Nove unidades estão prontas; pelo segundo ano, quem tem parentes nos túmulos que desabaram no Centro fica só na vontade

Bruno Bueno

Os nove cemitérios municipais de Divinópolis devem ficar cheios neste feriado de Finados. Conforme informações da Prefeitura, por meio da Secretaria de Operações e Serviços Urbanos (Semsur), a expectativa é que 5 mil a 10 mil pessoas passem pelas unidades localizadas nos bairros Bom Pastor, Centro, Interlagos, Belvedere, Jusa Fonseca, Santo Antônio dos Campos, Amadeu Lacerda, Buritis e Costas. A visitação pode ser feita das 7h às 18h.

Diferentemente do ano anterior, não será necessário agendamento para que as pessoas visitem os túmulos. O Executivo, no entanto, recomenda o distanciamento social e o uso de máscara e álcool em todo o momento da visitação. 

 

Preparação

A preparação dos cemitérios terminou na semana passada. A limpeza foi intensificada durante o mês de outubro.

— A Prefeitura finalizou as preparações de cemitérios públicos da cidade para as visitas do Dia dos Finados. (...) Durante o mês de outubro, as equipes da Semsur intensificaram a limpeza na estrutura interna e externa dos nove cemitérios municipais — disse em nota.

A pasta também ressaltou a importância de realizar a manutenção dos locais para garantir a visitação tranquila. Cada um dos cemitérios é limpo, pelo menos, uma vez por mês

— O feriado é a ocasião na qual milhares de pessoas se dirigem aos cemitérios para homenagear e preservar a memória de seus entes queridos. Portanto, a atenção nesses locais é redobrada para uma boa acolhida aos visitantes — ressaltou.

 

Cemitério do Centro

O Dia de Finados é, com certeza, uma data triste para quem visita seus entes queridos que já partiram. No entanto, familiares dos restos mortais dos túmulos que desabaram no Cemitério da Paz, localizado na região Central, em janeiro de 2020, ainda são obrigados a conviver com a dor de não poder visitar seus familiares. 

A presidente da Associação dos Jazigos do Cemitério da Paz, Andrea Maria Maciel Rocha e Machado, tinha sete familiares enterrados no local e luta diariamente para conseguir identificar seus entes queridos.

—  É uma situação muito dolorosa. (...) Vamos fazer uma manifestação amanhã na porta do cemitério. São dois anos que a gente vive essa saga. É um luto interminável.  A gente sofreu as perdas e agora parece que este luto está se estendendo. A sensação é que nossos familiares morreram ontem e ainda não foram enterrados — disse.

Emocionada, ela também conta que a empresa considerada responsável pelo desabamento parcial do cemitério, que ficou encarregada pela Justiça para fazer a exumação e a identificação dos corpos, não está tratando a situação com o devido respeito.

— Eles tiraram os restos mortais sem nenhuma técnica e colocaram em um container. Com a chegada da chuva, eles removeram os restos para capela que fica dentro do cemitério só para falar que fizeram alguma coisa. Nós familiares, no entanto, queríamos que eles saíssem de lá para que o reconhecimento fosse feito. Eles mexem sem qualquer tipo de respeito. Quanto mais se mexe, fica mais difícil a identificação. Estou chocada e atordoada — afirma.

 

Revolta

A Associação dos Advogados dos Familiares também se posicionou. Conforme o advogado Muller Oliveira, que trabalha diretamente no caso, a demora na execução do que foi proposto na Justiça, que, por consequência, impede a visitação dos familiares, causa muita revolta em todos os envolvidos.

— A posição da Associação é de muita revolta. Esse é o segundo feriado de Finados que os familiares não podem visitar seus entes queridos que estavam sepultados na região que desmoronou. (...) O que mais causa o lamento dos familiares é a posição dos empreendedores que se negam a fazer a identificação dos corpos — disse.

O advogado ressalta que tem ciência sobre o custo do processo de identificação, mas afirma que  os familiares não aceitam outro modo de resolução do caso.

— Nós sabemos que esse processo tem um custo alto, porque são mais de 50 a 60 corpos envolvidos. No entanto, o que a gente percebe é que eles estão tirando os corpos para fora. Isso causa muita revolta, porque os familiares não aceitam. Eles querem colocar uma vala comum para colocar todos os corpos misturados e fazer um memorial. Os associados não aceitam isso. Eles querem a identificação de todos os corpos — concluiu.

 

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