CDL cita impacto na economia e cobra mais flexibilizações

Cidade confirmou ontem outros 16 casos de coronavírus

Da Redação

Divinópolis vive um semana atípica desde a reabertura parcial do comércio. A Prefeitura vinha, semanalmente, autorizando o funcionamento de outros setores econômicos e culturais. Porém, por perceber a queda no isolamento, a gestão decidiu por suspender novas flexibilizações. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) em Divinópolis é preciso dar mais condições de funcionamento ao comércio para minimizar os já sentidos impactos da crise.

Dados

Divinópolis contava, até ontem, com 3.775 casos notificados de coronavírus. Desses, 706 foram testados: 431 positivos (371 recuperados), 268 descartados e sete em análise.  Conforme deliberou o comitê,  houve mudança na divisão de leitos para cálculo de percentual. Os leitos agora são separados em não covid-19 e covid-19, “para ficarem mais claras as informações sobre ocupação hospitalar”. 

Do total de leitos de UTI para pacientes não suspeitos de covid-19, a ocupação total, contando rede suplementar e SUS, está em 81,4%, com apenas 11 leitos disponíveis. Já dos leitos de UTI específicos para pacientes com quadro sintomático para coronavírus, a ocupação é de 21,3%, com 74 leitos disponíveis.

Atualmente, são 42 pacientes com suspeita internados em enfermarias e 20 em UTIs.

Fechamento

Como anunciado na última pelo Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, não serão anunciadas novas flexibilizações pelos próximos 14 dias, numa tentativa de frear a escalada no vírus na cidade. Apesar da decisão, a CDL de Divinópolis reforçou ontem sua preocupação com a economia. 

Segundo a entidade, com base nos dados da Junta Comercial do estado de Minas Gerais (Jucemg), em 2019, 262 empresas fecharam entre janeiro e junho; já em 2020, esse número chegou a 340 ‒ um aumento de 30%.

— Somente no mês de abril, o aumento chegou a 81% e no período que compreende a pandemia, de março a junho, o aumento foi de 28% comparado ao mesmo período no ano anterior — citou.

Após consulta ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a CDL também relata que o município perdeu 2.512 postos de trabalho entre março e maio.

— O mês de abril registrou um saldo negativo de 1.531 vagas de emprego em Divinópolis, reflexo do grande percentual de fechamento de empresas também nesse mês, quando o comércio de rua permaneceu fechado por mais de 30 dias, de 23 de março a 27 de abril — comentou a CDL.

A entidade também criticou o formato de funcionamento atual.

— O cenário de funcionamento em apenas seis horas diárias, sem abrir aos sábados, coloca ainda mais em risco a economia local. Nesse ritmo, o aumento do desemprego em Divinópolis nos próximos meses é uma realidade cada vez mais presente — comunicou.

Live

Mesmo diante dos índices, inclusives os estaduais e os nacionais, há aqueles que não acreditam na pandemia e preferem ignorar as recomendações sanitárias. Em mais uma live, o secretário de Saúde (Semusa), Amarildo Sousa, conversou com o diretor técnico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Marco Aurélio Lobão. Na oportunidade, ele direcionou parte de sua fala aos negacionistas.

— A vontade é de dizer para ir à UPA. É uma pena que não dá para ele ir lá conosco ver o que a gente está passando — disse.

Ele ainda contou sobre o trabalho dos profissionais de saúde que, por vezes, trabalham seis horas ininterruptas, sem pausa para alimentação, para tratar paciente intubados. Ele também citou a dor dos familiares, impedidos de verem o parente ser enterrado em um caixão fechado.

— É uma negação que é impressionante — destacou.

Lobão também disse que, no início, enxergou as previsões como pessimistas, e hoje reconhece o erro.

— Eu achei que não seria isso tudo — relatou.

O médico ainda se disse impressionado com os números no país, haja vista os 65.487 mortos registrados até ontem pelo Ministério da Saúde.

— São quase 550 pessoas por dia, são dois Brumadinhos por dia e as pessoas não se sensibilizam — comentou.

Para Amarildo, a negação da doença contribui para a propagação do vírus.

— O Brasil está perdendo essa batalha pela ignorância e pela falta de amor das pessoas — pontuou.

Assim, quem insiste em manter esse posicionamento, de negligenciar a própria saúde, deve, segundo o secretário, ao menos respeitar a vida do próximo, pois eles podem pagar um preço alto pela irresponsabilidade de outros.

Dados

Sobre os números municipais, explicou o secretário, a situação ainda é de alerta.

— A gente ainda está percebendo um aumento de casos de atendimento ambulatorial. 

Os índices ideais para o isolamento social e o ritmo de contágio, avaliados pela última vez em 36% e 1,19,  deveriam estar em 50% e igual ou menor a 1, respectivamente.

— Isso nos preocupa porque ainda recebemos muitas denúncias de aglomerações e bares funcionando após o horário permitido — pontuou o secretário.

Seguro

O diretor técnico da UPA ainda disse que a Prefeitura realizou a ampliação de leitos, como a construção do hospital de campanha, mas a expectativa é de não lotar a unidade.

— Você faz o seguro esperando não usar — comparou.

Porta de entrada

Pacientes com quadro sintomático para a doença devem procurar, primeiramente, a unidade básica de saúde mais próxima, contou o responsável pela UPA.

— As pessoas muitas vezes porque querem ser imediatistas não buscam o acesso adequado — citou.

Marco Aurélio Lobão ainda reforçou que não é momento para achismos e autoavaliações médicas e, por isso, ao apresentar os sintomas, um profissional deve ser procurado. Ele também respondeu às reclamações de alguns pacientes por receberem alta mesmo não estando “100%”.

— O fato de receber alta não quer dizer que você não possa voltar à UPA — explicou.

Testes

Questionado sobre a disponibilidade de testes na cidade, o secretário de Saúde, Amarildo Sousa, afirmou que todas as unidades de saúde possuem o material para diagnóstico, mas não é necessário uma corrida para realização do exame, pois, conforme estabelecido em protocolo, nem todo devem ser avaliados.

— Os testes precisam ser usados de maneira correta para que não façamos desperdício — argumentou.

Isolamento

Por fim, Marco Aurélio Lobão disse que é “melhor pecar por excesso” e reforçou a importância do isolamento social.

— Torcemos para que em breve estejamos no novo normal — finalizou.

Já Amarildo lamentou as mortes na cidade e de um profissional de Saúde, em Itaúna, e pediu à população que deixe suas residência apenas quando necessário.

Auxílio

Para continuar as atividades de combate à pandemia, a secretaria recebeu 600 litros de álcool líquido 70% do Sindicato Rural. A doação foi intermediada pelo vereador Eduardo Print Jr (PSDB). 

— Nós, que trabalhamos em prol do bem-estar dos cidadãos, temos que buscar parcerias, bons encontros e diálogos. Dentro das inúmeras lives que são realizadas pelo Brasil, o nosso município foi contemplado com esse material — comentou.

Foram também doados alimentos a 27 instituições assistenciais na cidade. O material foi arrecadado e entregue ao sindicato para distribuição por meio de lives promovidas por artistas como Leonardo, César Menotti & Fabiano, e Eduardo Costa. O secretário agradeceu a colaboração.

— Esse material vai nos ajudar a reforçar nosso estoque para atender às Unidades Básicas de Saúde e também à UPA Padre Roberto — afirmou.

O presidente do Sindicato Rural, Irajá Nogueira, disse que anualmente é feita a doação para entidades sociais com a queima do alho, mas neste ano, em razão da pandemia, o evento não foi realizado. 

— Estamos satisfeitos em poder ajudar a Prefeitura e as instituições. Pois como neste ano não foi possível realizar a Divinaexpo, devido à pandemia, os donativos vieram através das lives — citou.

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