Celeuma: prefeito x vice-prefeito

Quem me acompanha aqui no jornal e nas redes sociais sabe que sou crítico à forma de governar do prefeito Galileu (MDB). Mas também sabe que mesmo assim me posicionei contra a tentativa de seu impeachment. E deve recordar ainda que apoiei a candidatura de Rinaldo Valério a deputado estadual. Em todas as conversas que tive com o vice-prefeito sobre a possibilidade de o prefeito ser cassado, Rinaldo sempre me afirmou que as provas contra o alcaide que orientavam o pedido de cassação eram frágeis, não se sustentavam.

 

Outra versão

 

Depois das denúncias do vereador Print Junior, de que recebeu em casa uma visita surpresa do atual vice-prefeito, “cercado de segundas intenções”, procurei Rinaldo para me certificar a respeito.

Rinaldo me garantiu que só foi à casa do vereador Print Junior em razão do comunicado dos assessores do vereador Sargento Elton ao Olinto Pará, de que era importante que o vice falasse com Print Junior sobre o impeachment. Afirmou ainda o vice-prefeito que também foi dizer a Print Junior não haver ninguém autorizado a falar em seu nome e tampouco pediu ao edil para votar favoravelmente ao impeachment do prefeito. Por que os assessores do vereador Elton entraram em contato com o assessor do vice-prefeito, Olinto Pará?  Por que, segundo os assessores do vereador Patriota, o edil Print Junior teria afirmado a eles que se o pedido de impeachment alcançasse 11 votos o 12° seria o dele? Olinto Pará confirma que houve esta conversa entre eles (assessores).

O vice-prefeito me afirmou que gostaria de conversar com o edil Print Junior, juntamente com o prefeito, para esclarecer toda esta celeuma.

 

Vice-prefeito não procurou o relator

 

A fim de entender e restabelecer os fatos, conversei também com o vereador Renato Ferreira (PSDB), relator do procedimento de impeachment e responsável pela elaboração do documento que norteou a Comissão Processante, julgadora de supostas irregularidades cometidas pelo prefeito Galileu Machado (MDB). Perguntei-lhe se teria sido procurado pelo vice-prefeito Rinaldo para sugerir ou insinuar que o relatório fosse favorável ao impeachment do prefeito. Renato disse que não, até porque o relatório baseou-se inteira e exclusivamente em critérios técnicos. Declarou: “conheço a índole do vice-prefeito, ele jamais me procuraria para fazer tal pedido. Em momento algum ele me procurou na tentativa de mudar meu voto, expresso no relatório final”. E completou: “abro meu sigilo telefônico, em nome da transparência, para ficar clara esta minha afirmação. Rinaldo não me procurou pessoalmente nem por telefone para tentar mudar meu voto”. Ora, por que Rinaldo não procurou também o relator do processo montado pela comissão processante para, se fosse o caso, buscar influenciar o seu voto?

 

Vice não procurou Delano

 

Sobre esse assunto, envolvendo vice-prefeito e prefeito, uma manchete de jornal diz que o vereador Delano (MDB) foi procurado pelo vice-prefeito. Mas não foi e nem Delano disse que foi. O vereador/médico declarou que “foi procurado por um assessor de vereador da Casa com intuito de providenciar um encontro entre ele e o vice-prefeito”. Então, o Rinaldo não participou deste contato.

 

Tese e antítese

 

Na discussão sobre o processo que julgou possíveis irregularidades cometidas pelo prefeito Galileu Machado, quem estava contra o seu impeachment e quem estava a favor tinha todo o direito de articular politicamente para convencer edis a mudarem seus votos. Portanto, vereadores ou assessores que vararam a madrugada antecedente à votação em busca de votos para derrotar ou salvar o mandato do prefeito agiram de acordo com o que se espera deles. Procurar vereadores na reta final para convencê-los com argumentos republicanos a mudar seus votos é da regra política.

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